O caso da professora de Joinville diagnosticada com meningite no mês passado, e do lavador de carros que morreu neste fim de semana com a suspeita da doença, deixou a população em estado de alerta e preocupada com o possível avanço da doença na cidade. “Meningite é uma enfermidade grave que se não tratada de forma adequada pode levar o paciente à morte, ou deixar graves sequelas. Mas não há motivos para pânico, porque não existe surto da doença em Joinville”, garante o infectologista do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, Marcelo da Silva Mulazani. Quer receber as notícias do OCP News no WhatsApp? Clique aqui Ele cita que os boletins da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) até março, que é o mais atual, não retratam nenhum caso confirmado da doença na cidade. Mesmo assim, Mulazani recomenda alguns cuidados importantes que ajudam a prevenir a doença.
"Até março Dive/SC não tinha registrado nenhum caso confirmado de meningite, neste ano, em Joinville", Marcelo Mulazani
“Assim como a gripe, a meningite é transmitida por vírus e bactérias que ficam no ar. Por isso, além da prevenção com vacinas – que fazem parte do calendário de imunização do SUS (Sistema Único de Saúde) – é importante seguirmos a etiqueta contra gripe”, salienta o infectologista. Esta “etiqueta contra a gripe”, nada mais é do que os cuidados de higiene pessoal. “É importante lavar bem as mãos várias vezes ao dia. Abrir janelas de casa, escolas, ônibus e evitar lugares fechados. Utilizar álcool em gel para a higienização das mãos. E sempre, ao tossir ou espirrar, cobrir a boca com as mãos ou o antebraço. São medidas simples que fazem a diferença”, explica o médico infectologista do Hospital Regional de Joinville, Marcelo da Silva Mulazani.

Fique atento aos sintomas

Alguns casos de meningite, principalmente a bacteriana, podem ser bastante grave, e evoluírem rapidamente para um quadro clínico mais complexo. Por isso, o infectologista do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, Marcelo da Silva Mulazani, alerta que a população deve ficar atenta aos sintomas da doença e, em caso de suspeitas, procurar atendimento especializado imediatamente. “Os principais sintomas são dor de cabeça, febre alta, acima de 38 graus. Rigidez de nuca, isto é, dificuldade para encostar o queixo no peito. Náuseas, vômitos e crises convulsivas também são sintomas da meningite”, alerta Mulazani. O infectologista diz ainda que outro sintoma que pode se manifestar em pessoas que contraíram o vírus ou bactéria que causam a meningite é a fotofobia, que é o aumento da sensibilidade a luminosidade. “Em crianças, a percepção dos sintomas é um pouco mais sensível. Por isso, os pais devem ficar atentos a muita irritabilidade, um choro frequente e a rigidez na nuca. No caso das crianças menores, nos bebês, pode acontecer uma tensão na moleira, que fica mais abaulada. Este é um sinal importante de que é preciso buscar ajuda médica”, completa o profissional da saúde.

Uma doença quase esquecida

Se você é um pouco mais antigo e viveu as décadas de 1970 a 1990, certamente já ouviu bastante sobre a meningite. Mas de um tempo pra cá, a doença meio que ficou esquecida pelos brasileiros. O médico infectologista do Hospital Regional de Joinville, Marcelo da Silva Mulazani explica o motivo. “Entre o final da década de 1970 e início de 1980, o Brasil, principalmente a região Sudeste, enfrentou um grave surto de meningite. Isso causou uma popularidade maior nas informações sobre a doença. Com o passar dos anos, o combate à meningite ficou mais eficaz, o que fez com que a população se esquecesse da gravidade que é esta enfermidade. Mas, infelizmente, a doença nunca foi extinta. As bactérias e vírus que causa meningite estão no ar, por isso a importância da prevenção”, finaliza o infectologista.

Saiba mais: | O que é meningite?

Basicamente é a inflação da membrana que envolve o sistema nervoso, tanto no cérebro, quando na região lombar. Esta membrana, chamada de meninge, funciona como forma de defesa do organismo, do cérebro e da medula espinhal. Ela inflama quando há uma agressão no organismo que pode ser por um agente infeccioso, ou outras doenças.
Infografia | portal emagrecer.eco.br
A meningite pode ser causada por infecções bacterianas ou virais. Também há outros tipos que acontecem em uma população imunodeprimida, ocasionadas por fungos ou tuberculose. A meningite viral, é autolimitada e melhora com medicamentos para dor e febre, anti-inflamatórios em dois ou três dias. Já a bacteriana é mais severa e que pode levar a óbito. Leia mais: Rapaz de 21 anos morre com suspeita de meningite, em Joinville             Professora de Joinville está internada em estado grave com suspeita de meningite Dive reforça a importância da vacinação de adolescentes contra o HPV e a meningite