Equipes da Defesa Civil de Jaraguá e do Estado sobrevoaram a região na tarde de ontem, com apoio do helicóptero da Polícia Militar - Foto: Divulgação
Equipes da Defesa Civil de Jaraguá e do Estado sobrevoaram a região na tarde de ontem, com apoio do helicóptero da Polícia Militar - Foto: Divulgação
Novos tremores de terra foram registrados na região do Garibaldi no final da manhã de ontem, pouco depois da visita técnica realizada pela Defesa Civil do município e do Estado ao local. Os abalos foram sentidos entre 11h50 e 12h05, novamente nas localidades de Jaraguazinho, Alto São Pedro e parte dos bairros Rio da Luz e Rio Cerro. O Centro Nacional de Monitoramento Sismológico, de Brasília, confirmou um tremor de 2.3 na escala Richter no último domingo, quando os abalos foram sentidos pela primeira vez. Segundo o coordenador da Defesa Civil de Jaraguá do Sul, Leocádio Neves e Silva, novos episódios não estão descartados, mas não há motivo para preocupação.
Durante a visita técnica realizada ontem, a Defesa Civil constatou que o fenômeno registrado no último domingo aconteceu por volta das 15h, e não das 17h, como se pensava. Com isso, foi solicitado um novo relatório ao Centro Nacional, que confirmou um tremor de 2.3, que segundo a escala Richter é considerado “muito pequeno”. O episódio poderia trazer danos a partir de 4.0 a 5.0, quando a magnitude é considerada “ligeira” a “moderada”.
“A fonte do tremor foi o morro que divide os acessos do alto São Pedro e do Jaraguazinho, que leva a Rio dos Cedros. Não se sabe ainda a causa ao certo, mas é muito possível que seja a acomodação do solo”, destaca o secretário. O evento foi sentido dentro de um raio de cinco quilômetros. Conforme Silva, a análise inicial é de que a acomodação de terra tenha acontecido em um ponto profundo, uma vez que não foi registrada nenhuma alteração na superfície do morro. A equipe sobrevoou o local na tarde de ontem. “Passamos por todas as localidades e não houve nenhum tipo de mudança. Agora queremos estudar a ocorrência de terça, que pode ter sido mais um efeito da possível acomodação”, avalia.
De acordo ainda com o secretário, a possibilidade de um terremoto é nula, uma vez que o município está localizado no centro da placa tectônica Atlântica Sul. “A área que estamos não é ativa para terremotos, pois eles só podem ser sentidos nas bordas da placa tectônica, que são no Chile e no meio do Oceano Atlântico”, explica. “Sempre existe acomodação, a maioria delas nem é percebida pelas pessoas. Mas mesmo que sejam percebidas, dificilmente elas terão uma magnitude que possa rachar uma casa ou afetar a estrutura de alguma construção”, continua Silva. Apesar do susto, tanto no domingo como no evento desta terça, não foram registrados prejuízos por conta dos tremores.
A princípio, a Defesa Civil acredita que o incidente não deva acarretar em nenhum risco para a população, mas não descarta a possibilidade de novos tremores. Em 2014, Jaraguá do Sul sofreu um abalo de intensidade superior ao do último domingo, quando o bairro Amizade sentiu tremores de 3.5 na escala Richter.
Elfi dos Santos sentiu a terra tremer tanto no domingo como nesta terça

Elfi dos Santos sentiu a terra tremer tanto no domingo como nesta terça - Foto: Rafael Verch/OCP Online

Novos abalos são mais intensos
Segundo o secretário Leocádio Neves e Silva, os abalos registrados ontem de manhã teriam sido mais intensos. “Em conversa com moradores, todos disseram que, diferente de domingo, ontem todos ouviram um forte estrondo, algo parecido com um trovão, antes da sequência de novos tremores”, disse.
A aposentada Elfi dos Santos, de 61 anos, mora na localidade Jaraguazinho desde criança e disse que nunca escutou um barulho semelhante ao registrado ontem de manhã. “No domingo também escutamos esse barulho, como de uma explosão, mas dessa vez mais pessoas ouviram e sentiram a terra tremer. Teve gente que contou que chegou a ver os fios de luz e as janelas das casas tremerem. A gente fica preocupado, estamos esperando para ver se descobrem alguma coisa”, relata a moradora. O coordenador regional da Defesa Civil do Estado, Antônio Edival Pereira, esteve no local e afirmou que já foi solicitado um novo laudo sobre o episódio à Brasília.
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