A pandemia afetou significativamente as ONGs que trabalham para angariar recursos. Durante este período, foi necessário se reinventar para minimizar os efeitos da crise. Foram na maioria, essas instituições que atenderam as necessidades da população na ponta. Os desafios para estas instituições foi adaptar suas atividades e atender, mesmo com recursos escassos e com ambiente desfavorável, o maior número de pessoas possível.

A população mais vulnerável sofreu mais, porém a resiliência dessas organizações fez com que as pessoas não ficassem totalmente desamparadas. A emergência fortaleceu o trabalho em rede.

Quase um terço de todas as riquezas do Brasil estão concentradas nas mãos dos que integram o 1% mais rico. É a segunda maior concentração de renda do mundo, ficando atrás apenas do Qatar (Fonte: ONU). Mas, ao mesmo tempo, o Brasil tem 13,5 milhões de pessoas, o equivalente a 6,5% de sua população, vivendo em situação de extrema pobreza, isto é, com menos de R$ 145 mensais. (Fonte: IBGE)

De acordo com Carola Matarazzo, diretora-executiva do Movimento Bem Maior, a ajuda que cada ONG fornece à população da sua região é primordial:

“Os pequenos projetos fazem a diferença. Falamos do coletivo, de instituições que estão no sertão profundo do Brasil, distante de capitais, abaixo do radar. Não têm acesso a crédito, financiamento, editais. É essencial seguir com os esforços conjuntos direcionados para estas ONGs. O Movimento Bem Maior opera como um braço que apoia estes pequenos projetos. Sabemos da necessidade deles estarem atuando onde a política pública não chega.”

Com base nesta observação, o Movimento Bem Maior iniciou uma nova fase que contempla 38 projetos sociais, em 15 estados, por todo o Brasil atuando nas áreas de: direitos humanos, saúde, educação, artes, acessibilidade e geração de renda. O objetivo dessas organizações é fortalecer iniciativas relevantes, através de apoio financeiro e técnico auxiliando na capacitação de gestores, melhorias em estrutura física, contratação de profissionais, fortalecimento de rede local e outras medidas visando sempre construir parcerias que potencializam o impacto social sistêmico.

Entidades locais servem como um ponto de apoio para os mais vulneráveis. É um trabalho contínuo que pode inspirar instituições semelhantes. Transformando o local em que atuam, essas organizações trabalham complementando as atividades públicas.

Os fatores que mais incentivariam a doação ao longo do ano, além de ter mais dinheiro (52%), seriam “saber com certeza como o dinheiro é gasto” (43%) e “mais transparência no Terceiro Setor/organizações sociais” (36%). (Fonte: Brasil Giving Report 2020).