Desde julho de 2017, Jaraguá do Sul conta com um hospital transplantador: o São José. As primeiras cirurgias ocorreram em agosto e outubro daquele ano. Agora, com o credenciamento completando quase dois anos, a unidade já realizou sete transplantes, sendo todos de fígado.

Também habilitado para procedimentos com rim, futuramente o hospital pretende buscar a autorização para o transplante de pâncreas.

Dos sete pacientes transplantados, apenas dois eram de Jaraguá. Os outros foram encaminhados de cidades próximas como Joinville, Massaranduba, Canoinhas e Itaiópolis. Para captar os órgãos, a equipe do São José também teve que percorrer alguns quilômetros entre as regiões Norte, Sul e Litoral de Santa Catarina. As viagens ocorreram por terra e até céu, com um helicóptero.

A equipe de transplantes da unidade conta com cerca de 20 pessoas, entre médicos, enfermeiros, psicóloga, nutricionista, assistente social, intensivista e nefrologistas.

Um dos médicos transplantadores, Nestor Saucedo Junior, destaca que a unidade está habilitada para receber pacientes e órgãos de todo o país, mas na fila de transplantes são prioridade os casos dentro do mesmo estado.

"Quando há confirmação de morte encefálica em um hospital e a família autoriza a doação, os dados são enviados para a Central de Transplantes. Se há compatibilidade com algum paciente meu, sou avisado e posso verificar as informações do doador. Caso esteja tudo certo, buscamos o órgão", explica o médico.

Do outro lado, o da espera pela doação, os exames também precisam ser feitos regularmente. Segundo a coordenadora do serviço de transplantes, Lisandra Raquel Albrecht, os pacientes que entraram na fila precisam atualizar os exames a cada sete dias.

"Quando há indicação de cirurgia, geralmente é pela piora do órgão, quando a função do fígado já está falhando, por exemplo", observa Saucedo Junior. A lista de espera é organizada pelo Sistema de Regulação do SUS, sendo que o principal critério é o nível de gravidade do caso.

Conforme o médico, a fila para transplante de fígado é por tipo sanguíneo.

Rejeição do órgão é rara

Antigamente, ao se falar em rejeição de transplantes, as pessoas já pensavam em óbito ou perda do órgão novo. Esta questão, segundo Saucedo Junior, foi solucionada com o avanço dos medicamentos imunossupressores, que agem na adaptação do corpo ao órgão implantado.

"Nos transplantes que fizemos, ocorreram rejeições, mas todas foram resolvidas com a medicação", comenta o médico.

Nos primeiros três meses após a cirurgia, os pacientes precisam comparecer ao hospital toda semana. É neste período que a equipe faz a adequação da dosagem dos remédios. Depois, as visitas passam a ser quinzenais, mensais e, por último, anuais.

"A pessoa vai ter que tomar o medicamento para sempre, mas ao longo do tempo diminuímos a quantia", esclarece. Os remédios são fornecidos pelo SUS.

E como novas tecnologias surgem a todo momento na medicina, o médico revela que o próximo investimento do hospital deve ser um monitor cardíaco touchscreen. Entre as suas funções, ele mostra a pressão e os batimentos cardíacos do paciente durante a cirurgia, apontando se o coração precisa de mais soro ou medicação para estabilizar.

Lisandra completa que neste ano, o hospital vai trabalhar na divulgação do serviço de transplantes. "Queremos levar para todo o estado a informação, é importante para nós que as pessoas saibam que aqui também é possível fazer esse procedimento", avalia.

Cuidados pós-operatórios

Em uma ida ao médico para tirar um cisto no olho, Edson Luis Cornelsen, 37 anos, descobriu que estava com cirrose e, pelo estágio avançado da doença, precisaria de um transplante de fígado. A consulta foi em outubro do ano passado. Menos de quatro meses depois, o torneiro mecânico de Canoinhas já estava recebendo o novo órgão.

A cirurgia foi em fevereiro. Agora, Cornelsen está no período de recuperação e precisa visitar o hospital São José quase toda semana. "Quando recebi a notícia fiquei assustado, mas agora estou bem, só sinto dor no corte da cirurgia ao mexer ou sentar", conta o canoinhense.

Quem está ajudando Cornelsen a seguir à risca as orientações médicas é a esposa Rosélis Carvalho, que não tira a pequena bolsa de medicamentos das mãos.

"Foi difícil aceitar que ele ia precisar de transplante, achei que fosse demorar ou que não conseguiria, mas deu tudo certo", diz Rosélis.

Cornelsen será liberado no dia 20 de dezembro para voltar a trabalhar e garante que no dia 21, já quer estar na ativa novamente.

Entre os cuidados pós-operatórios que ele precisa seguir, está o de comer apenas alimentos cozidos e fervidos nesta fase. "Tentei comer maçã e pera cozida, mas não é muito bom, fica sem gosto", brinca.

Os pacientes transplantados também não podem ficar em ambientes fechados com muitas pessoas e ter contato com animais nos primeiros três meses.

 

 

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