Carlos Rodolfo Schneider é empresário e coordenador do Movimento Brasil Eficiente | Foto Divulgação
Carlos Rodolfo Schneider é empresário e coordenador do Movimento Brasil Eficiente | Foto Divulgação

Confira o artigo "Priorizar e resgatar senso de urgência", escrito pelo empresário e coordenador do Movimento Brasil Eficiente, Carlos Rodolfo Schneider.

O novo governo assume com uma missão muito clara: pôr ordem nas contas públicas antes de mais nada. Saber estabelecer prioridades é parte fundamental da solução. Felizmente o ministro Paulo Guedes tem manifestado o seu entendimento nessa direção quando atribui à explosão do gasto público as grandes crises que tivemos nos últimos quarenta anos: hiperinflação, moratória externa, juros mais altos do planeta, carga tributária sufocante, colapso nos serviços públicos.

É a já conhecida inversão de valores: o poder público que foi concebido e instituído para servir o público, a sociedade, passa a dele servir-se. O Estado transformou-se em um fim em si mesmo e age acima de tudo para proteger-se e àqueles que ali obtêm as suas regalias, absorvendo parcelas crescentes da riqueza gerada pela sociedade. Um processo perverso de extração de produtividade da iniciativa privada e das famílias para custear aumento de gastos públicos. Daqueles que gastam melhor para aqueles que são ineficientes. Por isso a sociedade recebe pouco pelos muitos impostos cobrados, aliás a pior relação entre todos os países, e serviços públicos de tão baixa qualidade.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acertadamente se manifestou no sentido de que não sobra hoje espaço para um ajuste fiscal a partir de aumento de impostos: “O ajuste depende de uma precisa e determinada redução de despesas, que preserve políticas sociais importantes e elimine todos os gastos desnecessários, redundantes e ineficientes”. Além do que, alerta o cientista político Bolívar Lamounier, o Brasil deve deixar de ser refém do corporativismo, dos grupos de interesse que se organizam para exigir ou se apropriar de recursos públicos.

O Brasil tem o péssimo hábito de protelar a adoção de medidas corretivas, seja pela resistência daqueles que defendem privilégios, seja pela esperança de que a viúva venha pagar a conta. Uma conta que cresce muito com essa demora. Precisamos recuperar o senso de urgência e saber estabelecer prioridades.

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