Reconhecida como bem histórico cultural de Jaraguá do Sul em 2014, a construção de 1968 popularmente conhecida como Bar e Lanchonete Boaventura foi demolida. A notificação de proteção dada pelo Setor de Patrimônio Histórico foi revertida por decisão do Comphaan (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural, Arqueológico, Artístico e Natural), ainda em abril desse ano, e nos últimos dias a estrutura deixou de fazer parte da paisagem já comum aos jaraguaenses que paravam ou passavam pela esquina da Procópio Gomes de Oliveira com a Barão do Rio Branco. O pedido para demolição partiu da família, segundo informação do setor, e a exclusão Cadastro do Inventário de Bens Culturais foi concedida pela maioria dos membros do conselho. O imóvel estava com nível de preservação 3, o que na prática significava que seria possível construir nos fundos e até mesmo serem feitas intervenções externas e internas, é o grau mais leve da legislação. O imóvel foi construído pelo comerciante José Boaventura, que desde 1954 atuava no segmento na cidade. A ligação do local com a memória da cidade foi reconhecida, inclusive, em 2006, na ocasião da comemoração dos 130 anos da fundação de Jaraguá do Sul. Entre os agricultores, industriais e comerciantes mais antigos da cidade que receberam homenagem devido à contribuição com o desenvolvimento do município, estava José Boaventura, por oferecer há mais de meio século serviços como comerciante na área de alimentação. PRÉDIO DA ANTIGA SEBUS TAMBÉM TEVE PROTEÇÃO REVERTIDA Pelo menos três imóveis reconhecidos pelo Patrimônio Histórico municipal tiveram proteção revertida por decisão do Comphaan neste ano. Além do Bar e Lanchonete Boaventura, a casa Moretti, localizada no bairro Nereu Ramos, foi destombada a pedido da Prefeitura de Jaraguá do Sul que apontou risco de desabamento do imóvel – atualmente abandonado e com parte da estrutura cedida. A casa deve ser demolida para construção de uma rotatória no local. O terceiro patrimônio que o conselho revogou a notificação de tombamento foi do imóvel que abrigou a antiga Sebus, na rua Domingos Rodrigues da Nova. E outros procedimentos pedindo reversão estão entrando no setor de Patrimônio Histórico. O Comphaan, responsável por analisar os pedidos, é um conselho composto por 18 membros, metade representantes da administração pública e o restante são representantes de setores da comunidade. LEIA MAIS: - Casa Moretti, imóvel histórico do bairro Nereu Ramos, foi destombada para demolição *Reportagem de Natália Trentini para o Jornal O Correio do Povo