Um áudio gravado por uma mãe de aluno da educação infantil da Escola Municipal de Ensino Fundamental Rodolpho Dornbusch, em Jaraguá do Sul, no Norte catarinense, vem repercutindo nas redes sociais desde a noite de domingo. Nele, a mãe relata que o filho, um menino de cinco anos, chegou em casa na sexta-feira com uma boneca. A criança, segundo ela, recebeu o brinquedo da professora dentro de uma atividade da escola. Porém, a mãe considerou que o filho brincar com uma boneca representa interferência da escola na sua educação e vê na atitude “ideologia de gênero”. A Secretaria Municipal de Educação considera que houve desentendimento quanto à proposta e falta de comunicação entre pais, professora e diretoria da escola. A boneca teria sido criada pela turma do pré 2 dentro de uma atividade matemática. A mãe do aluno explica no áudio que a criança levou o brinquedo para casa porque a escola desenvolve uma atividade em que a professora escolhe um brinquedo e o sorteia entre os alunos para que seja levado para casa durante o fim de semana. Ele diz que geralmente são brinquedos educativos, como tabuleiros e livros, até mesmo plantas, com os quais os pais também podem brincar junto com seus filhos. No entanto, continua a mãe, há duas semanas seu filho foi sorteado e a professora enviou uma boneca. Segundo relato da mãe, ela e o marido ficaram assustados com a situação. Os pais perguntaram à criança porque a professora havia mandado uma boneca, e o filho teria dito que seria porque a turma trabalhou com o brinquedo naquela semana. Para a mãe, conforme o áudio, a atitude se tratou de “ideologia de gênero”, por entender que a boneca é um brinquedo para meninas e não para meninos, e que a atitude tinha intenção de influenciar a criança. Após ouvir a mãe, a professora e a diretora da escola, em reunião nesta segunda-feira (20) juntamente com advogado da família, o secretário de Educação, Rogério Jung, emitiu nota oficial explicando o ocorrido. Conforme a nota, as crianças e a professora construíram uma réplica da boneca chamada Mariana Conta 1, da série Galinha Pintadinha. Por meio da proposta pedagógica lúdica, as crianças aprendem não só a contar até dez, mas também dão significado para a contagem. A diretora da escola, Leila Portz da Silva, acrescenta que o planejamento pedagógico da professora previa o trabalho “cognitivo em raciocínio matemático” com os alunos com o uso da boneca, e que depois de confeccioná-la as crianças tiveram vontade de levá-la para casa. A professora concordou e realizou o sorteio. Leila destaca que a proposta da boneca não era trabalhar “masculino e feminino” em sala de aula e diz que houve interpretação errônea dos pais. A diretora e também o secretário de Educação reafirmam a confiança no trabalho da professora – a quem destacam como ótima e extremamente cuidadosa –, que há dez anos atua no município, assim como reiteram que a rede municipal de ensino não trabalha com “ideologia de gênero”. “Acho que houve um mal-entendido e falta de comunicação, da professora com os pais e da diretora com os pais também”, afirma o secretário. A escola não divulgou o contato da professora e da família a fim de preservá-los. LEIA MAIS: Advogado de família que questionou entrega de boneca a filho presta esclarecimentos