Mais de 30 mil pessoas devem ser vacinadas em Jaraguá do Sul nas primeiras quatro fases de imunização previstas pelo Plano Nacional de Vacinação para a Covid-19.

No entanto, não existe previsão de quando essa proteção chegará a todo esse público. Até quinta-feira (11), último dado disponível antes do fechamento desta reportagem, 2.579 pessoas pertencentes aos grupos da primeira fase foram imunizadas.

De acordo com o secretário de Saúde, Alceu Moretti, a expectativa é que novos lotes cheguem semanalmente.

Até agora foram recebidas 2.872 primeiras doses, 1.852 da Coronavac e 1.020 da Oxford/Astrazeneca; e outras mais 1.400 doses da Coronavac para a segunda aplicação.

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Moretti explica que a segunda dose da vacina da Oxford ainda não chegou por ter um período maior entre as aplicações, em torno de 120 dias.

Quem já foi imunizado com Coronavac deve começar a receber a segunda dose a partir do próximo dia 18.

A coordenadora de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde de Jaraguá do Sul, a enfermeira Ana Cristina Kneip, explica que devido a escassez de vacinas, a Secretaria estabeleceu critérios para atender as 3 mil pessoas incluídas na primeira fase de imunização.

Os primeiros foram os profissionais que atuam na linha de frente ao atendimento do Covid-19, em hospitais, ambulatórios, laboratórios e farmacêuticos que fazem coleta de exames e unidades de saúde.

Finalizado esse grupo, foram disponibilizadas doses a demais trabalhadores da saúde.

Com uma pequena remessa de 480 vacinas recebida nesta semana, já contabilizada nos dados gerais, trabalhadores da saúde com mais de 60 anos foram e idosos acima de 90 anos começaram a ser imunizados.

Até quinta, 116 idosos já haviam recebido a vacina. A estimativa do município é de que haja 230 pessoas com 90 anos ou mais em Jaraguá do Sul, portanto, metade dessa população recebeu a primeira dose.

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“A ideia é, a cada semana, avaliar o quantitativo recebido do Ministério da Saúde e ir ampliando as idades de trabalhadores e idosos. Todas estas informações estarão na página das redes sociais da Prefeitura Municipal, e será este o canal de divulgação das fases de ampliação da vacinação”, comenta Ana.

Média de vacinação chega a 130 pessoas por dia

A vacinação começou em Jaraguá do Sul no dia 20 de janeiro. Até a última quinta-feira, com 22 dias de campanha, 2.579 pessoas receberam a primeira dose. Uma média 117 moradores por dia.

Se a chegada das vacinas seguisse nesse ritmo, seriam necessários mais de 8 meses para imunizar as 30 mil pessoas dos grupos de risco - o que representaria 16,5% da população jaraguaense.

O secretário rebate essa estimativa com o otimismo de que a produção e liberação de vacinas deve acelerar nos próximos meses.

“Os quantitativos que estão chegando nos municípios são pequenos, mas tanto o Butantan quanto a Fiocruz vão produzir aí milhões de doses, mais de 200 milhões de doses no ano de 2021. Vamos ter um quantitativo mais expressivo para os municípios”, confia.

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No que tange à rede municipal de saúde, Moretti afirma que as unidades estão preparadas para começar uma vacinação massiva assim que a quantidade de doses aumentar.

“Nosso município está preparado para a vacinação. Como agora os quantitativos são pequenos, estamos vacinando com listagens pré-definidas”, diz. “Mas vamos [quando tiverem doses disponíveis] ter capacidade de vacinar mais de mil pessoas ao dia”.

Efeitos pós-vacina são esperados

De acordo com a coordenadora de Imunização Ana Kneip, os chamados efeitos colaterais após a vacina são esperados para algumas pessoas. Cefaleia, que são dores de cabeça; mialgia, as dores musculares; e febre estão, inclusive, descritas nas bulas das doses.

Houveram relatos desses sintomas em Jaraguá do Sul. “Todos os casos foram orientados ao uso de medicação para alívio de sintomas, apresentando melhora do quadro”, pontua.

"Todas as vacinas utilizadas nos calendários de vacinação são passíveis de eventos pós-vacinas, porém na maioria são leves e transitórias não causando danos para pessoa. A proteção que elas proporcionam é imensurável diante de qualquer mal estar passageiro causado pós-aplicação. Algumas vacinas são mais reatogênicas que outras , isso depende de sua composição e também de cada indivíduo”, complementa.

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Cuidados pós-vacina precisam ser mantidos

Seja pela falta de doses suficientes para imunizar um número expressivo da população, ou pela insuficiência de informações sobre o período de efeito da vacina, o fato é que os cuidados diários precisarão ser mantidos.

Enquanto o vírus ainda estiver circulando, as pessoas seguem sendo orientadas a usar máscaras, manter distanciamento social e fazer a higiene correta das mãos segue sendo um protocolo orientado à toda população.

Segundo especialistas, mesmo após a imunização, existe a chance de infecção pela doença, uma vez que nenhuma vacina possui 100% de eficácia para o contágio. No entanto, todas as vacinas contra Covid-19 garantem que, mesmo infectada, a pessoa não irá desenvolver a forma grave da doença.

Segundo o secretário Alceu Moretti, uma das principais conquistas da vacinação é justamente essa: a redução dos casos graves e da mortalidade por coronavírus - o que deve desafogar os hospitais e unidades de saúde.

Imunização só está completa com segunda dose

A supervisora de imunização ressalta à população a importância de estar atento ao chamado para a segunda dose da vacina.

“A imunidade da pessoa somente estará completa após 15 dias da segunda dose e mesmo assim todas as medidas de segurança deverão ser mantidas", reforça.

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Como essa é a primeira fez que as vacinas contra o coronavírus estão sendo utilizadas, os estudos ainda seguem esclarecendo algumas dúvidas.

“O que ainda é motivo de estudo é por quanto tempo teremos titulação suficiente de anticorpos para esta doença pós vacinação... Será uma vacina que será realizada anualmente igualmente a influenza? Esta é uma questão ainda que não possuímos respostas no momento”, pontua Ana.

Situação das vacinas

Segundo informações do Plano para Campanha de Vacinação Covid-19 em Santa Catarina, do Governo do Estado, a Organização Mundial da Saúde teria divulgado que existem 52 vacinas Covid-19 candidatas em fase de pesquisa clínica e 162 candidatas em fase pré-clínica de pesquisa.

Das vacinas candidatas em estudos clínicos, 13 em ensaios clínicos fase 3 para avaliação de eficácia e segurança, a última etapa antes da aprovação pelas agências reguladoras e posterior imunização da população.

O Ministério da Saúde já sinalizou a garantia de 300 milhões de doses da vacina de Oxford (Astrazeneca), 70 mil doses da vacina da Pfizer e 48 milhões de doses do Consórcio Facility, por encomenda tecnológica.