Maioria dos antidepressivos é ineficaz para crianças e adolescentes

Cotidiano

Por: OCP News Jaraguá do Sul

quarta-feira, 04:00 - 15/06/2016

OCP News Jaraguá do Sul
A maioria dos remédios antidepressivos é ineficaz em crianças e adolescentes que sofrem de depressão grave, podendo ser, eventualmente, até perigoso, aponta um amplo estudo publicado no periódico médico britânico The Lancet. Realizado por um grupo internacional de pesquisadores, o estudo reviu 34 testes em mais de 5.000 crianças e adolescentes, com idades entre 9 e 18 anos, envolvendo 14 antidepressivos. Apenas um desses medicamentos, a fluoxetina - comercializada principalmente como Prozac -, mostrou-se mais eficaz do que um placebo para tratar dos sintomas de uma depressão. A fluoxetina também é mais bem tolerada do que os demais antidepressivos. No sentido contrário, a nortriptilina foi considerada a menos eficaz dos 14 antidepressivos estudados, e a imipramina, a menos tolerada. Já a venlafaxina está associada a um risco crescente de pensamentos suicidas. Os pesquisadores reconhecem, porém, que a verdadeira eficácia e os riscos de efeitos colaterais indesejáveis graves desses medicamentos continuam desconhecidos, devido à fragilidade dos testes clínicos existentes. É o caso, sobretudo, dos pensamentos e comportamentos suicidas ligados aos antidepressivos. Em um comentário agregado ao estudo, o pesquisador australiano Jon Jureidini destaca que, no que diz respeito à paroxetina, eles atingem 10% em uma nova análise de dados, contra 3% em estudos já publicados. Segundo estimativas citadas pelo estudo, 2,8% das crianças entre 6 e 12 anos e 5,6% dos adolescentes sofrem de problemas depressivos graves nos países desenvolvidos. Esse número pode estar subestimado, levando-se em conta a dificuldade de diagnosticar a patologia. Esses sintomas são diferentes dos observados nos adultos e incluem, em especial, irritabilidade, não querer ir à escola, ou comportamento agressivo. Em relação aos antidepressivos - que também podem causar, além das ideias suicidas, dor de cabeça, náusea e insônia -, sua prescrição continua a aumentar, ainda que a maioria dos países ocidentais recomende, a partir de agora, que sejam reservados às depressões mais graves e após o fracasso das psicoterapias. “Os antidepressivos não parecem oferecer um benefício claro nas crianças e nos adolescentes”, concluem os autores do estudo, que acrescentam que “a fluoxetina é, provavelmente, a melhor opção quando o tratamento medicamentoso é indicado”.  
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