Se a vida te der limões, faça uma limonada, diz o ditado popular. Mas, e se a vida "te der" um câncer?

Daniel Maiolino, 33 anos, empresário, uma pessoa ativa, sempre em movimento, envolvida em projetos, dando um jeito de transformar as 24 horas de um dia em 27, se não mais.

Bom sujeito, do tipo que sabe cultivar bons amigos, aproveitou um dia normal da sua rotina, no ano passado, para curtir um happy hour.

Seu padrinho de casamento o acompanhava, mas o amigo teria que voltar para Joinville, onde morava na época, ainda naquela noite. Solícito, Daniel logo ofereceu sua casa para que passasse a noite.

Um dia normal.

Até que, por volta da 1h da madrugada do dia 25 de abril, uma dor no peito e uma forte náusea fizeram com que Daniel despertasse no meio da noite.

A dor era forte, o enjoo mais ainda e, ligeiro, quis se levantar, mas ao tentar ficar de pé, caiu. Sua mãe também passava aquela semana em sua casa e, ao ver a luz da televisão da sala acesa, Daniel a chamou, pedindo ajuda.

A mãe o acudiu, acordou o amigo e os dois levaram Daniel ao hospital. A dor era tanto que, em seus pensamentos, Daniel tinha certeza de que estava tendo um infarto.

Foto Arquivo Pessoal

A caminho do socorro médico, tudo em que Daniel pensava era chegar logo ao hospital, pois assim sabia que teria alguma chance.

Eles chegaram. Daniel foi socorrido. Exames foram feitos e a surpresa, até então, foi boa: não era infarto. Então ele começou a relaxar.

“Se não estou morrendo, deve ter sido um ataque de ansiedade”, pensou. Com viagem marcada para Portugal em 30 dias, aproveitaria o momento para descansar.

Mas, um exame chamou a atenção dos médicos: uma radiografia do tórax mostrava que sua traqueia estava meio torta.

Com encaminhamento para uma médica especialista, medicado e já sem dor, Daniel foi liberado para voltar à casa, já que não havia risco iminente a sua vida.

Porém, a partir dali, tudo mudaria.

A médica pediu que ele voltasse ao hospital, para ser internado e, assim, poder investigar melhor a situação. Passado a mais um especialista, que recebeu o novo exame de Daniel, foi a hora de ouvir a notícia.

"Ele recebeu meu exame e viu que eu estava com uma massa no peito", conta Daniel.

Foto Arquivo Pessoal

"Quando ele falou que eu tinha uma massa, eu perguntei 'como assim uma massa? Um tumor?' Ele disse 'é, um tumor'. Nossa, aí meu chão parece que abriu e o sentimento que tive foi horrível", relembra.

A situação foi ainda mais difícil porque Daniel estava sozinho naquele momento.

Seus amigos e familiares estavam revezando o horário como acompanhantes e sua esposa, Andielle Maiolino, estava em Portugal, viagem que ele não quis até então interromper porque não acreditava ter algo grave.

"Na hora que ele contou não tinha ninguém ali comigo, foi desesperador porque eu não sabia o que fazer", diz.

A volta por cima

Já com a esposa de volta, a biópsia realizada em Daniel confirmou o câncer: linfoma não Hodgkin, células grandes B, no mediastino (tórax).

Diante do diagnóstico, o empresário, e hoje também palestrante, diz que naquele momento enxergava a sua frente apenas duas alternativas.

“Eu teria que passar por tudo aquilo, todo o tratamento, de qualquer jeito, mas eu podia fazer isso de forma positiva ou negativa. Eu decidi ser positivo”, relata.

Decisão feita, Daniel partiu para enfrentar a batalha contra o câncer. Buscou todo o apoio possível, desde médico, psicológico e também humano.

No começo, quando ainda não sabia do diagnóstico, Daniel preferiu envolver poucas pessoas. Desde que teve a confirmação, relembra, ele resolveu compartilhar com amigos e familiares.

"Quanto mais gente sabe do problema que você está passando, mais fácil é de alguém vir ajudar e eu tive muita ajuda. Acredito muito que você ter pessoas dispostas a te ajudar vem de você ter, desde sempre, a vontade de ajudar os outros. E fazer isso sem esperar nada em troca", afirma.

Foto Arquivo Pessoal

Para o empresário, o surgimento de um problema é a hora em que deve se colocar a teste tudo o que cada um fez em sua vida até aquele momento, uma hora de reavaliações.

"Se você tem hábitos saudáveis é mais fácil de passar por um problema, seja ele qual for. Se você cultiva boas amizades, você vai ter pessoas boas a sua volta na hora que um problema aparece. Se você faz o bem para as pessoas, sem esperar nada em troca, na hora que você mostrar que está com um problema, pessoas vão se aproximar para ajudar, também sem esperar nada em troca de você", conta.

Durante todo o tratamento, Daniel procurou manter a positividade - que naturalmente oscilava em seus altos e baixos -, buscando cuidar do corpo, da alimentação e da cabeça. Procurou toda a ajuda disponível a que pudesse recorrer, começando por encontrar uma psicóloga logo no começo do processo.

O que também ajudou o empresário a manter o espírito determinado a vencer a doença foi fazer coisas que lhe dessem bem-estar, como, por exemplo, comer pizza duas vezes na semana.

"Essa parte poderia esconder da minha nutricionista né?", brinca Daniel, ao contar um dos seus momentos mais aguardados da semana, o que acabava por mantê-lo motivado.

Ouvir as músicas de que mais gostava, ver os filmes e seriados que mais apreciava e o deixavam feliz são outros exemplos que lhe ajudavam a passar pelos momentos mais difíceis.

"Tudo que puder ajudar você a passar por este momento difícil, faça", ele enfatiza.

Aprendizados

De abril até setembro, do ano passado, Daniel passou por seis sessões de quimioterapia e 19 de radioterapia. Hoje, está em remissão e se recuperando bem.

Do momento que viveu, um dos maiores aprendizados, conta o empresário, foi se dar conta da impermanência e, principalmente, aceitá-la.

"Tudo que é bom termina e tudo que é ruim, também termina. Nada é permanente. E isso é bom, porque a única coisa permanente na vida é a morte", afirma.

Foto Arquivo Pessoal

Por isso, Daniel acredita que é preciso saber aproveitar os momentos bons e ruins que nos acontecem, porque significam que estamos vivos.

"Acredito que existe sim uma força superior a nós e que as coisas não acontecem por acaso conosco. Se algo está acontecendo, é porque vai ser por algum motivo importante, e a busca por este motivo também me ajudou a superar tudo".

 

 

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