Antônio Marcos de Souza é presidente da Rede Nacional Saúde do Homem | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Antônio Marcos de Souza é presidente da Rede Nacional Saúde do Homem | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Uma doença que evolui silenciosamente agregada à falta de cuidados com a saúde por parte dos homens. Esse é o câncer de próstata, que deve registrar 68.220 mil novos casos neste ano no Brasil segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Os números crescem e confirmam a imagem de que o público masculino não tem muitos hábitos de prevenção.

A campanha Novembro Azul surge neste mês com esse intuito: lembrar os homens de irem ao médico e manterem os exames em dia durante o ano todo.

"Prevenir só traz resultados positivos, e falamos sobre todas as doenças, não só do câncer de próstata. O homem precisa se informar e deixar de lado o preconceito que tem com fazer exames e cuidar da saúde", enfatiza o presidente da Rede Nacional Saúde do Homem, Antônio Marcos de Souza.

Conforme o fundador da entidade, a mobilização neste ano será focada em palestras nas empresas de Jaraguá do Sul e região justamente para incentivar a prevenção do público masculino. "As mulheres já têm essa consciência, os homens não. Essa é uma realidade que precisamos enfrentar", aponta Souza.

A Rede Nacional Saúde do Homem, de acordo com o presidente, deve passar a atuar de forma mais ampla, fazendo convênios com clínicas de atendimento psicológico e médicos que se prontifiquem a atender gratuitamente na entidade. Outra parceria deve ser com as instituições públicas e privadas para conscientizar sobre o tema.

Em 2016, segundo dados da Secretaria de Saúde, Jaraguá do Sul registrou 43 internações no Sistema Único de Saúde (SUS) por câncer de próstata.

Urologistas tentam quebrar mitos

Novembro começou e os urologistas Raphael Lahr e Lucas Sfier Galdino já estão fazendo palestras em empresas jaraguaenses sobre o câncer de próstata. "É um tema muito importante. O homem em geral não procura ajuda e não vai ao médico. Por isso temos que aproveitar essa época para divulgar", pontua Lahr.

O câncer de próstata é o segundo que mais atinge os homens, atrás apenas do de pele, conforme dados do Inca. Galdino explica que a doença não apresenta sintomas na fase inicial, apenas quando já está em estágio avançado.

De acordo com o urologista, os homens com histórico de câncer de próstata na família devem fazer o exame de toque e de sangue (PSA) a partir dos 45 anos. "Estes, segundo estudos, têm cinco vezes mais chances de desenvolver a doença", comenta.

Os demais devem fazer os exames preventivos após os 50 anos. Lahr garante que são procedimentos simples e complementares. "Os homens têm um grande medo do exame de toque. Ele é um pouco desconfortável, mas nada absurdo e bem rápido. Fazer somente o de sangue não dá um diagnóstico correto", garante o urologista.

A procura pelos exames no Novembro Azul aumenta consideravelmente, conforme os profissionais. E um dos instrumentos fundamentais para essa demanda são as mulheres. "Os homens na maioria das vezes vêm acompanhados de mulheres, da esposa, da filha. São elas que estão atentas", observa Lahr.

Os profissionais comentam que na microrregião a resistência para fazer os exames de próstata é grande, mas vem diminuindo ao longo dos anos.

Uma alimentação rica em gorduras e açúcares, ser sedentário e ter o hábito de fumar são fatores que aumentam o risco do homem ter câncer de próstata.

Maiores as chances de cura

Como o câncer de próstata evolui lentamente, a orientação é que os exames aconteçam todos os anos. Quando detectado precocemente, o paciente tem até 90% de chances de cura.

Conforme Lahr, o tratamento vai depender principalmente do estágio da doença. Quando mais atípico o tecido do reto estiver, mais grave o câncer está.

"O tipo de tratamento vai depender de cada caso. A nossa primeira indicação é ser operado. Se o paciente não tem condição clínica para isso ou se nega a fazer, existe a possibilidade da radioterapia", avalia.

Em casos que a doença já se alastrou, as chances de tratamentos são reduzidas e voltadas para estagnar a metástase do câncer e aumentar a sobrevida da pessoa. Também há a opção de fazer a hormonoterapia, que bloqueia a testosterona.

"Como efeitos colaterais, o homem pode perder a líbido, potência sexual e o ânimo de fazer as coisas. São fatos que afetam profundamente a qualidade de vida", afirma Lahr.

O câncer de próstata em estágio inicial geralmente não provoca sintomas, mas em estágio avançado pode causar alguns, como:

  • Micção frequente;
  • Fluxo urinário fraco ou interrompido;
  • Vontade de urinar frequentemente à noite;
  • Dor no quadril, costas, coxas, ombros ou outros ossos se a doença se disseminou;
  • Fraqueza ou dormência nas pernas ou pés.

 

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