Quatro estudantes de Jaraguá do Sul estão embarcando no sonho de residir no exterior. Eles estão deixando a família, amigos, escola e a rotina para trás e aproveitando a oportunidade de conquistar novos horizontes em outro país ou até mesmo em outro continente. Por meio do Programa de Intercâmbio do Rotary Club Jaraguá do Sul — Vale do Itapocu, Elisa Brownrigg, 16 anos; Gabriel Allam Vázquez, 16; Maria Eduarda Verbinen, 17; e Osmar César Cruz, 17; vão aprimorar o inglês, aprender novas línguas e estreitar laços culturais nos Estados Unidos, Suécia, Taiwan e Alemanha, respectivamente. Mas o crescimento pessoal não é o único objetivo do grupo, que tem a nobre missão de levar a paz mundial e a compreensão entre os povos, por meio desse intercâmbio de costumes. Conforme explica a oficial de intercâmbio da entidade, Rosmeri Nau, os estudantes irão residir durante um ano fora do país, cursando o ensino médio, e irão aprender uma nova língua. “Por trás desse programa há todo um cuidado especial, porque o intercâmbio do Rotary é um dos mais seguros do mundo, onde o jovem é hospedado com rotarianos e famílias cujos filhos também participam do programa. Os estudantes são tratados como filhos”, ressalta. A expectativa de Gabriel é viver uma realidade totalmente diferente e aprender muito. Para ele, é importante abrir a mente para uma sociedade e uma cultura nova. O estudante embarcou para a Suécia no sábado (29). Antes dessa experiência, ele já tinha visitado o Uruguai, mas nunca foi a outro continente. “Embora esteja nervoso em partir, eu sei que é isso que eu mais quero. Então, tento não olhar tanto para o que estou deixando para trás e foco no quão boa a experiência vai ser”, declara. Os jovens intercambistas residem, durante um ano, com três famílias, passando quatro meses com cada uma delas. “Assim, é possível conhecer melhor a cultura do local. Eles convivem com crianças, com idosos, o que faz com que se crie esse respeito mútuo entre as nações e vem ao encontro do objetivo maior, que é a paz”, pondera. Jaraguá do Sul costuma receber jovens da Índia e Taiwan, cuja cultura é muito diferente da local, o que é considerado por Rosmeri uma grande oportunidade para aprender a respeitar e amar o próximo. ESCOLHA DO PAÍS DEPENDE DE NOTAS A seleção para participar do programa de intercâmbio dura alguns meses e, depois, ocorrem os encontros de orientação. Assim, todo o processo acontece em aproximadamente um ano. “No nosso distrito, realizamos algumas provas, que incluem a língua inglesa e conhecimentos sobre o Rotary. Depois, participamos de um acampamento, onde ocorre a avaliação psicológica. É onde os intercambistas se conhecem”, explica Gabriel. As notas, então, são somadas e vão para um ranking, que permite aos candidatos a escolha dos países, de acordo com as vagas. Por meio do programa, 26 estudantes já foram apadrinhados. Os países que mais receberam os jaraguaenses são Estados Unidos e Taiwan. Fundado há quase dez anos em Jaraguá do Sul, o RCJS - Vale do Itapocu é formado somente por mulheres, sendo responsável também por outros projetos sociais.   NOVOS DESAFIOS EM OUTROS PAÍSES Colonizada por alemães, Jaraguá do Sul possui proximidade cultural com aquele país e, por esta razão, o estudante Osmar já está frequentando aulas do idioma, apesar de ser fluente em inglês. Seu objetivo é continuar aprendendo a nova língua na Alemanha, a partir de janeiro, quando atravessa o Oceano Atlântico rumo à Europa. “Quero levar um pouco da nossa história e cultura para compartilhar com eles”, garante. Ainda indeciso sobre sua futura profissão, Osmar espera que o período fora do Brasil possa contribuir para sua escolha. Para Elisa, que embarca para os Estados Unidos no próximo dia 12, ampliar sua visão de mundo e sair da zona de conforto são etapas essenciais para o crescimento. Ela acredita que a parte mais difícil será a adaptação. Também enfatiza a importância de deixar uma boa imagem do Brasil no exterior. “Depende do nosso trabalho, também, que essas vagas continuem abertas a novos intercambistas do nosso Distrito. Temos essa responsabilidade”, revela. Maria Eduarda espera amadurecer e aprender a não depender tanto dos pais com a experiência de morar fora do país. A estudante acredita que sentirá falta do calor humano do Brasil, já que embarca para Taiwan no dia 15 de agosto. “Mas, acho que vai ser bem legal essa experiência”, ressalta. O grupo espera representar bem o país no exterior e mostrar o que realmente é o Brasil. “Sair do estereótipo que eles têm do brasileiro e abrir mais a cabeça deles também”, argumenta Gabriel.