Em Jaraguá do Sul, na Atenção Primária à Saúde, entre janeiro e a primeira quinzena de maio de 2019, mais de 3,8 mil pacientes faltaram nas consultas odontológicas, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. Desse total, 2.617 são de pacientes adultos e 1.268 de pacientes infantis.

Conforme a Secretaria, essa alta taxa de absenteísmo repercute em todos os envolvidos: gestão, cirurgião-dentista e paciente. Segundo a diretora de Saúde, Sílvia Bonato Curty, para a gestão, tem um custo financeiro, pois a hora de trabalho do profissional odontológico é paga com ou sem o comparecimento do paciente. Para o cirurgião-dentista as faltas geram redução da produtividade e para o paciente acarreta atraso no diagnóstico e tratamento adequado.

Mas o secretário de Saúde, Alceu Gilmar Moretti, acredita que, com a mudança no modelo de atendimento do Ministério da Saúde, que valoriza a demanda espontânea, a taxa de absenteísmo tende a diminuir, isso porque a Odontologia das Unidades de Saúde trabalhará sem fila de espera e a maioria das vagas dos cirurgiões-dentistas serão ofertadas para o mesmo dia, melhorando o acesso no momento da real necessidade do paciente.

“Isso é importante, porque faltas geram desperdício de recursos públicos e a redução da produtividade”, afirma Moretti.

De acordo com a supervisora técnica de Saúde Bucal, Cíntia Silveira Gargioni, a taxa de absenteísmo no Centro de Especialidades Odontológicas no ano de 2017 foi de 6,81%.

Em 2018, o número de pessoas que faltaram a consulta odontológica aumentou para 9,84%, representando 1.382 vagas de atendimento perdidas.

Com o objetivo de determinar o motivo do absenteísmo no CEO, no mês de novembro de 2018 foi conduzida uma pesquisa por telefone, com o objetivo de avaliar o motivo das faltas às consultas especializadas.

Foi constatado que 42% dos pacientes que faltaram às consultas no mês de novembro de 2018 relataram que confundiram a data agendada ou esqueceram da consulta; 25% estavam doentes e não puderam comparecer; 8,33% desistiram do tratamento por medo; 8,33% precisaram viajar com urgência; 5,56% tiveram dificuldade de deslocamento e 10,78% dos pacientes faltaram por motivos variados.

O atendimento não realizado é uma oportunidade perdida de prestar assistência a outro paciente e contribui para aumentar as filas de espera para procedimentos.

Interessante observar que mesmo quando existe a busca ativa do paciente na fila de espera, ou seja, quando ocorre a procura de pacientes sintomáticos (com dor) aguardando em lista de espera para consulta odontológica na Unidade de Saúde, durante a pandemia nos meses de outubro de 2020 a fevereiro de 2021, ainda nota-se alta taxa de absenteísmo.

Do total de pacientes que atenderam a ligação do cirurgião-dentista e relataram a presença de situação de urgência e foram imediatamente agendados para consulta presencial na unidade de saúde, 9,8% faltaram a consulta agendada.

O setor de Odontologia de Jaraguá do Sul já atende sob essa nova forma de organização, ou seja, pela demanda espontânea, sendo que a quantidade de vagas ofertadas segue a capacidade máxima operativa do serviço, conforme determinado pelo Governo do Estado, considerando a Matriz de Risco de SC, em virtude da pandemia pelo novo Coronavírus.