Por Ana Paula Gonçalves | Foto: Eduardo Montecino O jornal mais antigo em circulação do Estado, que também carrega o selo de ser o diário regional mais lido de Santa Catarina, completa nesta quarta-feira (10) 98 anos de fundação. Prestes a marcar um século de história, "O Correio do Povo" continua sendo o porta-voz do Vale do Itapocu, publicando e debatendo também questões de relevância do Estado e do país, que influenciam na vida de todos. Em sua longa trajetória, o veículo deu notoriedade a profissionais de todas as áreas, auxiliou na resolução de diversos problemas, mostrou o que algumas pessoas queriam esconder, levantou discussões de suma importância para o desenvolvimento regional, revelou cada aspecto da comunidade, seus anseios e conquistas. São mais de oito mil edições impressas trazendo especialistas de várias áreas e muitos anônimos que ajudam a construir essa história, além dos acessos diários pela internet. Nesse período, muitas batalhas foram travadas, com o enfrentamento das principais mudanças no país e de sucessivas crises. No entanto, o OCP, ao mesmo tempo em que segue apostando no jornalismo como um serviço de utilidade pública e na capacidade da informação de transformar vidas, procurou se modernizar e aderir às novas tecnologias, investindo em um portal de notícias e ampliando seu conteúdo e a forma como ele é disponibilizado. Assim, quase centenário, o OCP segue fazendo da comunicação com credibilidade e responsabilidade um meio para atender leitores cada vez mais críticos e exigentes e fazendo a conexão entre passado e futuro. Segundo o proprietário do grupo, o empresário e economista Walter Janssen Neto, “um dos segredos do sucesso do OCP está na forte ligação com a comunidade e outro na capacidade de se adiantar aos novos tempos sem perder a essência”. Para o futuro, Janssen destaca uma integração ainda maior das redações do grupo, fato que será possibilitado com a inauguração de uma nova sede no começo do segundo semestre deste ano, e com um investimento cada vez mais forte na oferta de conteúdo exclusivo para celular, tablet, desktop e impresso. Sobre as mudanças e o poder de alcance do jornal, o diretor comercial Marcelo Janssen, destaca que, seja no impresso ou nas plataformas digitais, o OCP vai estar sempre onde as pessoas estão. “No ano passado, unificamos nossa plataforma digital junto aos portais Por Acaso e Aconteceu em Jaraguá do Sul. Com isso, o Grupo OCP passou a se comunicar diariamente com mais de 40 mil pessoas, alcançando 2,5 milhões de páginas visualizadas apenas no mês de março”, pontua.
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Folhear o jornal impresso no café da manhã faz parte da rotina de Rafael Koerich | Foto Eduardo Montecino
Marcelo Janssen ressalta que a forma com que as pessoas buscam informações passou por alterações significativas nos últimos anos. “E nós estamos saindo na frente, nos adaptando para as novas exigências do público, sobretudo no celular, onde usamos o conceito mobile first, pensando primeiro no impacto da notícia nos smartphones e depois no desktop e outras plataformas”, destaca. Em Santa Catarina, explica ele, 85% das residências têm acesso à internet e 80% das pessoas com mais de dez anos de idade já possuem telefone móvel. “Estamos surfando essa onda. A hora é agora”, declara. Entre as novidades que vêm por aí, o diretor comercial antecipa que o aplicativo para leitura da edição digital do jornal, que permitirá maior integração com o leitor, será lançado ainda neste mês de maio. Para junho, está previsto o OCP Imóveis, classificado regional de ofertas do setor. “Queremos fortalecer ainda mais a relação com o público, levando informação de qualidade e audiência com relevância”, enfatiza. Tecnologia a serviço da informação Desde a época em que o jornal tinha seu conteúdo montado letra a letra para impressão até o lançamento de um portal regional de notícias, muitos anos se passaram. Com as novas tecnologias, surgiu a necessidade de veicular conteúdo confiável com agilidade e credibilidade. Assim, o ocponline, site inaugurado em 2008, foi ampliado e conquistou a região em 2012, sendo alternativa para os leitores conectados diariamente pela internet. Afonso Piazera Neto, 63 anos, foi assinante do jornal impresso durante mais de 18 anos. Há oito meses, ele migrou para o online por acreditar que essa é uma tendência natural. “É mais fácil acessar o jornal pela internet, já que estamos conectados constantemente. Pela manhã, leio o meu jornal cedinho sem problema nenhum, podendo acessá-lo em qualquer lugar. Acompanho 'O Correio do Povo' por considerar um jornal que mostra muito bem a realidade de Jaraguá do Sul e região”, observa o assinante.
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Afonso migrou para a edição digital para ter acesso ao OCP em qualquer lugar | Foto Eduardo Montecino
Mas, quem acredita que o impresso deixou de ter importância no cotidiano das pessoas está enganado. As plataformas digitais ainda não são unanimidade na busca por informação e há quem prefira folhear tranquilamente sua edição impressa. Para Rafael Koerich, 34 anos, o jornal impresso traz sensações que devem ser mantidas. “É um prazer folhear o jornal antes do café da manhã e ficar a par das notícias. Tem coisas que se encaixam melhor na rotina, é como sentar com a família para almoçar, uma tradição e um prazer. Gosto do conteúdo do OCP, especialmente as matérias sobre bairros, a coluna da Patricia Moraes, a parte de segurança, tanto a impressa quanto os vídeos”, ressalta o assinante, que também costuma acessar o conteúdo digital. Crescimento com credibilidade Sobre a importância social dos impressos, especialmente numa época em que a propagação instantânea de notícias duvidosas toma conta das redes sociais, o diretor executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Ricardo Pedreira, destaca que a credibilidade de um jornal é construída com o tempo. “Quando os jornais eram apenas no papel impresso, essa credibilidade se traduzia numa renovação cotidiana de confiança dos leitores, no momento de se comprar o jornal na banca ou se receber a assinatura em casa. Era como um contrato, renovado a cada dia”, ressalta. Hoje, complementa, com a internet e as mídias digitais, esse contrato se renova hora a hora, minuto a minuto. “Por isso, os 98 anos comemorados pelo 'O Correio do Povo' são uma prova mais do que evidente da qualidade do jornalismo que pratica, do compromisso do jornal com sua cidade e sua região e  da identificação do jornal com seus leitores”, pondera. Ricardo Pedreira avalia que, na atualidade, com a profusão de informações que trafegam pelas redes sociais, o jornalismo de qualidade ganha mais importância ainda. “A internet e as mídias digitais são uma conquista maravilhosa, que permitiram um aumento estupendo da troca de informações, da comunicação entre as pessoas. Mas, ao mesmo tempo, é um terreno fértil para boatos, mentiras e informações distorcidas”, alerta. O diretor executivo da ANJ diz que, nesse cenário de conteúdos duvidosos, são essenciais as marcas jornalísticas de credibilidade. “Que 'O Correio do Povo' prossiga, informando com qualidade e equilíbrio, o que tem lhe proporcionado vida longa e reconhecimento dos seus leitores”, deseja. Para a chefe de redação do OCP, Patricia Moraes, a forma de levar a informação à comunidade pode ser transformada, o que não muda é a força do bom jornalismo. “Jornalista, independentemente da função que ocupa na redação, tem que ser repórter. Nosso poder está em farejar e contar boas histórias, em fuçar e descobrir dados e relatos com importância social e econômicos. Repórter é aquele ser desconfiado, que sonha em ajudar a melhorar o mundo, que trabalha duro para conseguir ter a informação não só em primeira mão, mas também mais completa. Um dos diferenciais do OCP, para mim o maior deles, é apostar durante esse tempo todo no bom e velho jornalismo, na reportagem”, ressalta Patricia, para quem a cobertura da enchente de 2008, a CEI da Schützenfest, de 2010, as eleições municipais e a transmissão ao vivo pelo Facebook dos jogos do Jaraguá Futsal fazem parte das notícias mais marcantes neste percurso.