Lúcifer traz fogo e calor “infernal” em partes do planeta

Por: Isabelle Stringari Ribeiro

12/08/2021 - 10:08 - Atualizada em: 12/08/2021 - 10:46

Lúcifer é o nome que foi dado ao anticiclone responsável pelo calor “infernal” que está atingindo o Norte da África e o Sul da Europa e que tudo indica que vai piorar no restante da semana, com a intensificação do calor em diversos países do Mediterrâneo. A região já sofre duramente com o calor extremo e incêndios florestais com magnitude nunca vista em décadas.

A temperatura está alcançando valores sem precedentes em diversos pontos do Norte da África e do Sul da Europa. Hoje, a máxima na estação meteorológica local é 48,8ºC em Siracusa, na Sicília, Sul da Itália, chegou a 48,8ºC.

A marca supera o recorde de maior temperatura oficial já registrada no continente europeu aceito pela Organização Meteorológica Mundial de 48,0ºC, em Atenas, na Grécia, em 1977. A máxima de 48,8ºC na Itália na quarta-feira (10) precisará ser validada pela OMM como novo recorde de calor oficial da Europa.

No Norte da África, o calor tem sido cruel. A temperatura na quarta atingiu 50,3ºC em Kairouan, a maior máxima registrada em medição na Tunísia desde o começo dos registros meteorológicos no país, superando o recorde nacional anterior de 50,1ºC em Al Burmah, em 2005.

Ontem, a capital Tunis e a cidade de Bizerte tiveram o maior calor dos seus registros históricos com 48,9ºC. Os recordes de calor na Tunísia têm caído dia após dia e focos de incêndios surgem em diversos pontos do país.

Na Argélia, o calor está atingindo valores extremos raramente vistos. A máxima ontem na cidade de Bejaia de 48,4ºC foi a maior da série histórica da estação local, superando o recorde anterior de 45,3ºC por 3,1ºC, o que é muito. As máximas entre 48ºC e 49ºC que têm sido registradas no país estão entre as mais altas já observadas em qualquer lugar do continente africano em áreas costeiras.

Incêndios

O calor extremo e histórico que se experimenta nestes dias na Argélia desencadeou uma série de incêndios que destruíram a vegetação. De acordo com as autoridades, pelo menos 69 pessoas morreram nos incêndios que avançaram sobre vilarejos e cidades do Norte do país.

No desespero, moradores tentaram apagar com mangueiras e baldes de água as chamas que avançavam sobre as casas. Muitos ainda tentaram salvar animais domésticos e o gado do campo.

Foto: Ryad KRAMDI / AFP

Foto: Angelos Tzortzins/ AFP

O vento muito forte agravou o prolificação muito rápido dos incêndios que ocorrem sob condições de tempo muito seco e quente em meio a uma brutal onda de calor que está destruindo o Norte da África e o Sul da Europa. Os focos de incêndios atingiam 17 províncias argelinas e a situação foi descrita como “alarmante”.

Nas redes sociais argelinas prestaram solidariedade aos bombeiros voluntários que entre as dezenas tiveram um pouco de sucesso para combateram os incêndios ainda fora de controle.

Itália também sofre com incêndios

Assim como muitas áreas do Norte da África e do restante da Europa, a Itália também está enfrentando incêndios, nos quais as autoridades locais encontram dificuldade em conter. O fogo consumiu vegetação e residências principalmente do Centro para o Sul da Sícilia. Mais de três mil bombeiros foram mobilizados em apenas um dia na Sicília e na Calábria.

A ilha grega de Évia foi devastada pelo fogo. As chamas prosseguem e já destruíram uma área de setenta mil hectares de florestas, além de muitas residências. Moradores de Évia descreveram o cenário na ilha como um “filme de terror”. O primeir-ministro da Grécia declarou que o país enfrenta “um desastre natural de dimensões sem precedentes”.

Infelizmente a situação só tende a piorar no Norte da África e na Europa nos próximos dias. Uma imensa massa de ar extremamente quente atua nessas regiões com um padrão de bloqueio atmosférico associado ao anticiclone (centro de alta pressão) que foi batizado de Lúcifer. Há uma imensa bolha de calor, que traz uma longa sequência de dias secos e quentes, o que piora ainda mais a situação.

Foto: Met Sul

Segundo modelos numéricos o calor extremo seguirá nos próximos dias no Norte da África e na Europa com marcas perto de 50ºC em algumas áreas. O calor, que diminuiu um pouco na Grécia, deve voltar a ganhar força no final da semana. As outras áreas de calor extremo devem avançar mais para Oeste.

 

Foto: Met Sul

Por conta disso, o calor vai aumentar muito no final desta semana na península ibérica, para onde estão sendo previstas as temperaturas máximas que devem superar os 45ºC em algumas cidades tanto de Portugal como Espanha.

Foto: Met Sul

De acordo com meteorologistas locais em Portugal, eles estão advertindo para uma condição “rara” de calor. Os dois países, até agora livres da onda de incêndios nos demais países do Mediterrâneo, devem ver o risco de fogo em vegetação disparar nos próximos dias com a chegada do calor mais extremo.

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Isabelle Stringari Ribeiro

Jornalista de entretenimento e cotidiano, formada pela Universidade Regional de Blumenau (FURB).