Investimento em educação neste ano deve chegar a R$ 6 milhões em Jaraguá do Sul

Escola prepara as boas vindas aos alunos que retornam às aulas na quarta-feira (7) - Edu Montecino/OCP Escola prepara as boas vindas aos alunos que retornam às aulas na quarta-feira (7) - Edu Montecino/OCP

Cotidiano

Por: Adrieli Evarini

terça-feira, 07:00 - 06/02/2018

Adrieli Evarini
Os despertadores de crianças e adolescentes jaraguaenses irão começar a tocar mais cedo nesta quarta-feira (7), depois de cerca de dois meses de férias. As aulas da rede municipal retornam e 15.100 alunos devem tomar as 31 escolas da rede pública municipal de Jaraguá do Sul. Quer receber as reportagens do OCP Online pelo whatsApp? Basta clicar aqui O retorno às aulas no início de fevereiro não é novidade. Embora o calendário se adapte ano a ano, não há muita divergência entre um ciclo escolar e outro. A novidade deste ano fica por conta dos investimentos planejados para a área de educação da cidade. De acordo com Rogério Jung, secretário de educação do município, estão previstos cerca de R$ 6 milhões em investimentos que devem se concentrar em obras e aquisição de equipamentos de infraestrutura. Só no primeiro semestre, o orçamento para melhorias deve girar em torno de R$ 4 milhões. Embora não antecipe quais são as obras e equipamentos que devem ser adquiridos pela secretaria, Jung garante que o objetivo é melhorar ainda mais a estrutura e os índices da educação jaraguaense, que já é considerada referência. “Vai ser um ano muito bom para a educação. No primeiro semestre serão aproximadamente quatro milhões de reais em investimento e não é só isso, no segundo semestre anunciaremos novos investimentos”, afirma. Para preparar o retorno às aulas, os funcionários da rede pública municipal voltaram aos postos de trabalho na última quinta-feira (1) e, embora não tenha sido promovida nenhuma grande obra de ampliação ou reforma durante o recesso, o secretário ressalta que a estrutura para receber os alunos é de qualidade e que, com os investimentos, a intenção é melhorar ainda mais o ambiente escolar para alunos e professores.
Nova pintura da quadra esportiva é fruto de parceria entre secretaria e Associação de Pais e Professores da Escola Municipal Atayde Machado | Foto Eduardo Montecino/OCP
Entre as escolas que passaram por pequenas reformas está a Escola Municipal Atayde Machado, que teve a quadra de esportes repaginada. A nova pintura é fruto de parceria entre secretaria e a Associação de Pais e Professores, conta Jung. “Na Atayde Machado aconteceu uma parceira. A secretaria ficou responsável pela aquisição das tintas e a escola e a associação ficaram responsáveis pelo trabalho de pintura”, diz. Outra escola que teve reparos graças a uma parceria foi a Escola Municipal Max Schubert. Neste caso, os banheiros passaram por reforma. Além delas, o secretário conta que a Escola Municipal Francisco de Paula teve o pátio externo reformado com troca parcial da cobertura. Número de matriculados aumenta pelo segundo ano consecutivo O número de alunos que devem sentar nas cadeiras das 31 escolas municipais de Jaraguá do Sul a partir desta (7) aumentou pelo segundo ano consecutivo. De acordo com dados da Secretaria de Educação do município, em 2017 14.910 alunos foram matriculados na rede pública municipal de ensino – matrículas apenas do ensino fundamental, excluindo-se as matrículas dos centros de educação infantil da cidade – superando os números de 2016. Neste ano, o número aumentou novamente. Segundo a secretaria, 15.100 alunos estão matriculados. O secretário de educação, Rogério Jung, afirma que houve uma estagnação nas matrículas entre os anos de 2012 e 2016. “Estávamos mantendo o número de matriculados na rede municipal, mas em 2017 já tivemos aumento e este ano aumentou um pouco mais”, explica. Apesar do número de matrículas aumentar, o número de escolas e de professores não deve acompanhar o crescimento. No caso dos professores, ao contrário, deve diminuir. De acordo com o secretário, o que a secretaria tem feito é um zoneamento e mapeamento de escolas e origem dos alunos para evitar uma “migração”. “A gente fez o zoneamento e com ele o que se pretende é evitar que uma escola esteja superlotada enquanto outra, de outro bairro, esteja com salas ociosas. Muitos alunos acabam se matriculando nessas zonas de passagem. O que acontecia, neste caso, é que escolas fechavam, por exemplo, salas de artes e bibliotecas para abrir salas extras. Isso não deve acontecer mais com esse mapeamento e zoneamento”, destaca. Jung ressalta que a intenção da secretaria com essa ação é tentar aproximar cada vez mais o aluno de escolas próximas de suas residências. “Queremos deixar os alunos cada vez mais próximos de casa, da sua comunidade”, completa.
Escola Municipal Atayde Machado está preparada para receber alunos | Foto Eduardo Montecino/OCP
Com este trabalho de zoneamento e mapeamento, a secretaria pretende também diminuir o quadro de professores. Conforme explica Jung, as turmas serão reordenadas, o que possibilita essa diminuição no número de docentes. O projeto da secretaria é utilizar esses dados e essa nova organização para identificar quais são os pontos mais críticos na cidade, onde a demanda é maior. “Agora, com esse zoneamento iremos melhorar até a identificação de pontos críticos para a construção de novas escolas. Estamos levando em consideração esses estudos para saber onde é necessário investir em construção”, explica. Mas, o zoneamento tem causado dores de cabeça para Emanuel Vieira de Lima. Morador do bairro Água Verde, desde dezembro ele tenta solucionar o problema que se tornou matricular o filho na escola. Concluído o pré-escolar, o filho que completa sete anos em 2018 deve ser matriculado para dar continuidade aos estudos e é aí que começaram os problemas que se arrastam até agora, véspera de início das aulas. Além do filho caçula, a filha mais velha também estuda na mesma escola, a Escola Municipal Anna Towe Nagel e, no caso dela, Emanuel conseguiu fazer a matrícula sem problemas. Já o filho mais novo está sendo impedido de ser efetivamente matriculado no primeiro ano do ensino fundamental e, de acordo com ele, a alegação é de que o garoto está fora do zoneamento. “Eu cheguei a fazer a rematrícula em novembro, pegamos a lista de materiais, as agendas, tudo. Aí, em dezembro falaram que ele não poderia estudar lá, que ele tinha que sair da escola por causa do zoneamento. Mas a escola fica a 700 metros da minha casa. Ela fica no Água Verde e eu moro no bairro”, explica. Segundo Emanuel, a diretora afirma que há vagas, mas que a matrícula não pode ser efetivada por questões de zoneamento. Durante os dois últimos meses ele tentou resolver a situação do filho, sem sucesso. Uma denúncia foi protocolada junto ao Ministério Público de Santa Catarina e na manhã desta segunda-feira (5), ele participou de uma reunião com o secretário de educação do município e outras autoridades municipais, porém, o problema segue sem solução. “Eu fui ao Ministério Público, mas ainda não tive nenhuma resposta. Pra mim, além de estar sendo uma humilhação, eu não sei o que fazer. Eu já sabia que essa reunião não daria em nada, não resolveriam nada. Perdi meu dia de trabalho e não resolveram nada, meu filho continua sem escola”, lamenta. Segundo ele, a secretaria indicou uma escola no bairro Chico de Paula, o que para ele e para o filho é inviável. Sem conseguir resolver a situação e tendo sido orientado a matricular o filho em uma escola que, de acordo com ele, é distante cerca de dois quilômetros da residência, o garoto não deverá começar a freqüentar as aulas neste início de ano letivo. “Era para o meu menino estar dentro da escola e estão tirando ele para tentar mandar não sei pra onde. A princípio não vou matricular meu filho em outro lugar, ele vai ficar em casa porque na verdade ele está matriculado e eu não tenho como levar ele para outro lugar. Estou constrangido, decepcionado e sinto que estão tirando o direito do meu filho”, ressalta. Ainda de acordo com Emanuel, além da indicação por uma escola no bairro Chico de Paula, levantaram a possibilidade de outra unidade no bairro Jaraguá Esquerdo matricular o garoto ou uma escola estadual, o que também não atende as necessidades da família que mora próximo à escola em que o menino fez o pré-escolar. “Se a escola tem vaga e estão tirando a vaga do meu filho, eles vão fazer o que com essas vagas? Estão empurrando todo mundo para o estado, mas como eu vou chegar e pedir uma vaga no estado se, além de morar perto de uma escola municipal, meu filho está na rede municipal?”, completa. De acordo com o secretário de educação, o zoneamento foi organizado e regulamentado com a aprovação da secretaria, Conselho Tutelar e Ministério Público e ele explica ainda que, neste ano, todos os alunos que devem ser matriculados no pré-escolar I e primeiro ano estão sendo redirecionados conforme esse zoneamento e, no caso do filho de Emanuel, ele deve ser direcionado à Escola de Educação Básica Julius Karsten, que está sob a responsabilidade do Estado. Direcionado à escola estadual, Emanuel recebeu uma negativa da diretora, que afirmou não ter vaga para a criança. “Ao longo dos últimos 10 anos o Estado foi reduzindo vagas e passando a responsabilidade para o município. Nós estamos terminando de organizar e iremos protocolar uma ação contra o Estado porque não foram feitos os repasses para o município e para que ele reabra as vagas e escolas que fechou”, afirma Jung. Sem vaga na escola estadual, a secretaria afirma ter ofertado uma vaga em uma escola no bairro Chico de Paula e, de acordo com o secretário, o pai insiste em negar as possibilidades oferecidas pelo município. “Nós demos opções para ele, ofertamos e caso a escola esteja distante mais de três quilômetros, nós fornecemos o transporte. O problema é que ele quer escolher uma escola e isso não é possível”, finaliza. Já segundo Emanuel, é inviável para a família deslocar a criança para outro bairro e o pai deve voltar ao Ministério Público para tentar resolver a situação escolar do filho caçula. Educação infantil deve ter incremento de vagas em 2018 Funcionando em regime de plantão desde o dia 12, com três CEIs (Centros de Educação Infantil), e com o restante iniciando os trabalhos de plantão no dia 22, a educação infantil de Jaraguá do Sul deve ganhar um incremento de vagas neste ano. Assim como as escolas de ensino fundamental, os CEIs retornam às atividades de maneira integral nesta quarta-feira (7). E, segundo o secretário de educação do município, Rogério Jung, fevereiro já promete inaugurações na educação infantil. O CEI do bairro Ribeirão Cavalo deve abrir as portas oficialmente neste mês. Além disso, o secretário garante que a meta é ampliar o número de vagas. “Nos CEIs trabalhamos com metas e a minha meta é de ampliar e oferecer cerca de 500 vagas a mais na educação infantil de Jaraguá do Sul”, ressalta. Além disso, o secretário garante que tem um desafio: melhorar uma educação que já é referência. “Jaraguá do Sul já é uma referência quando falamos em educação e quando você tem algo muito bom, é difícil melhorar ainda mais. Mas, nosso desafio e meta é trabalhar para melhorar as condições tanto para os profissionais em sala de aula quanto para os alunos”, finaliza. Em 2017, eram 5.046 alunos matriculados nos CEIs do município. A projeção da secretaria é de que neste ano, 5.300 alunos sejam matriculados até o mês de março.
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