Confira o artigo escrito pelo vereador de Joinville Rodrigo Coelho intitulado "200 anos Ottokar Doerffel"

 "Joinville, certamente, não teria uma história tão exitosa se não fosse a mente brilhante do visionário Ottokar Doerffel (1818-1906). O alemão que saiu da Saxônia em direção ao Brasil, chegou a bordo de um navio no porto de São Francisco do Sul em 20 de novembro de 1854. De fato, Ottokar transformou a Colônia Dona Francisca e ajudou a escrever a história da maior cidade do Estado de Santa Catarina, a nossa Joinville.

Enquanto residiu na Europa, Ottokar, jovem advogado, tornou-se funcionário da justiça e transitou por Tribunais da Saxônia até chegar a Glauchau em 1846, sendo eleito, aos 30 anos, Prefeito da cidade, em 1848. Quando aqui chegou, juntamente com sua esposa, Sra. Ida Gunther, Ottokar foi morar em uma casa simples na Mittelweg, o "Caminho do Meio", hoje Rua Quinze de Novembro. Seu ofício, inicialmente, era de colono (para garantir o sustento), porém não demorou muito para movimentar econômica e culturalmente a Colônia. Foi em abril de 1855 que ele participou da fundação da Sociedade de Cultura da Colônia Dona Francisca (Cultur-Verein zu Dona Francisca). 

Dentre seus louváveis feitos, destaca-se, em 1º de junho de 1857, o lançamento da Pedra Fundamental, do templo que mais tarde se transformaria na Igreja da Paz, no Centro de Joinville, inaugurada em 1864. Ottokar deixou para todos os moradores de Joinville um respeitável e inquestionável legado. No âmbito cultural, tem seu nome eternizado com a criação, em 31 de maio de 1858, de um dos mais charmosos e suntuosos ambientes da cidade, a Sociedade Teatral Harmonie, a nossa querida Sociedade Harmonia Lyra. O advogado foi o primeiro diretor teatral da sociedade, ocupando o cargo por 25 anos.

Seu nome está marcado também na área da comunicação. Ottokar contribuiu, significativamente, ao idealizar o primeiro jornal impresso, o Kolonie-Zeitung (Jornal da Colônia), fundado em 1862. Como político, também foi Prefeito de Joinville, já que, em 1873, foi o Vereador mais eleito da cidade e, por isso, assumiu o cargo de Presidente da Câmara Municipal, função que, na Colônia, assemelhava-se a de Prefeito. Depois, continuou no poder legislativo por mais um mandato, até 1881. 

Tinha consigo inúmeras habilidades, inclusive a de desenhar a planta da própria casa, que, a partir de década de 1970, abrigaria o Museu de Arte de Joinville (MAJ). O imóvel tem uma arquitetura única, imponente e repleta de ícones, um deles, o brasão com o símbolo da família Doerffel. Na varanda, há um “v” em forma de compasso, que, na Maçonaria, significa "possibilidades de conhecimento". Há também uma flor de acácia aplicada na fachada, que representa o mestre maçom, significando a imortalidade da alma e a pureza de caráter.  O casarão é a mais antiga edificação ainda existente na cidade.

Neste ano de 2018, a nossa eterna Colônia Dona Francisca celebra o aniversário de 200 anos de nascimento de Ottokar Doerffel, um imigrante que, em meio a tantos que aqui residiram, destacou-se e fez da sua história o nosso futuro".

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