Da sacada do sexto andar a aposentada Nadir Ana Berlatto garante que consegue ver água parada durante dias na laje do prédio que foi abandonado há anos.

Segundo ela, desde que chegou em Jaraguá do Sul, há pouco mais de um ano, nunca houve qualquer movimentação de limpeza ou retomada das obras e a cada chuva, o acúmulo de água preocupa a moradora que vê na construção um perigo por possibilitar focos de dengue.

“Choveu, a água acumula e fica ali uma semana, dá pra ver lá da sacada e é motivo de preocupação pra todo mundo. Imagina aquela água dias ali parada. Nós moramos aqui e isso preocupa sim”, afirma.

Segundo a aposentada, foram realizadas inúmeras ligações para o setor responsável informando a situação e pedindo uma solução para o problema.

Ela avalia que o local é um potencial criadouro do mosquito e de focos de dengue. “Nós entramos em contato com a vigilância. Ontem até veio uma pessoa, olhou, mas disse que não pode fazer nada, não pode entrar porque é uma propriedade particular”, diz.

Segundo o supervisor em vigilância epidemiológica do município, Geovani Carvalho Lombardi, os dados atualizados nesta quarta-feira (27) apontam 25 focos espalhados por Jaraguá do Sul.

Local está abandonado e acumula lixo e água parada | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Destes, oito estão na Vila Baependi, cinco no Centro, três no Vieira, dois no Vila Nova, dois no Santo Antônio e os demais em outros bairros. Com relação a casos da doença, o município segue sem nenhum confirmado. Até o momento foram detectados apenas sete suspeitos.

A agente de endemias da Secretaria, Michelli Pinheiro, afirma que o programa de combate à dengue realmente recebeu duas ligações denunciando este caso e o agente foi até o local realizar a verificação na segunda-feira (25). Ela conta que o profissional confirmou visualmente a denúncia.

“Ele visualizou, de fora – porque é uma propriedade privada que não tinha ninguém para receber a orientação – alguns depósitos que estão acumulando água e pode sim servir de proliferação. A denúncia procede”, explica.

Em casos como esse, diz a agente, os casos são respondidos para a Ouvidoria que dá o devido encaminhamento ou para o setor de posturas ou de vigilância, que são setores fiscalizadores.  As denúncias, salienta ela, devem ser realizadas pela ouvidoria, pelo telefone 0800 642 0136.

Proliferação do mosquito preocupa

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC) divulgou que 32 municípios do estado apresentam alto risco para transmissão de dengue, zika e chikungunya, de acordo com o Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa). Na região, Balneário Camboriú, Camboriú e Itajaí estão na lista.

Os dados também revelam que outros 33 municípios apresentam médio risco - nessa lista está Joinville - e 10 apresentam baixo risco de transmissão das doenças transmitidas pelo mosquito.

Os dados revelam que 86,7% dos municípios infestados apresentam médio ou alto risco de transmissão das doenças.

“No mesmo período do ano passado essa condição era menor. Por isso, mais uma vez precisamos intensificar as ações de controle vetorial, especialmente nessas regiões”, explica João Fuck, gerente de Zoonoses da Dive.

Os municípios considerados infestados pelo mosquito devem realizar levantamento duas vezes ao ano. Atualmente, são 75 que realizaram o levantamento. Florianópolis e Navegantes são considerados infestados, mas não realizaram a atividade.

No período de 30 de dezembro de 2018 a 16 de março de 2019, foram identificados 9.469 focos do mosquito Aedes aegypti em 155 municípios.

Comparado ao mesmo período de 2018, quando foram identificados 5.709 focos em 123 municípios, houve um aumento de 65,9% no número de focos identificados.

 

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