O 7º Workshop Catarinense de Indicações Geográficas (IG) trouxe a Corupá a experiência de Portugal na gestão das certificações após o reconhecimento das características únicas de produtos a partir de sua origem.

O tema levanta interesse já que novos desafios devem surgir assim que a banana regional tiver o tão esperado reconhecimento.

O assunto foi desenvolvido pela engenheira Ana Paula Holbeche Fino Correia Soeiro, da Associação Nacional de Municípios e de Produtores para a Valorização e Qualificação dos Produtos Tradicionais Portugueses.

A especialista esteve na região pela segunda vez e ressalta que a partir de agora o trabalho dos produtores terá que ser voltado a tentar novos caminhos comerciais, da apresentação a conquistar mercados que paguem melhor pela banana “mais doce”.

Segundo a especialista, é preciso manter a qualidade da banana e do meio ambiente | Foto: Eduardo Montecino/OCP News

O desafio é mostrar ao mundo a qualidade diferenciada da fruta, como produtos como o vinho do Porto, de Portugal, já conseguiram. Por isso, a pesquisadora portuguesa salienta que manter o que já foi conquistado é extremamente importante. Ela destaca que o processo de certificação não para.

“Que ninguém pense que agora que tem a Indicação Geográfica pode ir para a praia pegar sol. Não pode. Tem que continuar a trabalhar. Costumo dizer isso em Portugal: é tão importante a qualidade do produto, como a qualidade do agrupamento”, aponta.

Segundo a palestrante, é preciso manter a qualidade da banana e do meio ambiente. De acordo com Ana Paula, se o consumidor mais atento perceber que essa qualidade é obtida às custas de produtos químicos e da destruição da natureza, deixará de consumi-la.

Reconhecimento

A especialista relata que o mercado exige renovação, preocupação com a embalagem e o alinhamento de todas as frentes para conquistar reconhecimento internacional. Tornar-se conhecido lá fora requer esforço conjunto, bem como manter a vigilância sobre o produto.

Segundo Ana Paula, o Brasil tem um problema quanto ao sistema de controle sobre os produtos certificados. Ela diz que se a banana certificada não tiver proteção jurídica do nome no mercado, será facilmente usada por quem não tem direito.

Para a palestrante, é importante que as pessoas percebam que podem aumentar a produção de forma sustentável; que podem usar agroquímicos compatíveis com o ambiente; que podem usar adubos que não danifiquem o solo para a geração futura; podem produzir mais sem desmatar, melhorando as suas práticas; é necessário que tenham colaboradores com formação para perceber que deixar de enviar um cacho estragado ao mercado traz benefícios.

Outro ponto citado por Ana Paula como essencial no processo é a preparação das camadas mais jovens da sociedade, que são os consumidores do futuro. Conforme explica, é preciso mostrar que o valor nutricional da fruta é incomparável com os industrializados.

Produto diferenciado

No próximo dia 19, o resultado final do processo de certificação será revelado. A data de entrega da Indicação Geográfica será marcada posteriormente, quando haverá uma cerimônia.

Para o prefeito de Corupá, João Carlos Gottardi, o IG da banana será muito importante para a região, pois agregará valor à fruta e seus derivados, como farinha de banana, biomassa, banana passa, bala de banana e banana chips.

“O nosso produto poderá ser comercializado com um preço melhor. Claro que é o primeiro passo e cabe às organizações do setor – agricultores, cooperativas e associações – agregar valor em cima disso. Esse selo nos traz grande responsabilidade e oportunidade”, declara Gottardi.

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