A segunda-feira foi especial, e histórica, para o casal Sul catarinense, João Henrique Brandão, de 33 anos, e Salin Eggres Brandão, de 28 anos.

De Balneário Rincão, mas morando em Maryland, nos Estados Unidos, desde 2017, João e Salin receberam hoje a primeira dose da vacina contra a Covid-19, da Pfizer/BioNTech.

Ele contou como a pandemia vem sendo enfrentada lá, a perspectiva acerca da imunização e as diferenças do cenário para o Brasil.

Até agora quase 125 milhões de doses já foram aplicadas - 44 milhões de pessoas já estão completamente imunizadas e mais de 81 milhões tomaram pelo menos uma dose. Há estudos de que, até junho, o país alcance a chamada imunidade de rebanho.

“Quando chegamos aqui jamais poderíamos imaginar que passaríamos pela maior pandemia da história moderna, assim dizendo. Temos sorte de estar passando por essa situação (vacinação) porque acompanhamos a situação do Brasil, pois temos familiares e amigos aí, e ficamos apreensivos, até mesmo no início da pandemia. Aqui as restrições começaram antes e já informei meus familiares orientando que eles ficassem em casa se possível, comprassem álcool em gel, para se prepararem, porque aqui, na época, começou a faltar tudo no mercado que se associasse à pandemia. A grande diferença daqui do Brasil, pelo que vemos via familiares, amigos e imprensa, é em relação ao movimento da pessoas e não somente do governo, que claro, precisa dar a contrapartida, apresentar um plano, uma estratégia, mas a população precisa fazer a sua parte”, opinou.

Segundo ele, lá a grande maioria das pessoas segue rigorosamente as medidas de combate ao coronavírus, como uso de máscara e evitar aglomeração, por exemplo, inclusive no comércio, com controle rigoroso de entrada de pessoas.

“O governo apresentou um projeto e as pessoas colaboraram. Sempre tem algumas pessoas que não acreditam, que não seguem as regras, mas a gente percebe que é a grande minoria. Com a mudança do governo mudou muito. As pessoas têm percebido que, para voltar ao mais próximo da normalidade, é acabando com o vírus, ou seja, enquanto não começar a diminuir os casos, não tem como voltar à vida normal”, acredita.

Vacina

Para aplicar o plano de vacinação, João explica que o governo norte-americano aposta na divulgação para realização de cadastros de todos os moradores - incluindo imigrantes -, visando imunizar o máximo de pessoas possíveis, de acordo com a chegada de estoques dos imunizantes.

“O governo dos EUA têm como estratégia vacinar o máximo de pessoas possíveis. Eles procuram as pessoas e essas pessoas também ajudam na divulgação. Existe um site que você se cadastra e ainda chama as pessoas para a vacinação. Esse site ainda envia material, como links para fazer o agendamento da vacinação, material explicando como funciona, quem pode se vacinar, horários e tudo mais. E eu posso distribuir também esse material com o link para agendamento. Fiz o meu, da minha esposa e até da babá que cuida dos nossos filhos, que também já agendou para os seus familiares”, explicou, acrescentando que os próprios imigrantes ou estrangeiros recebem uma espécie de kit com 100 agendamentos para distribuir para a sua comunidade, de acordo com a oferta de vacina, caso contrário, ficam numa espécie de fila de espera.

Site para cadastro e demais informações / Reprodução

“O governo entende que tem que vacinar todo mundo, que não adianta vacinar uma parte da população e outra não. Nas próprias redes sociais, com os grupos, são distribuídos esses links com agendamento”.

Eles receberam a vacina em um estádio, que virou um centro de vacinação em massa, e esperaram cerca de uma hora entre fila - onde também estavam outros brasileiros -, e triagem para, enfim, a aplicação.

“É tudo muito organizado e já fica agendada a próxima dose. A nossa vai ser dia 12 de abril. Não tem nenhuma burocracia, eles não exigem plano de saúde. Lembrando que aqui não tem o SUS como no Brasil, aqui a saúde é paga, mas foi tudo de graça nesse caso”.

João chamou atenção para o auxílio que o governo norte-americano está dando para que os empresários não precisem fechar suas portas, como também para as pessoas.

“Temos colegas que têm restaurante, padaria, enfim, e muita gente sofreu impacto também, e o governo tem auxiliado. A carga tributária no Brasil é alta, tudo é imposto no Brasil. E nesse momento importante que a gente precisa do governo, não se vê aí nenhum projeto para socorrer as empresas. Essa é outra diferença que tem daqui. No Brasil parece que as pessoas estão querendo lutar umas com as outras, querendo defender ideia. Não é momento de defender ideia, porque não é uma ideia que está matando quase três mil pessoas aí no Brasil por dia, é um vírus. Se tivesse rolando uma guerra na rua, rolando tiro pra tudo quanto é lado, você sairia de casa? Você brigaria para sair de casa, pra ir num shopping, num parque ou na praia? Não é uma guerra de tiros, mas é uma guerra invisível, que muitas vezes não pode atingir você, mas você pode passar para outras pessoas que acabam sendo vítimas. Enquanto não se perceber que só tem um caminho de voltar à normalidade, que é acabando com esse vírus, diminuindo os casos, infelizmente o Brasil vai continuar nessa loucura e a gente fica aqui nessa torcida que isso acabe o mais rápido possível”, concluiu.