O Ministério Público Federal instaurou uma Notícia de Fato para apurar "possíveis condutas ilícitas" que teriam sido praticadas pelos empresários catarinenses Emílio Dalçoquio e Luciano Hang durante a greve dos caminhoneiros.

O despacho assinado pela subprocuradora-geral da República, Luiza Cristina Fonseca Frischeisen, na quarta-feira da semana passada, em Brasília, toma como base informações divulgadas pela imprensa.

Uma das matérias anexadas aos autos dá conta de que Emilio Dalçoquio, afastado da Transportes Dalçoquio desde 2015, teria autorizado os grevistas a atearem fogo nos caminhões da empresa da família, se preciso fosse. Já Luciano Hang, dono da varejista Havan, teria autorizado o uso do estacionamento de uma das lojas como ponto de apoio aos grevistas.

A Notícia de Fato solicita a apuração de "incitação ou propaganda pública de processos ilegais para alteração da ordem pública ou social e também incitação à animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis, previstos nos artigos 17 e 23 da Lei de Segurança Nacional". O documento, segundo o advogado de um dos empresários, deve ser encaminhado à Polícia Federal em Itajaí - onde residem.

A reportagem conversou com Emilio Dalçoquio por telefone. Ele disse que as explicações serão dadas diretamente ao MPF.

"Só tenho que dar satisfação ao Ministério Público, eu não devo nada e todas as explicações serão dadas (ao órgão federal)", disse o empresário.

O advogado do empresário, Denisio Dolasio Baixo, disse que está aguardando contato da Polícia Federal para tomar conhecimento dos fatos.

"O Emilio é uma pessoa pública, mas não tem mais nenhuma relação com a empresa. Entendemos que vivemos num estado democrático de direito e podemos manifestar nossa opinião. Agora, infelizmente, há algo distorcido nessas mensagens que levou a inclusão dele num possível movimento grevista", disse o advogado.

A reportagem fez contato com o empresário Luciano Hang para ouvir o seu contraponto, mas ele não atendeu às quatro ligações e não respondeu às mensagens de texto. Porém, Hang promoveu uma coletiva de imprensa para falar sobre o assunto. A manifestação foi transmitida ao vivo pelo Facebook.

"Um dos pilares da democracia é a liberdade de expressão, está na Constituição, eu tenho o direito de me expressar e não posso ser preso por isso. Se eu não me manifesto, ligam até para a minha secretária, nas minhas redes sociais me perguntam qual é a minha posição (sobre os assuntos)", disse o empresário no vídeo.

No link da transmissão, Hang escreveu que o objetivo da coletiva era "esclarecer a população sobre notícias falsas" que teriam "induzido a subprocuradoria federal ao erro", cujo teor teria feito o MPF "acreditar" que ele teria sido responsável por "incitar a greve dos caminhoneiros". Confira o vídeo aqui.

 

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