Após cinco anos de espera e entraves burocráticos, as obras no edifício Jaraguá Tower foram retomadas no início desse mês. O empreendimento localizado no Centro faz parte das obras abandonadas pela Criciúma Construções na época em que a empresa decretou falência. A execução foi paralisada em 2011, um ano antes do prazo de entrega. Finalizar a estrutura agora ficará a cargo dos proprietários. As cerca de 70 pessoas que já haviam adquirido unidades do local – são 70 apartamentos e 39 salas comerciais – buscaram na justiça a posse do empreendimento, que foi concedida em dezembro de 2015. Conforme a presidente da Associação Jaraguá Tower, Márcia Alberton, primeiro será concluída a cobertura, que inclui telhado e instalação hidráulica da caixa d’água. Também foram retomadas as obras do subsolo, foi realizada a limpeza e a reativação da casa onde funcionava o escritório da construtora. Estas etapas devem ser concluídas em até 90 dias. Criciuma construções - em

Trabalho na cobertura segue por 90 dias até que seja decidido pela finalização ou venda do imóvel (Foto: Eduardo Montecino)

Paralelo às obras estão sendo finalizados os projetos  arquitetônico, elétrico, hidráulico e de paisagismo.  “Com os projetos concluídos vamos poder orçar o valor total do empreendimento, e esta fase também deve ser concluída em dezembro. Assim, em seguida vamos nos reunir individualmente com cada proprietário para apresentar o orçamento, avaliar a situação de cada um para em assembleia decidirmos pela venda ou continuidade da obra, que é a opção mais provável”, observa Márcia. A Construtora não entregou os projetos aos associados. Construções aguardam fim de processos para prosseguir O Ministério Público começou as investigações de irregularidade na administração da empresa há dois anos. Nesse período, a Criciúma Construções recebeu um pedido de recuperação judicial. A construtora quebrou há um ano e meio, deixando quase nove mil lesados em várias cidades de Santa Catarina e também do Rio Grande do Sul. Eram ao todo 94 empreendimentos. Em março deste ano, a empresa liberou 12 imóveis para que os próprios donos terminassem os trabalhos. Outras cinco construções foram abandonadas em Jaraguá do Sul: Residencial Vivendas, Vasel Residencial, Residencial Jardins de Monet, Paoletto e o Torres de Miró. Conforme o advogado responsável pelo caso do edifício Paoletto, Kesley de Moraes Silva, a estrutura ainda não está em posse dos compradores e aguarda decisão do desembargador Rubens Schulz, no Tribunal de Justiça de Santa Catarina. A expectativa é que o resultado saia neste mês. Em fevereiro, um processo já havia dado aos 33 proprietários o direito de seguir com as obras, porém, a construtora entrou com recurso judicial. No Vasel Residencial, a construtora também foi destituída em fevereiro desse ano. São 54 apartamentos e o valor orçado para término da obra é de aproximadamente R$ 6 milhões, de acordo com o advogado Klaus Franzner Sell. “O prédio possui hipoteca junto ao banco Bradesco e estamos em tratativa para negociarmos os valores. Nos próximos dias teremos resposta de alguns órgãos públicos sobre a documentação do empreendimento e iremos fazer a escolha da construtora responsável pelo andamento da obra”, explica. Após assinatura, o contrato de financiamento deve ser firmado. O objetivo é iniciar as obras em março do ano que vem. A 7ª Promotoria de Justiça da Comarca de Jaraguá do Sul, do Ministério Público (MP) informou que uma ação judicial está em trâmite contra a Construtora em nome de todos os prédios, a fim de concluir ou restituir os valores investidos. O Residencial Jardins de Monet foi o primeiro a concluir a colheita de provas processual. Os outros três empreendimentos, o Vivendas, Jardins de Monet e Torres de Miró, não instituíram associação de proprietários para dar andamento às obras.