A série Riqueza Rural traz histórias sobre a produção agropecuária do município e da região. Nas edições anteriores, publicamos os dados gerais das diversas culturas presentes em Jaraguá do Sul (10 de março) e, posteriormente, o sucesso da família Strenner na produção de aipim (17 de março). O mapeamento continua na próxima edição, com a produção de palmito. Durante a Semana Santa, o consumo de peixe aumenta e aquece o mercado na região. Neste período, os católicos preferem o pescado à carne vermelha, uma escolha também considerada mais saudável por especialistas em alimentação. Seja pela crença ou por motivos nutricionais, o fato é que o produto é cada vez mais indicado como parte da dieta. Jaraguá do Sul tem cerca de 600 produtores em mais de 300 hectares de lâmina d’água, com produção acima de 300 toneladas, conforme dados de 2016. Atualmente, a piscicultura está em expansão e os pesque-pagues aproveitam as paisagens naturais para incrementar o negócio. Na localidade de Ribeirão Grande do Norte, a vista convida a um passeio onde a natureza é o ingrediente principal. É lá que está o pesque-pague pertencente à família Marquesin, e que vem crescendo e atraindo um público cada vez maior. Foi a visão empreendedora de Marcio Dulisete Marquesin que o levou a investir numa área totalmente diferente da que vinha atuando. Em Jaraguá do Sul há 19 anos, foi motorista de ônibus antes de se aventurar na piscicultura.
Na propriedade no Ribeirão Grande do Norte, Marquesin oferece ao público opções de lazer e gastronomia | Foto Eduardo Montecino/OCP
A propriedade era de uma cunhada, cuja família aproveitava somente aos fins de semana. “Já estou há oito anos aqui. Antes, havia só a casa e o lugar estava abandonado. Eu pensei em montar o pesque-pague e deu certo”, conta. O acesso é feito por via asfaltada, o que facilita a chegada. Além disso, há hotéis-fazenda no entorno e turistas aproveitam para pescar e degustar os pratos do pesque-pague. “Muitos saem para fazer caminhadas pela região e vêm parar aqui”, revela. O empreendimento familiar conta com quatro funcionários fixos e colaboradores aos fins de semana. Com um casal de filhos, ele espera que ao menos o menino, hoje com 11 anos, se interesse pelo negócio futuramente. O proprietário conta que, apesar de trabalhar com um produto de grande demanda, procura sempre inovar e investir. “Eu não tinha experiência nesse ramo e quando vim para cá, comecei do zero. E a gente foi vendo o negócio progredir, foi aumentando a clientela e não parou de investir.”
Em meio à natureza, estrutura para degustar um saboroso bufê | Foto Eduardo Montecino/OCP
LAZER E GASTRONOMIA SÃO GRANDES ALIADAS  Se durante a semana o pesque-pague não tem tanto movimento, aos fins de semana a correria é grande para atender ao público, que aproveita a estrutura onde é possível pescar e degustar esse alimento cujo consumo só cresce no Brasil. Dados da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR) indicam que o brasileiro come aproximadamente 10 kg da proteína por ano. Mas há espaço para avançar ainda mais, já que a Organização Mundial da Saúde recomenda 20 kg/ano. “O pessoal, quando chega o fim de semana, quer sair do agito, quer um lugar mais sossegado. E o nosso ambiente aqui é bem familiar. Aos domingos, temos um controle na entrada do pesque-pague. Entram em torno de uns 160 a 200 carros. O movimento se concentra mais no fim de semana, porque fica distante para as pessoas virem almoçar e voltar ao trabalho em seguida”, diz o empreendedor DIFICULDADES E PONTOS POSITIVOS A ração é o principal insumo da produção aquícola e o produtor ressalta que os diversos aumentos no preço do produto levaram algumas pessoas a desistir do negócio. “Mas, quem insistiu, está tendo um lucro bom, porque a demanda é grande e a tendência, acho que é cada vez aumentar mais. A gente está investindo bastante”, comenta. Marquesin acredita que hoje as pessoas estão evitando um pouco a carne vermelha por questão de saúde. Ele salienta que embora esta seja uma região em que se consome muito o peixe do mar, a tilápia, que é o carro-chefe do peixe de água doce, apresenta produção em alta. Na propriedade, a tilápia é o peixe principal, mas também é possível encontrar carpa, bagre e catfish. Normalmente, a produção no pesque-pague é de 80 a 90 mil tilápias na safra. O produtor diz que também compra peixe de fora e pretende manter um controle maior sobre a demanda da Semana Santa, para ter uma base da quantidade necessária. “A procura já aumentou muito para a Semana Santa. O pessoal aproveita o fim de semana e já está se prevenindo, não deixa para o último dia. Quanto mais próximo da Páscoa, mais difícil é de comprar. É loucura em todo o lugar, para comprar um peixinho tu vai enfrentar fila”, lembra. Por enquanto, o peixe produzido é comercializado somente na propriedade, porque não há abatedouro. “Mas estou batalhando para isso. Já iniciamos um projeto e provavelmente esse ano ainda vamos conseguir (estruturar o abatedouro).” Ele explica que a produção da propriedade já está no limite, mas com a nova estrutura vai poder comprar mais matéria-prima. No local, existem 16 tanques entre os de pesca e os de engorda, esses últimos, com 13 mil tilápias cada um. Lá, é possível pescar para consumir ou praticar pesca esportiva – ideal para quem não quer comer o peixe, além de aproveitar a ampla estrutura do restaurante, onde as porções fazem muito sucesso.
No local é possível pescar para consumir ou praticar pesca esportiva | Foto Eduardo Montecino/OCP
SABER OUVIR O CLIENTE É DICA PARA PROSPERAR A mais recente ampliação do empreendimento passou pela construção da parte de churrasqueira e bufê. Todo o segundo domingo do mês é oferecido um almoço diferenciado aos clientes do pesque -pague. Além do cardápio tradicional, é possível degustar costela assada em fogo de chão e leitão à paraguaia. Foge um pouquinho do peixe, mas é um evento que começou pequeno e agora cresceu bastante. Na verdade, é uma coisa que eu sei fazer, então pensei que poderia agregar ao que já tinha. O domingo pede um churrasco”, aponta Marquesin, que é natural do Rio Grande do Sul. A princípio, o evento recebia cerca de 60 pessoas. Hoje, quem quer participar precisa fazer reserva. Nesse dia, é oferecido somente o bufê por quilo, para melhor atender aos clientes. Segundo o empreendedor, a ideia de montar um bufê surgiu da dificuldade de atender o grande público com agilidade. As porções acabavam demorando muito. Então, todo domingo eu tenho um bufê em que a base é peixe, mas tem outras carnes, porque ninguém gosta de esperar. Mas as porções precisam ser feitas na hora e, para atender 100 pessoas demora, mesmo com uma grande estrutura. Hoje eu tenho essa opção para o meu cliente. Se ele está com muita fome ou vai tomar uma cerveja, passa lá no bufê e já pega uma carne ou um peixinho e fica mais à vontade, revela. O local ainda tem um parquinho infantil, oferecendo opção de entretenimento às crianças. Marquesin ressalta que, conforme o tempo vai passando, vai adquirindo mais experiência e ampliando a visão do seu negócio com base, também, nas expectativas dos clientes. Tem que saber escutar, porque sempre tem alguém que dá uma sugestão para melhorar. Tu vai colhendo... o que é bom e é possível de implementar a gente dá um jeito de fazer, ressalta. O PEIXE NO BRASIL
De acordo com a Peixe BR, no Brasil, entre os peixes mais consumidos estão tilápia, salmão, camarão, polaka e cação. Mas o consumo pode variar com picos de vendas. A Semana Santa representa 30% do total de vendas do ano. Já o Natal chega a representar até 15%. Em 2018, a expectativa é de um crescimento que pode atingir 5%. O PEIXE NA MESA Graças à sua enorme concentração de nutrientes, vitaminas e proteínas, o peixe é considerado um dos alimentos mais saudáveis   que você pode encontrar na natureza. Ele é também uma das melhores fontes de ácidos graxos ômega-3, importantes para o funcionamento do corpo e do cérebro. A melhor forma de consumi-lo é assado ou cozido, mas o público em geral concorda que frito ele é ainda mais saboroso. Entretanto, quando preparado dessa forma, ele absorve grande quantidade de gordura saturada. LEIA MAIS: Família Strenner é referência no cultivo de aipim A riqueza escondida nos recantos bucólicos