Pico de 2015 se deve a chegada de testes rápidos que facilitaram diagnóstico, afirma gerente de vigilância epidemiológica | Foto Arquivo/OCP News
Pico de 2015 se deve a chegada de testes rápidos que facilitaram diagnóstico, afirma gerente de vigilância epidemiológica | Foto Arquivo/OCP News

Jaraguá do Sul tem registrado, nos últimos anos, queda no número de casos de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e Aids – doença causada pelo vírus, que danifica o sistema imunológico.

Na última década, entre 2008 e 2018, o município teve 497 casos notificados de Aids (quando o vírus já virou doença), com um pico em 2015, quando 80 casos foram registrados.

De acordo com a Secretaria de Saúde, que também se baseia pelos dados do Sinan, entre 2014 e 2018 foram notificados 273 casos de HIV, com um pico também em 2015: 83 casos.

O município vai na contramão do país que teve aumento no número de notificações de HIV, de acordo com a Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde.

Apesar disso, o Brasil registrou recuo nos casos de Aids em uma década, assim como Santa Catarina, que diminuiu em 20,5% a taxa de detecção da doença entre 2007 e 2017.

 

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O estado, porém, tem uma taxa de mortalidade maior que a média nacional, que é de 4,8 óbitos por 100 mil habitantes. Em Santa Catarina, é de 5,7. Em Jaraguá do Sul, nos últimos cinco anos foram registrados 38 óbitos, nove deles em 2018.

A gerente de saúde, Fabiane da Silva Ananias, afirma que o “boom” de casos em 2015 se deve à facilidade de diagnóstico que a secretaria passou a ter a partir daquele ano com a chegada dos testes rápidos a Jaraguá do Sul.

“Antes, fazíamos o diagnóstico no laboratório e a pedido do médico, com a chegada dos testes rápido, o aumento no número de diagnósticos foi consequência”, explica.

O alto número registrado em 2015 não se repetiu nos anos seguintes, ao contrário, houve queda tanto no número de registro de HIV quanto de Aids.

“Quando temos o diagnóstico temos uma visão mais ampla, com isso, atividades de prevenção são pensadas. Com o grande número de testagem e casos confirmados conseguimos encontrá-los e tratá-los com mais agilidade e, quando tratamos precocemente a carga de vírus fica zerada e quebramos a cadeia de transmissão”, analisa.

Sobre a mortalidade, a gerente é taxativa: precisamos melhorar cada vez mais o diagnóstico precoce. Para ela, o aumento na oferta de testes dá mais tempo e alternativas de tratamento, o que reduz a taxa de mortalidade.

“Com o tratamento adequado, a pessoa não vai ter Aids, portanto, quanto mais eu melhorar o meu diagnóstico e acesso ao tratamento, mais eu diminuo a curva de mortalidade”, explica.

Somente nesses dois primeiros meses do ano, conta a gerente, já foram distribuídos mais de 50 mil preservativos no município. Além disso, ela destaca que diversas ações estão sendo pensadas para campanhas de prevenção.

Educação sexual

Os jovens são os mais atingidos pelo vírus HIV em Jaraguá do Sul, afirma a gerente de vigilância epidemiológica Fabiane da Silva Ananias e, para ela, o principal motivo é a falta de informação.

“A maior parte dos pacientes daqui são muito jovens e não conversam sobre sexualidade nem com os pais, nem na escola. Assim, começam a ter vida sexual e não usam preservativos”, analisa.

Apesar de ter ações voltadas para esse público, a gerente ressalta a importância do acesso à informação de qualidade e responsável para um público ainda vulnerável e suscetível sem repertório sobre o assunto.

“Falta muita informação. Nós achamos que porque eles vivem conectados estão pesquisando sobre isso e não estão. Precisamos avançar, conversar sobre educação sexual. Não é porque conversamos sobre isso que incentivamos algo, é um tema que precisa ser falado, uma informação que precisa chegar, uma conscientização fundamental”, defende.

 

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