Até quarta-feira (19), 632 estudantes irão se certificar na Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJA) da Prefeitura de Florianópolis. Este ano, a modalidade de ensino contou com 1.635 matriculados. A EJA, direcionada para quem tem 15 anos de idade ou mais, está organizada em primeiro segmento, para a alfabetização, e em segundo segmento, que é para a conclusão do ensino fundamental.

Recentemente, dois núcleos da Educação de Jovens, Adultos e Idosos realizaram a cerimônia de certificação de 108 estudantes. Eles são originários das turmas do Monte Cristo (no CEDEP), da Ilha-Continente, do Estádio Orlando Scarpelli (em parceria com o Figueirense), da Biblioteca Barreiros Filho e da Escola Municipal Almirante Carvalhal, em Coqueiros.

Dona Solange da Silva, 71 anos, recebeu diploma de Diego Pacheco e diz que não vai parar de estudar | Foto PMF/Divulgação

Os núcleos da EJA Continente I e II fizeram a cerimônia em parceria com o Centro de Eventos Brand, no Estreito. A festividade teve a participação de cerca de 400 convidados.

Quem estava empolgada com a formatura era dona Solange da Silva. Aos 71 anos, alfabetizou-se. Moradora do Monte Cristo, diz que não vai parar de estudar. Já está matriculada para ingressar no segundo segmento da modalidade de ensino. “Estou muito feliz, quero seguir os meus estudos até onde tiver forças. Vontade não me falta”. Ela tem dois filhos e quatro netos.

Nesta terça-feira, dia 18 de dezembro, acontecerá a certificação de 50 estudantes da EJA Centro. Eles são das turmas da manhã e da tarde, com aulas na Escola Silveira de Souza e no Núcleo de Estudos da Terceira Idade (NETI-UFSC), além da turma da manhã da Associação de Surdos da Grande Florianópolis (AGSF). A solenidade ocorrerá, a partir das 19 horas, no Centro de Educação Continuada (CEC) da Secretaria de Educação.

Dona Sebastiana: uma criança em sala de aula

Com 82 anos, dona Sebastiana da Motta, estudante do NETI, está concluindo o primeiro segmento da EJA. Ela aprendeu a ler sozinha e começou a estudar com o objetivo de aprender a escrever. Na EJA, foi a primeira vez na vida em que sentou em um banco escolar. Ela diz que se sente uma criança a cada dia de aula. Deise Cord, professora de dona Sebastiana, conta que ela é uma estudante organizada, exigente e muito empolgada com a aprendizagem. “Ela começou o ano sem saber escrever e terminou produzindo textos”. Agora, prepara-se para o segundo segmento. Viúva, tem uma filha, duas netas e dois bisnetos.

Com 82 anos, dona Sebastiana da Motta (na foto, como Carlos Alberto) estudante do NETI, está concluindo o primeiro segmento da EJA | Foto PMF/Divulgação

Seu Loraci Antônio do Prado tem 64 anos e irá se formar no ensino fundamental. Também concluindo o segundo segmento estará dona Sônia Maria Veiga Flores, de 63 anos.

Na quarta-feira, dia 19, no Silveira de Souza, será a vez de 40 estudantes das turmas da noite do  Silveira de Souza e da AGSF receberem o canudo.

Atualmente, há 24 localidades que atendem a população na EJA. Mas, esse número pode aumentar, segundo o secretário de Educação de Florianópolis. “A determinação do prefeito Gean Loureiro é para abrirmos quantos espaços forem necessários para que as pessoas possam ter o primeiro contato com o mundo das letras ou que finalizem a educação fundamental”, salienta Maurício Fernandes Pereira.

Capital mais alfabetizada

Com o auxílio da EJA, a taxa de analfabetismo em Florianópolis, com pessoas com 15 anos ou mais, foi reduzida pela metade. Em 2016, 1,6% da população não sabia ler nem escrever. O índice diminuiu para 0,8% em 2017. Florianópolis é a capital do país com melhor performance.

O resultado foi divulgado em maio deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, por intermédio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

 

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