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Internet facilitou desinformação, explica especialista de Jaraguá do Sul

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Por: Pedro Leal

21/09/2021 - 12:09 - Atualizada em: 21/09/2021 - 12:50

A disseminação das redes sociais e a agilidade da comunicação online levou a uma explosão de desinformação na forma das famigeradas “Fake News”. Elas são um problema antigo, mas, com a internet, tornaram-se ainda mais perigosas e ganharam um peso infinitamente maior, capaz de influenciar o rumo de eleições e causar efeitos devastadores à imagem de empresas, instituições e pessoas.

Disfarçadas de conteúdo jornalístico, as fake news viralizam nas redes sociais divulgando informações comprovadamente falsas, muitas vezes, com discursos de ódio e sem autoria. De acordo com o especialista em direito digital, Raphael Rocha Lopes, as pessoas tendem a compartilhá-las facilmente por dois motivos – ambos motivados mais por um desejo de auto-afirmação do que por veracidade.

O primeiro deles é porque querem fazer parte de algum grupo, desejam ter sensação de pertencimento. Segundo, porque, mesmo sabendo ou desconfiando que a notícia seja falsa, gostariam muito que fosse verdadeira, já que está de acordo com os próprios pensamentos, sejam eles políticos, ideológicos, religiosos ou de qualquer outra natureza.

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No Brasil, há legislações que são instrumentos para reprimir as fake news, como o Marco Civil da Internet (MCI), o Código Civil e o Código Penal, disciplinando, direta ou indiretamente, o uso de redes sociais no país. Porém, recentemente, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) assinou a Medida Provisória 1068, que dificulta a remoção de notícias falsas na internet – o que teria potencial para favorecer a propagação de fake news de maneira impune.

Segundo Rocha Lopes, a alteração infringe a Constituição Federal, pois, não é uma pauta urgente que pudesse ser objeto de Medida Provisória, além de ter outras distorções técnicas. “O ato também fragiliza nossos direitos constitucionais, muda da noite para o dia uma lei debatida por anos e é uma norma sem precedentes em qualquer outro país”, explica. Líderes partidários já se movimentam contra a medida provisória.

O especialista também lembra que o compartilhamento de notícias falsas não é feito apenas por usuários comuns. Robôs, os famosos “bots”, dotados de inteligência artificial ou não, simulam ações humanas na internet e promovem a divulgação de fake news, geralmente, sob o comando de grupos organizados.

Hoje, veículos de imprensa reconhecidos e redes sociais contam com sistemas de checagem de fatos, que facilitam a identificação de informações inverídicas. Conforme Rocha Lopes, outra forma de não se deixar enganar pelas fake news é sempre considerar a fonte da notícia, analisar quais são os conteúdos publicados normalmente pelo site, checar os autores e data da matéria, consultar outras fontes e especialistas, ler além do título e analisar se seus ideais não estão influenciando o seu julgamento.

*Com informações de assessoria de imprensa.

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Pedro Leal

Analista de mercado e mestre em jornalismo (universidades de Swansea, País de Gales, e Aarhus, Dinamarca).