Em tempos de temor com o mosquito Aedes Aegypti, causador da dengue, chikungunya e zika vírus, a preocupação de que terrenos baldios tenham se transformado em depósito de entulhos, criadouro de insetos e atrativo para roedores e cobras surge entre moradores. Ontem, foi anunciado o primeiro foco do mosquito da dengue encontrado em Jaraguá do Sul neste ano. O registro foi no bairro Água Verde, em Jaraguá do Sul. A dona de casa Maria Cristina Pavin, 55 anos, moradora há oito anos no bairro Vila Nova, afirma que não consegue mais conviver com o terreno baldio ao lado da casa. “Todos esses matos, alguém jogou ali, aí cresce desse jeito. As pessoas roçam, mas não levam embora, aí não adianta. Caçamba, aqui nunca apareceu”, assegura. Ela garante que perdeu a conta das vezes que reclamou na Ouvidoria desde antes do Natal de 2015, e que nenhuma providência foi tomada: “Até agora, ninguém apareceu aqui. Ligo várias vezes para o 156, mas está sempre ocupado”. Segundo a moradora, desde que a área mudou de proprietário, há cerca de quatro anos, o local virou depósito de lixo e espaço de risco para a saúde pública, favorecendo a proliferação de ratos, baratas, caramujos africanos e cobras. O terreno tem sacos com vidros, capas de condicionadores de ar e móveis com água parada. “Tenho uma imunizadora que vem aqui [em casa] uma vez por mês”, complementa Maria. O aposentado Faustino Bortolini, 75, reforça: “Vejo sempre baratas voando, rato, caramujo africano entrando aqui no quintal. Se o proprietário não faz a limpeza, deveria ter uma multa pesada”, declara. O mecânico Everton Fernando Lunelli, 39, que reside na Rua João Sotter Corrêa, no bairro Amizade, é outro que se mostra indignado com o terreno em frente à casa. “O mato está avançando para o calçamento. Aqui na rua tem várias situações assim”, relata. A aposentada Clarice Borchardt, 48 anos, que reside na Rua Ilário Dencker, em Guaramirim, reclama do terreno localizado na esquina, com mato alto. Ela disse que ficou especialmente assustada na segunda-feira (11). “Tinha uma cobra lá em casa, deve ter vindo de lá”, acredita ela. Procurado pelo OCP, o proprietário do terreno disse que sempre providencia a limpeza do local periodicamente. Ele garante que pretendia ter mandado roçar antes do Natal, mas que não o fez porque “jogaram muito lixo lá”. Ele pede para que os vizinhos colaborem e parem de usar a área para rejeitos. Em Jaraguá do Sul, denúncias podem ser feitas na Ouvidoria, através do telefone 156, pelo 0800-642-0156, ou ainda pelo www.jaraguadosul.sc.gov.br, link “ouvidoria”, com atendimento na segunda, das 7h30 às 16h30; terça a quinta-feira, das 7h30 às 13h; e sextas, das 7h30 às 12h30. A Prefeitura de Guaramirim coloca à disposição o telefone 3373-0247. Nos dois municípios, a responsabilidade pela manutenção do terreno é do proprietário. Pessoas flagradas depositando resíduos nesses locais estão sujeitas a multas.