Longe de ser um problema de saúde pública em Jaraguá do Sul, a hanseníase segue como uma doença que necessita cuidado e um olhar mais atento no Brasil.

Segundo dados do SUS (Sistema Único de Saúde), houve uma queda no número de registros da doença no país entre os anos de 2015 e 2017. Em 2015, foram registrados 35 mil novos casos, enquanto em 2017 pouco mais de 32 mil diagnósticos foram efetuados no país.

Apesar disso, a hanseníase continua no radar do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial da Saúde) que considera este um problema de saúde pública no Brasil, uma vez que os casos representam mais do que um a cada 10 mil pessoas. Hoje, o Brasil só tem menor número absoluto de casos do que a Índia.

Casos notificados

Embora a doença seja monitorada de perto pelo país, em Jaraguá do Sul ela não é considerada um problema. Segundo o setor de epidemiologia da Secretaria de Saúde, não existe uma constante nem de queda, nem de alta no número de casos notificados. Em 2015, foram quatro casos, em 2016 o número caiu para dois, em 2017 foram registrados três casos e neste ano, até o momento, um caso foi notificado junto à Secretaria.

Para o enfermeiro do Programa de Tuberculose e Hanseníase de Jaraguá do Sul, Robynson Leandro Braga, a quantidade baixa de casos notificados se deve a um longo trabalho na divulgação e tratamento da hanseníase, realizado durante muitos anos em todo o país.

“Tivemos um sucesso muito grande no tratamento da hanseníase no decorrer da história. Em Jaraguá do Sul, não é uma doença de grandes proporções de cunho epidemiológico e a transmissão também está bem restrita”, ressalta.

Atualmente, segundo Braga, há quatro pacientes residentes em Jaraguá realizando tratamento e um paciente de Schroeder que realiza o acompanhamento na cidade. Ele explica ainda que a partir do momento que o diagnóstico é confirmado e o tratamento realizado, o paciente passa por reavaliações periódicas por um período de 10 anos, para acompanhamento.

Já as pessoas que tiveram contato com pacientes atestadamente com hanseníase também passam por essa avaliação, que é anual, durante cinco anos, para excluir a possibilidade de contágio.

As avaliações periódicas são importantes, ressalta o enfermeiro, porque o contágio se dá, justamente no contato e a doença pode se manifestar depois de um tempo considerável, por isso o cuidado em realizar avaliações durante anos após o tratamento.

Braga explica que o fluxo de atendimento passa pela primeira consulta, na unidade básica de saúde, quando enfermeiros e médicos avaliam a lesão e fazem o encaminhamento para a especialidade de dermatologia, que realiza uma avaliação detalhada com o rastreamento de lesões em todo o corpo. A partir daí, em caso de diagnóstico positivo, o tratamento é iniciado.

Além da campanha focada em hanseníase que acontece todos os anos no mês de janeiro – o chamado “Janeiro Roxo” – materiais de divulgação são distribuídos em todas as unidades de saúde do município.