O texto abaixo foi escrito especialmente para o OCP NEWS Florianópolis com o objetivo relatar um fato que aconteceu no Parque da Luz, centro da Capital, e que aborda temas como civilidade (ou a falta dela), respeito, tolerância e xenofobia. O que aconteceu serve para se pense sobre as relações humanas e o respeito que devemos ter um pelo outro.   BILLY CULLETON, ESPECIAL PARA O OCP NEWS Florianópolis É um belo domingo de manhã e o avô levou a neta de três anos ao Parque da Luz para mostrar o voo do avião de isopor que tinham comprado, no dia anterior, durante a apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Já nas primeiras tentativas para fazer o aparelho planar e, por causa da falta de habilidade no manuseio do brinquedo, a engenhoca foi parar nos galhos de uma árvore, a cinco metros de altura. Enquanto olhavam para cima em busca de uma solução para recuperar o avião, um cachorro chega correndo e pula nas costas da criança que, caída e assustada, começa a chorar, mas logo encontra o consolo nos braços do avô. A dona do cão, uma mulher com pouco mais de 60 anos, ri e diz que isso é apenas uma brincadeira. Se vira e sai andando, enquanto o avô tenta repreendê-la, perguntando se não achava errada a atitude do animal. A senhora, porém, faz de conta que não é com ela e continua caminhando, sem sequer responder ou se virar. Inconformado, o homem, junto com a neta, a segue e continua a dirigir-lhe a palavra. Mesmo a poucos metros, ela permanece inalterada. Até que ele toca com o dedo no ombro da mulher. Esta se vira como uma cobra naja e começa a gritar: “Não encosta em mim, não encosta em mim!!”. E, ao perceber o sotaque do homem, o encara: “Você é estrangeiro, nem devia estar aqui neste parque. Volte para seu país. Aliás, você não é daqui e nem deveria estar me dirigindo a palavra”. O homem repete que ela não deveria levar um cão solto, que assusta crianças, para um parque. Ela, no entanto, insiste em desqualificar o avô apenas pela sua origem e sai vociferando para quem quisesse ouvir que tinha um estrangeiro a incomodando no meio das árvores. O avô e a neta permanecem no local, enquanto a xenófoba vai embora. Horas depois, o homem reflete e pensa que, apesar do incidente, é um sortudo, nestes dias de inversão de valores, onde muitas vezes a vítima é transformada em algoz. Isso porque se a mulher, fosse mal-intencionada, daria um depoimento à polícia e à imprensa, ou escreveria seu drama nas redes sociais, e a história poderia se transformar em algo do tipo: estrangeiro tarado ataca Idosa em parque em Florianópolis. Assim nasce uma fake news.