No ano passado, o Hospital São José atendeu 268 casos de AVC (Acidente Vascular Cerebral) entre homens e mulheres da microrregião.

Até setembro deste ano, já foram 171 pacientes com o derrame. Os números são um alerta a mais neste período com a campanha de prevenção, incentivado pelo Dia Mundial do AVC, que ocorreu na segunda-feira (29).

O Ministério da Saúde aponta que a doença é o motivo mais comum de morte na população adulta do Brasil. Mas os problemas do AVC vão além do risco de óbito.

Segundo o neurologista Henrique Diegoli, ele também pode deixar sequelas sérias no paciente, como perda de força nos braços e nas pernas, na capacidade de fala e na visão.

"Fora que acaba impactando também na qualidade de vida da pessoa e na da família, que precisa se mobilizar para ajudar", explica Diegoli.

O neurologista atenta para a importância da prevenção e do tratamento rápido quando detectado os sinais do derrame, enfatizando que a população precisa estar conscientizada sobre os sintomas.

São eles: perder a força em um braço ou perna de repente, dificuldade para conseguir falar e entortar a boca subitamente. Existem sinais menos comuns, como uma tontura que começa sem motivos aparentes, vômitos e dores de cabeça.

"Caso sejam identificados esses sintomas, a pessoa deve vir ao Hospital São José imediatamente para receber o tratamento mais adequado. Temos um centro de tratamento do AVC que conta também com a reabilitação do paciente", aponta.

Centro de tratamento

A Unidade de Acidente Vascular Cerebral do hospital foi credenciada em 2014 no Ministério da Saúde para dar rapidez ao atendimento e diminuir as sequelas deixadas pelo derrame.

A unidade trabalha a reabilitação neurológica a partir da integração de conhecimentos de uma equipe multidisciplinar especializada, composta por médico neurologista, enfermeiro, nutricionista, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, farmacêutico, psicólogo, assistente social e  técnicos de enfermagem.

Neurologista Henrique Diegoli aposta na prevenção para evitar casos de AVC | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Neurologista Henrique Diegoli aposta na prevenção para evitar casos de AVC | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Dos casos da microrregião, o profissional avalia que a maioria consegue identificar rapidamente e ir ao hospital. "Quanto mais cedo, mais chances de reverter os sintomas e não deixar que o AVC se torne mais grave", observa Diegoli.

Em relação aos tratamentos, o neurologista comenta que existem diferentes frentes de trabalho.

Alguns, segundo Diegoli, vão tentar reverter imediatamente o caso, outros, vão tentar impedir que o AVC se agrave ainda mais e já começar as medidas de reabilitação precoce para que a pessoa volte a ter independência mais rápido e não tenha outras complicações clínicas.

Incidência é alta

O neurologista Henrique Diegoli também destaca que a incidência na região é maior que a nacional. Um dos motivos para isso seria o número da população idosa e os fatores de risco.

Para diminuir as chances de ter um AVC, as pessoas devem cuidar do colesterol, controlar o peso e a pressão arterial, não fumar e não usar drogas.

"O homem está sob maior risco porque na nossa cultura eles bebem mais, fumam mais e não controlam tão bem a pressão arterial. Por outro lado, as mulheres vivem mais tempo, o que aumenta as chances consequentemente. É necessário educar a população", diz o neurologista.

Diegoli comenta que com o controle correto da pressão arterial, seria possível reduzir em 50% a quantidade de casos de AVC no mundo. Outros cuidados importantes são com a alimentação, uso de sal no preparo dos alimentos e prática regular de atividades físicas.

Existem dois tipos de AVC. O isquêmico, quando ocorre o entupimento nas veias, e o hemorrágico, quando a veia estoura e o sangue se espalha pelo cérebro. Conforme Diegoli, 85% dos casos são isquêmicos e 15% hemorrágicos. "Os dois podem ser graves e levar ao óbito", salienta.

As causas do hemorrágico podem ser a pressão alta constante, situação que a veia não aguenta e estoura, ou devido ao quadro de aneurisma, onde a parede do vaso está mais fragilizada, ficando fácil de se romper e estourar.

Números da microrregião

Veja os dados do Hospital São José:

  • Até setembro de 2018: 171 casos;
  • Total de casos em 2017: 268 casos, sendo 136 homens e 132 mulheres.

A maior incidência está entre 71 anos a 80 anos.

Caminhada da prevenção

Neste sábado (3), ocorre uma caminhada em prol do Dia Mundial do AVC. O evento está marcado para 9h, com saída da Praça Ângelo Piazera. Os 150 primeiros participantes vão ganhar uma camiseta.

O ato faz pate de uma campanha nacional, que também vai contar com painéis interativos e explicativos no Jaraguá do Sul Park Shopping. Uma equipe do Hospital São José estará no local para prestar atendimento.

 

Quer receber as notícias no WhatsApp?