Faleceu nesta segunda-feira (31) o chargista do Jornal O Correio do Povo, Fernando César Bastos, aos 59 anos. Ele lutava contra um câncer, mas não resistiu à doença.

O velório será realizado na Capela Mortuária de Guaramirim, entre 9h 15h.

Fernando deixa enlutados esposa, um filho de 33 anos, uma filha de 11, amigos e parentes. Ele trabalhava como chargista do OCP há 13 anos.

A charge é um espaço de destaque do Jornal O Correio do Povo, o OCP, que completou 102 anos de fundação no dia 10 de maio. Ela sempre pode ser vista logo nas primeiras páginas do impresso.

Ao longo da história do OCP, as ilustrações sempre abordaram os assuntos mais relevantes da comunidade e isso acaba despertando a curiosidade dos leitores para saber quem é o responsável por criar estas artes tão perfeitas e criativas.

Em reportagem veiculada mês passado, o ilustrador e cartunista contou que já publicou aproximadamente 3.100 charges, além de infográficos e ilustrações para o jornal.

Foto: Divulgação

Fã de desenho desde os seis anos de idade, antes mesmo de entrar na escola, Fernando gostava de desenhar os lutadores de "Telecatch", programa que era exibido pela TV Excelsior, extinta na década de 1970.

O ilustrador ainda lembrava de alguns lutadores, como Ted Boy Marino, Tigre Paraguaio, Verdugo, a Múmia, entre outros.

"A parede de casa servia de suporte para os desenhos, e o material usado era carvão. Meus amigos adoravam, menos minha mãe, que tinha de ir atrás com pano e balde de água para limpar minhas obras", brincou Fernando.

Imagem do Telecath da década de 1970. Foto: Reprodução

Talento prematuro

Enquanto criança, os desenhos dos lutadores do "Telecatch" eram apenas algo que passava despercebido, até mesmo por ele. Fernando acredita que a sua inspiração para iniciar com as charges e tirinhas foi a famosa revista norte-americana Mad, que trazia humor satírico, fundada em 1952 e extinta em 2018.

O despertar do real talento apareceu no 1º ano do Científico (atual ensino médio), quando produziu uma história em quadrinhos (HQ) em que os protagonistas eram seu professor de matemática e um casal de alunos, que estavam flertando dentro da sala de aula.

Fernando aos 4 anos de idade. Foto: Divulgação

O professor notou o burburinho, se aproximou e recolheu a historinha. Momentos depois, enquanto estavam fazendo as atividades, Fernando percebeu que o professor lia a história em sua homenagem.

"Ele não parava de rir, e, no final, me deu os parabéns, dizendo que eu tinha muita criatividade", contou o chargista.

Carreira extensa

Fernando iniciou como desenhista de estampas na indústria Malwee, onde ficou entre 1980 e 1985. Migrou para a Marisol e trabalhou entre os anos 1986 e 1987. Por fim, na Dalcelis entre os anos 1989 e 1996.

A carreira de cartunista iniciou em 1996, quando começou a desenhar charges e tiras em quadrinho para o "Jornal Jaraguá News". Em 1997, fundou seu escritório de desenhos, onde fazia trabalhos para agências de publicidade e empresas de Jaraguá do Sul e região. Entre 2000 e 2006, fez charges para o AN Jaraguá, caderno do jornal A Notícia, em Jaraguá do Sul.

Foi em 2008, que Fernando ingressou no OCP com a função de ser o cartunista do jornal. Ele ainda lembrava de sua primeira charge publicada, no dia 31 de janeiro daquele ano.

Fernando também ministrou aulas de charges para crianças e adolescentes no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Santo Antônio, entre 2011 e 2012, contratado pela prefeitura de Jaraguá do Sul.

No Cras de Guaramirim, ministrou aulas de desenho e pintura em 2017 e 2018.

Muita gente não sabe, mas Fernando Bastos foi criador do mascote da Schützenfest (Festa do Tiro), o Wilfred, em 1998. Até hoje o mascote é responsável por alegrar a Festa mais popular e tradicional de Jaraguá do Sul e do estado.

Primeira versão do Wilfred, em 1998. Foto: Arquivo

Ao longo de sua carreira, Fernando também fez parte de diversas coletivas em artes plásticas e foi membro da Associação Jaraguaense de Artistas Plásticos (Ajap) por mais de uma década.

Rotina no OCP

Trabalhando no jornal por mais de uma década, Fernando produzia de casa. No início da tarde ele recebia da redação o texto da matéria a qual seria produzida a charge. Então, ele montava dois ou três esboços e enviava para os editores escolherem a melhor ideia.

“Aprovada a ideia, vem a parte da arte-final, onde pego o esboço, arrumo os traços, coloco as cores, os balões de falas e o título”, explicou Fernando.

Concluída esta etapa, ele enviava novamente a charge pronta para o diagramador. Depois de encaixada na página, vai para a gráfica e chega aos leitores na manhã do dia seguinte. Todos os desenhos eram feitos no computador, com uma caneta especial, numa mesa digitalizadora.