Por Ana Paula Gonçalves Em parceria com o projeto Por Uma Educação Sensível, o jornal O Correio do Povo lança a nova proposta do OCP Kids que, agora, passa a ser OCP Infância. Nesta nova formatação, a publicação conta com uma equipe multidisciplinar, composta por especialistas de diversas áreas da educação, sob a coordenação da pedagoga e bióloga Helena Almeida. Com formação totalmente voltada para a educação, ela destaca que vem atuando pela temática da infância muito além dos muros da escola. “Minha pesquisa no mestrado é justamente essa, encontrar linhas de fuga, alternativas ao senso comum, ao que se pensa sobre infância. Gosto muito de uma frase que acompanha o projeto Por Uma Educação Sensível, que fala em caminhar para jeitos desacostumados de se pensar a infância”, explica. Ela destaca que o projeto trabalha uma série de questionamentos em relação ao que está posto. “É no sentido de transgredir alguns discursos prontos, algumas coisas pré-estabelecidas. A infância tem sido abreviada com esse discurso de ‘adultizar’ as crianças, com essa rotina programada e fechada, onde não há mais tempo para brincar, o brincar livre, da imaginação”, ressalta, acrescentando que se o brincar não é livre, não é brincar. Segundo a coordenadora, as publicações serão direcionadas à educação como um todo, abrangendo escolas, famílias e, claro, o público infantil. “Reunimos aqui, nessa primeira edição do OCP infância, uma equipe-multidisciplinar-crianceira; sujeitos que “por uma educação sensível” pesquisam “jeitos desacostumados” de se pensar a infância. Somos uma ciranda de pessoas que além de amigas, se unem pelo ideal de chegar a um tipo de “criançamento das palavras” e escrevem um jornal totalmente voltado à infância livre, plena, brincante, potente, autoral e produtora de cultura”, destaca Helena, em seu primeiro editorial. Na defesa de mais brincadeiras para uma infância com potência  Nessa nova visão para a educação infantil, o brincar é uma atividade de imaginação, de exploração, de faz de conta. “Nós nos manifestamos, também, pelo brincar na escola. Porque a escola há anos vem nesse dilema de que brincar e aprender são coisas antagônicas, ou você brinca ou você aprende. Isso é muito sério, porque as crianças já têm essa rotina pesada, os pais trabalham, elas ficam mais de oito horas por dia dentro de uma escola, com toda uma programação de horário e em casa acabam repetindo esse roteiro”, aponta. O resultado, destaca, é que a criança permanece muito tempo contida e, quando extravasa, é taxada de hiperativa. “O que buscamos é um novo olhar. É despertar essa visão de que a infância não é só uma etapa cronológica da nossa vida, mas, uma potência. As crianças se entregam com o corpo, com a dança, com a imaginação e isso, com o passar do tempo, vai sendo tolhido, disciplinado. Não há tempo para ser criança quando os pais estão preocupados somente com o futuro”, ressalta. Helena observa que hoje, mesmo com todo esse ‘bombardeio’ (excesso de atividades programadas), a criança ainda encontra, pela sua potência, jeitos de brincar. “Mas, apesar disso, precisamos perceber que o tempo da criança não é o tempo do relógio, ela vive num tempo de experiência, num tempo de deleite, de desenvolvimento, e não esse tempo do ‘agora é hora da dança, agora é hora da natação, agora é hora de dormir, agora é hora de acordar...’ Deve haver uma rotina, mas colocando-se a infância em primeiro lugar”, complementa. Para a especialista, o erro pode estar em tentar estabelecer sequências de aprendizagem, etapas de desenvolvimento, em se ‘medicalizar’ a infância e em tentar trazer tudo para dentro de uma normatividade, de algo prescrito, que deve ser assim. “A criança precisa protagonizar dentro e fora da escola, com mais autonomia, com mais liberdade de ação e de pensamento”, afirma. Para Nelson Pereira, que dirige o projeto OCP Infância, a nova proposta visa à publicação de uma conteúdo mais abrangente, que atinja a educação infantil em sua totalidade. “O OCP Infância consiste em uma substancial transformação e evolução do OCP Kids, fundamentado em nova e revolucionária proposta de Educação Infantil. O novo conceito de conteúdo é trabalhado por uma destacada equipe de profissionais da pedagogia, coordenada pela professora mestranda Helena Almeida, com o propósito de oferecer à escola, pais e professores um instrumento crítico, esclarecedor e norteador da educação infantil. Nossa intenção, com o respectivo projeto, é ultrapassar as fronteiras do Vale do Itapocu, ampliando nossa contribuição com a educação”, afirma. O OCP Infância será distribuído uma vez ao mês gratuitamente, com tiragem de 25 mil exemplares para escolas de educação infantil e ensino fundamental da região e também encartado na edição impressa do jornal, além de estar disponibilizado na versão online do OCP. Cada edição apresentará uma temática. “Na primeira edição será a conexão criança/natureza, na segunda é esse autêntico brincar e assim sucessivamente. A ideia é que os pais e professores dessas crianças se interessem por esse material e dialoguem sobre ele, além de ser um espaço para as crianças se reconhecerem”, adianta Helena.