Enquanto a sociedade debate sobre a necessidade da Reforma da Previdência – e mudar as regras atuais é realmente preciso – notícia do jornal Gazeta do Povo relembrou que alguns privilégios também precisam ser alterados, extinguidos. Criada na década de 1950, a pensão para as filhas solteiras maiores de servidores é um dos problemas. Elas consomem anualmente cerca de R$ 3 bilhões dos cofres públicos. Os maiores benefícios, que superam os R$ 30 mil brutos, são pagos pelo Congresso Nacional – sim, sempre ele. Entre os servidores públicos da União são mais de 52 mil pensionistas nessa categoria. Após investigar as 51.826 pensões de filhas solteiras no Executivo, Legislativo e Judiciário, fazendo cruzamentos das informações com a RAIS, o cadastro do INSS e o CNPJ, o Tribunal de Contas da União mandou revisar os benefícios de 19.520 pensionistas que estariam em desacordo com a lei. O TCU apontou na Câmara dos Deputados 58 casos de filhas maiores solteiras que recebiam ou recebem outra renda em desacordo com a jurisprudência do tribunal. Após apurar os fatos, a Câmara constatou que duas pensionistas já haviam morrido, seis tiveram o benefício mantido porque não havia irregularidade e 50 tiveram a pensão cancelada, uma delas por decisão judicial em 2015. Mas com recursos, elas têm conseguido manter o privilégio. Para mudar de verdade, o Brasil precisa rever todas essas questões, não é possível que apenas uma parcela da população seja afetada por essa onda de mudanças – que vem em boa hora. Outro caso que é preciso rever com urgência é a aposentadoria dos governadores. Endividados e em crise financeira, os governos estaduais gastam pelo menos R$ 37 milhões por ano com o pagamento de pensões a ex-governadores e dependentes deles. Alguns dos beneficiados ficaram apenas alguns meses no poder, como é o caso de Leonel Pavan (PSDB). Enquanto isso, a reforma debatida no Congresso, prevê que serão necessários aos trabalhadores da iniciativa privada 49 anos de contribuição. São distorções como essa que precisam ter fim.