Avenida Izídio Carlos Peixer é uma das vias usadas como desvio | Foto Eduardo Montecino
Avenida Izídio Carlos Peixer é uma das vias usadas como desvio | Foto Eduardo Montecino

Com a interdição da rodovia SC-108, em Guaramirim, depois do deslizamento de terra na madrugada do dia 18, a situação do trânsito na BR-280 e na Avenida Izídio Carlos Peixer, no bairro Ilha da Figueira, ficou ainda mais crítica.

Tanto o trecho urbano da BR-280, no trevo de Guaramirim com acesso à SC-108, assim como a Avenida Izídio Carlos Peixer, que dá acesso à Jaraguá do Sul pelo bairro Ilha da Figueira, estão sendo usados como desvio à rodovia estadual interditada.

Pela avenida, os motoristas têm acesso à SC-108 pela rua Carlos Oechsler, que leva à Massaranduba.

Diariamente, transitavam cerca de 15 mil veículos por dia na SC-108, segundo informações do prefeito de Guaramirim, Luís Chiodini (PP), fluxo que acaba sendo absorvido principalmente pelas outras duas vias.

O frentista Marcio José Müller, que trabalha em um posto de gasolina às margens da Izídio Carlos Peixer, relata que o movimento está cerca de três vezes mais intenso.

Diariamente, ele atende a motoristas que também buscam informações sobre o desvio para a SC-108. “Eles falam que não tem essa informação [no ponto da interdição]”, ele conta.

Outra preocupação é com as condições do asfalto da avenida. Em novembro do ano passado, a via recebeu reparos por meio da operação tapa buracos.

Agora, com o aumento no fluxo de veículos, principalmente os mais pesados como caminhões, o receio é que os buracos voltem a se abrir, aponta Müller.

No trevo do trecho urbano da BR-280, em Guaramirim, o fluxo de veículos que já é intenso, praticamente duplicou.

A avaliação é do proprietário de comércio de peças para motos, Alceu Wachsmann Júnior, que trabalha em frente à rodovia.

“É difícil ter um momento assim, sem fila, se não, é direto, acredito que se estenda até à Breitkopf [empresa próxima ao acesso à Rodovia do Arroz] ou mais para frente” ele conta.

Além das filas, o proprietário também relata que tem atendido a motociclistas cujas motos foram danificadas pelos buracos nas vias usadas como desvio.

“Tá vindo bastante pessoal de moto com aro torto, pneu furado, hoje eu peguei dois pneus furados. O pessoal não conhece aquela região, vem porque é obrigado, mas não está acostumado e não consegue desviar dos buracos, que aumentam com a chuva”, ele conta.

Falta de previsão

O prefeito de Guaramirim, Luís Chiodini (PP), se diz preocupado com a situação da SC-108 já que o governo do Estado ainda não anunciou nenhuma data prevista para a recuperação do trecho. “Temo que isso pode demorar além da conta”, declara Chiodini.

Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Infraestrutura, o governo estaria na fase de elaboração de projeto, para então contratar a obra.

No entanto, a assessoria ainda deve atualizar a situação, com o secretário, que estava em viagem nesta segunda-feira (25).

Além da sobrecarga nas vias usadas como desvio à SC-108 e seus impactos à mobilidade e economia da região, Chiodini também aponta o risco que ainda existiria no local do deslizamento. “Porque a parte do morro [que deslizou] está totalmente exposta a novas chuvas fortes”, afirma.

Chiodini diz que hoje caberia ao governo do Estado fazer as obras de contenção necessárias, para evitar novos deslizamentos, já que se trata de uma obra milionária que o município não tem condições financeiras de realizar.

Falta de manutenção

Além disso, o prefeito diz que a falta de manutenção na rodovia estadual, como roçada das marginais, limpeza, drenagem, teria levado ao deslizamento.

“Ali onde tinha tubulação, drenagem que estava entupida, o mato não deixava passar [água], ela canalizou num local só do morro e isso acabou provocando o deslizamento”, ele diz.

A respeito de alguma providência administrativa contra o Estado, pela possível responsabilidade no deslizamento, o prefeito informa que o assunto já foi levantado, mas que prefere continuar o diálogo com o governo, que assumiu recentemente.

“Acho que não é o momento, até porque eles estão aí há 40 dias que assumiram, e estão reconhecendo a casa, ainda tomando conhecimento da situação, a gente quer respeitar, dar esse prazo, mas a urgência existe, o problema existe e ele tem que ser resolvido agora, já”, declara.

 

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