Sentada na maca, a pequena Maria Luiza Muniz Camargo, de três anos, seguia com os olhos todos os passos da enfermeira que manipulava o “zé gotinha”. “O que é isso?”, pergunta, ansiosa.

Depois, foi a vez da vacina contra o sarampo. Essa rendeu algumas lágrimas, mas a garotinha em seguida, saiu a passos firmes da sala do posto de saúde da Reinoldo Rau.

A mãe Évila Muniz Ferreira, de 27 anos, não perdeu tempo. Ontem (6), no primeiro dia da Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e o Sarampo, ela levou a filha mais velha à unidade de saúde.

Para ela, que carregava nos braços a pequena Aimee, irmã mais nova, de apenas um mês, é essencial que os pais estejam conscientes da necessidade de vacinar os filhos. “É para prevenção das doenças e é o que sempre dizem, prevenir é melhor do que remediar, então, é importante que todo mundo traga as crianças”, diz.

Jovem, Évila viveu em um país no qual os casos de sarampo passaram a ser raridade, graças, a boa cobertura vacinal. Embora soubesse da existência do sarampo, nunca conheceu ninguém que tivesse contraído a doença.

“Eu tenho receio que isso acabe se espalhando sim, tudo pode acontecer, ainda mais que as pessoas não estão vacinando”, afirma.

Em Jaraguá do Sul, 8.117 crianças devem ser vacinadas - entre um e menores de 5 anos. A campanha segue até o dia 31 de agosto, com o dia 18 – um sábado – como Dia D, quando as unidades de saúde estarão de portas abertas das 8h às 17h.

Para a supervisora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Ana Kneipp, é fundamental que os pais entendam a importância da vacinação e se conscientizem que as doenças não estão extintas, pelo contrário, podem voltar a ter grande incidência na população sem a proteção pelas vacinas.

Município abaixo do percentual

Com o objetivo de diminuir a possibilidade de retorno da pólio e do sarampo, preconiza-se a cobertura de 95% da população. Em 2017, segundo dados da secretaria, o município ficou com percentual abaixo do estipulado, com apenas 86,9% da população imunizada com a vacina Triviral.

“Já temos alguns estados com casos de sarampo confirmados e não queremos que isso aconteça em Santa Catarina. O sarampo tem transmissão muito rápida, mas é uma doença imunoprevenível, então com a vacinação é possível fechar as portas para ela”, ressalta Kneipp.

A meta do governo federal é de imunizar 11,2 milhões de crianças no país, atendendo a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde). Ana Kneipp ressalta que para evitar a reintrodução da doença, é necessário que os pais “façam a sua parte”.

“A única maneira é a vacinação e esperamos atingir os 95% para ter uma proteção adequada e, na realidade, as crianças acabam protegendo o meio em que vivem. Precisa ter uma conscientização dos pais mais novos, dessa geração, que acabaram não vivenciando essas doenças para que não tenhamos um recrudescimento delas. É tudo uma questão de conscientização”, reforça.

Unidades de saúde mobilizadas

Distribuídas nas unidades de saúde de Jaraguá do Sul na semana passada, as vacinas já estão disponíveis para o público-alvo da campanha, mas aqueles que não fazem parte do grupo também podem receber a vacina, caso necessário, conforme explica Ana Kneipp, supervisora de imunização da Secretaria Municipal de Saúde.

Ela afirma que para as pessoas fora da faixa etária alvo da campanha, depois de verificada a necessidade, a vacina é disponibilizada.

Ela explica ainda que neste ano, ao contrário do que acontecia em outras campanhas, as vacinas de pólio e sarampo serão disponibilizadas como dose de reforço, ou seja, mesmo as crianças que já tenham sido imunizadas, devem ser vacinadas.

De acordo com a supervisora, as vacinas estão disponíveis em 22 unidades de saúde do município, exceto das unidades do Vieiras, Águas Claras, Ana Paula e Três Rios do Norte que, conforme ela explica, não possuem sala de vacina.

São cerca de 60 profissionais trabalhando na campanha diariamente e, no dia D devem ser mobilizados cerca de 100 profissionais. Kneipp reforça que a população jaraguaense pode procurar qualquer uma das unidades, sem que a necessidade de se limitar às unidades dos seus bairros.

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