Cerca de uma centena de crianças foram raptadas por homens armados numa escola muçulmana no centro-norte da Nigéria neste domingo (30). Durante o ataque, uma pessoa morreu e outra ficou ferida.

Ainda não foi confirmado o número exato de crianças que foram raptadas mas cerca de 200 estavam na escola Salihu Tanko, no estado do Níger, no momento que o ataque aconteceu.

Muitas crianças conseguiram escapar, mas os sequestradores conseguiram levar mais de 100 estudantes. Deixaram apenas os que consideraram muito pequenos, conforme contou um dos funcionários da escola.

As autoridades locais anunciaram o rapto no Twitter, no domingo à noite, e disseram que o número de crianças raptadas ainda era incerto.

Os raptores "libertaram 11 crianças que eram demasiado pequenas para andar", disseram também as autoridades, considerando "infeliz" o ataque, assim como o aumento dos raptos para resgate no centro e norte do país.

O governador local, Sani Bello, apelou para as agências de segurança para que devolvessem as crianças o mais depressa possível.

Um porta-voz da polícia, Wasiu Abiodun, disse que os sequestradores chegaram em uma moto e começaram a disparar, matando um morador e ferindo outro, antes de raptarem as crianças.

Esse novo caso ocorreu no dia seguinte à libertação de 14 estudantes no estado de Kaduna, no norte da Nigéria, após 40 dias de detenção.

Cinco estudantes foram executados pelos raptores nos dias que se seguiram à ação, para pressionar as famílias e forçar o governo a pagar um resgate.

As famílias, citadas pela imprensa local, disseram ter pago um total de 180 milhões de nairas (357 mil euros) para recuperar os filhos.

Os bandos armados têm aterrorizado pessoas no centro-oeste e noroeste da Nigéria há meses, invadindo aldeias, roubando gado e raptando centenas de menores para resgate: 730 crianças e adolescentes foram raptados desde dezembro de 2020.

Os raptos têm ocupado manchetes internacionais e causado preocupação em nível mundial, particularmente desde o fim de fevereiro, quando 279 meninas, entre 12 e 16 anos, foram raptadas e libertadas cinco dias mais tarde no estado de Zamfara, no noroeste da Nigéria.

A série de casos começou em dezembro passado, com o rapto de 344 rapazes de um internato em Kankara, no norte do país. Eles foram libertados após uma semana de negociações.

O aumento dos raptos faz temer a subida das taxas de abandono escolar, particularmente entre as meninas, nessas regiões pobres e rurais, onde já é registrada a mais alta taxa de crianças que não frequentam a escola.

Em resposta, muitos estados nigerianos decidiram fechar temporariamente os internatos.

A Nigéria é atingida há décadas, com os criminosos visando homens ricos e influentes. Nos últimos anos, porém, os alvos passaram a ser também os mais pobres, com bandos armados praticando ataques nas principais estradas do país, onde raptam viajantes com regularidade.

No início de maio, centenas de pessoas bloquearam uma autoestrada nos arredores de Abuja, no centro, em protesto contra o forte aumento dos raptos por resgate na periferia da capital.

Muitos bandos criminosos fazem os ataques na floresta de Rugu, localizada nas fronteiras dos estados de Zamfara, Katsina, Kaduna e Níger.

Os atacantes são motivados sobretudo pelo dinheiro, ainda que alguns bandidos tenham manifestado serem fiéis a grupos jihadistas no nordeste da Nigéria, a centenas de quilômetros de distância.

O grupo radical islâmico Boko Haram foi quem inaugurou a prática do rapto massivo de estudantes. Em 14 de abril de 2014, levou 276 meninas do ensino secundário em Chibok, nordeste da Nigéria, provocando manifestações de indignação em todo o mundo.

Dias depois, o líder de Boko Haram, Abubakar Shekau (dado como morto na semana passada pela quinta vez, informação que não foi confirmada oficialmente) reivindicou a responsabilidade pelo rapto em um vídeo, dizendo que as meninas seriam tratadas como escravas, vendidas e casadas à força.

Em fevereiro de 2018, o Boko Haram voltou a raptar mais de 100 adolescentes em Dapchi, também no nordeste da Nigéria, mas desta vez foram todas devolvidas à rescola pelos raptores, exceto a única cristã do grupo, Leah Sharibu.

Desde dezembro de 2020, a sucessão de ataques semelhantes vem se acentuando e pelo menos 730 crianças e adolescentes foram levadas.

*Com informações da Agência Brasil