Dono de sucessos que marcaram gerações e de mais de 25 temas que embalaram novelas, Guilherme Arantes celebra os 40 anos de carreira e traz para a cidade, no sábado (17), o especial em comemoração, mostrando o motivo de tantos anos de glórias e de aclamação pela crítica. Em formato intimista, apenas acompanhado pelo piano e voz, ele mostrará ao público jaraguaense como surgiram suas canções e fará um passeio por sua trajetória, que teve um boom nos anos 1970 quando emplacou sucessos em novelas, trazendo no repertório músicas consagradas como “Meu mundo e nada mais”, “Cuide-se bem”, “Amanhã”, “Cheia de Charme” e “Coisas do Brasil”. Além, é claro, dos sucessos de seu último álbum “Condição Humana”, lançado em 2013. Em entrevista ao jornal O Correio do Povo, o cantor e compositor fez um balanço de sua carreira, revelou a composição que mais o marcou e falou sobre o novo cenário musical, se ainda há espaços para hitmackers como ele foi nos anos 1970. “Devo dizer que fui um privilegiado, como meus contemporâneos também. Não sei se o que o mercado de hoje quer é um hitmaker, ao menos naqueles moldes”, comenta. Quem ainda não garantiu os ingressos para o show, que começa às 21 horas, no Teatro da Scar, pode fazer isso na bilheteria do Centro Cultural ou então no ticketcenter.com.br. Os valores variam entre R$ 50 e R$ 140, de acordo com setor e com opção de meia-entrada. Mais informações pelo 3275-2477. ENTREVISTA OCP - Nesse show, você celebra os 40 anos de carreira. Qual o balanço que faz ao olhar para trás e ver o caminho que trilhou? Guilherme Arantes - Vejo que foi uma caminhada virtuosa, com muita luta, muitos altos e baixos, mas não posso me queixar: como compositor, consegui um repertório vasto e denso, com gravações dos maiores nomes do Brasil,  e me sinto realizado como interprete também. Como observa a nova geração da música e a indústria musical brasileira? Tem algo que sente falta, se comparar com gerações passadas? São cenas diferentes, de Brasis diferentes também. Sinto falta de um Chacrinha, por exemplo, que era um espaço muito privilegiado, eclético, fazendo crossover social. Isso faz muita falta. A música do chamado “mainstream”, ou seja, da grande mídia, ficou muito utilitária, voltada para espaços de baladas, o que fez se perder muito dos significados  que a música materializava, nas cada época é de um jeito. A atual reflete as mudanças de costumes, da sociedade: é uma sociedade bem mais dominada pelo utilitarismo, pela ausência de crítica embutida nas linguagens onde predomina o mero entretenimento, é isso que eu chamo de “utilitarismo”. Você começou nos anos 1970, portanto acompanhou as grandes mudanças do cenário musical. Como foi (e é) se adaptar a essas mudanças da indústria fonográfica?  Acho que tem sido uma era de muitas plataformas, do vinil para o CD, do CD para o DVD, para a rede, os videoclipes. Apesar de uma certa “perversidade” nessa coisa inexorável do tempo e de plataformas em camadas que soterram a memória, é uma época fascinante sob muitos aspectos. Um deles é a velocidade, a cada dia mais acelerada. Você acredita que o contexto musical atual possibilita o surgimento de um hitmaker como você foi nos anos 1980? Devo dizer que fui um privilegiado, como meus contemporâneos também. Não sei se o que o mercado de hoje quer um hitmaker, ao menos naqueles moldes. O que o mercado deseja mais hoje são os “entertainers”, o show business se tornou menos surpreendente, é mais confirmador de expectativas, e muito pouco focado em novas estéticas. O fato é que estamos numa era pouco “lançadora” de ideias, sempre lembrando que isso ocorre no “mainstream”, que é mais conservador. Mas as vanguardas também proliferam em vertiginoso ritmo, então não há uma “vanguarda abrangente”, mas sim uma miríade de pequenas vanguardas, em “cenas” mais restritas. Isso também é muito fascinante, faz parte de uma neo-barbárie. Discute-se muito a democracia, em todos os contextos (artístico, cultural, político, etc). Você acredita que vivemos um momento de democracia na música também? Claro que não. Há interesses “alienígenas” de negócios, enfronhados e embutidos naquilo que se denomina “preferência da maioria”, mais do que nunca, é tudo dirigido, muito menos espontâneo. Aos 60 anos, você lançou “Condição Humana”, seu 22º disco inédito de carreira. Qual a diferença entre o Guilherme Arantes que lançou esse álbum para o que havia lançado sete anos antes?  Este último foi mais ambicioso, com um discurso mais cortante. Entre tantos sucessos que compôs, tem alguma música que mais o marca - que você consideraria a mais importante? Se sim, qual e porque. Acho “Amanhã” um marco, que mais e mais se torna um standard. A apresentação mais intimista, apenas com você e o piano no palco, é um dos formatos que gosta para se sentir mais perto do seu público? Acho que sim, porque estou mais solto no palco, com toda a bagagem para compartilhar e um sentimento de gratidão, de “amarração” da trajetória. O que acha que suas músicas tem que se popularizam tão facilmente e atravessam as gerações? Já nem sei se sou tão popular assim, mas o que é mais importante hoje para mim é o “significado”, que faz a música ir bem mais longe do que sua “utilidade” em um determinado momento. Qual a sua relação com as suas músicas? É uma relação muito pessoal, muito auto-referente, de tudo que eu vivi..