A relação entre alguns moradores de Massaranduba e a igreja católica está estremecida. Tradicionalmente religiosa, a comunidade italiana da cidade tem feito reclamações direcionadas à igreja do município que vetou, há alguns anos, a venda de bebidas alcoólicas nas tradicionais festas, como a da fortaia e da polenta.

Com isso, o público diminuiu e neste ano a festa da fortaia, que iria para sua 10ª edição, sequer foi organizada. A gerente de Cultura e Turismo da Prefeitura de Massaranduba, Maria Ivoni Campigoto Spezia, reclama da falta de diálogo e alega que a decisão tem afetado a identidade cultural das comunidades e do município.

“Estamos preocupados, enquanto gestão pública, com a perda das identidades culturais e do sentido de pertencimento que essas festas tinham. Percebemos que está se perdendo a identidade e, principalmente, temos a preocupação com o jovem, a falta de espaço de socialização e a identidade vai se perdendo”, ressalta.

A gerente ressalta ainda que a medida fez  até mesmo com que as comunidades optassem por não eleger diretoria, abandonando, consequentemente, os trabalhos realizados. “As festas de igreja também eram culturais, toda a comunidade se envolvia, agora que virou uma ‘confraternização’, o público é muito menor, a comunidade não se envolve”, diz.

O presidente do Conselho de Políticas Culturais de Massaranduba, Ilmar José Petry, afirma que não houve diálogo e a liberação do consumo de bebidas é feita apenas para casamentos, quando há comercialização, não há exceção.

“O nosso padre aboliu a bebida alcoólica nas festas da comunidade e nós, das diretorias, pedimos para liberar o salão para as festas tradicionais e ele negou. Casamento pode, mas o comércio de bebida ele não concorda e nós como cultura estamos indo conversar com o bispo”, conta.

Segundo Maria Ivoni e Ilmar, a solicitação para uma reunião com o bispo da Diocese já foi encaminhado e a intenção é demonstrar o quanto a atitude fere a identidade cultural das comunidades e do município.

Comercialização foi vetada em 2003

A Diocese de Joinville, responsável pelo Norte catarinense, reafirma a decisão, tomada ainda em 2003 de excluir a comercialização de bebidas alcoólicas em festas realizadas nas dependências das igrejas e comunidades.

O padre da paróquia Sagrado Coração de Jesus, Sandro Poffo, conta que a decisão de excluir a comercialização em Massaranduba foi tomada em 2016 e colocada em prática a partir de janeiro de 2017, obedecendo a determinação da Diocese e a orientação da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil).

“Não é uma coisa de Massaranduba, é nacional. Tem muita coisa que fere a identidade cultural e a igreja não é o único lugar que se faz festa, eu penso que a gente não proibiu as bebidas alcoólicas nas casas, no parque, no parque de festas, nas sociedades, a igreja não tem incidência nestes espaços, agora dentro do espaço e no exercício da missão da igreja, ali não”, enfatiza.

O padre ressalta ainda que havia uma necessidade de alinhar as ações às da Diocese. “Nós, fazendo parte das 65 paróquias da Diocese de Joinville trabalhamos no sentido de comunhão e obediência”, finaliza.

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