De acordo com a coordenadora do curso, Anna Baasch, o intuito é oferecer uma matriz competitiva e moderna - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online
De acordo com a coordenadora do curso, Anna Baasch, o intuito é oferecer uma matriz competitiva e moderna - Foto: Eduardo Montecino/OCP Online
Com a presença de representantes do setor público e privado, o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) realizou na manhã de ontem (15) a aula magna do primeiro curso de Engenharia Elétrica da instituição. Criado para atender a uma demanda crescente por profissionais capacitados, o evento debateu temas importantes ao setor, como inovação, sustentabilidade, o cenário energético no Brasil e as demandas do mercado local. Entre os principais convidados estavam o presidente da Celesc, Cleverson Siewert, e o empresário fundador da WEG, Werner Ricardo Voigt.
Oferecido de forma gratuita para estudantes de toda a região, o curso tem duração de cinco anos e irá abrir 80 novas vagas anualmente. As aulas são no período matutino e os alunos podem ingressar de duas formas: por meio do Sistema de Seleção Unificado (Sisu) ou pelo vestibular próprio da instituição. Ao todo, 13 professores irão ministrar as aulas, com o apoio de dez laboratórios técnicos.
De acordo com a coordenadora do curso de Engenharia Elétrica, Anna Karolina Baasch, o intuito da instituição é oferecer uma matriz competitiva e moderna, que se adéque à realidade local. “Precisamos de profissionais multidisciplinares, que consigam entender as particularidades de um problema e otimizar processos, proativos e com autonomia para oferecer boas soluções. Esse é o nosso objetivo”, resume.
Durante a aula magna, o empresário Werner Ricardo Voigt aproveitou a oportunidade para conversar com os novos alunos e ressaltar a importância do setor, destacando que hoje 500 dos 2,5 mil engenheiros da WEG são engenheiros eletricistas. As aulas do curso de engenharia elétrica acontecem no Câmpus Geraldo Werninghaus, no bairro Rau. As inscrições para a próxima turma terão início no dia 5 de abril e podem ser efetuadas pelo site ingresso.ifsc.edu.br.

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Cleverson
ENTREVISTA
Diante de uma mudança de direcionamento no setor energético, este deve ser um ano mais adequado às necessidades do consumidor no que diz respeito ao consumo e custo da energia elétrica. A avaliação é do presidente da Celesc, Cleverson Siewert, que destaca ainda a importância de investir em planejamento e tecnologia para evitar que o cenário de estiagem vivido em anos anteriores se repita. Em entrevista ao O Correio do Povo, ele fala sobre investimentos, projetos e expectativas para o setor.
Como está hoje o cenário de energia em Santa Catarina?
Cleverson Siewert: O verão costuma ser a época mais complexa do ano para a gestão do sistema elétrico. Este ano, em termos de quantidade e qualidade de energia, tivemos no verão os melhores números e dados dos últimos 60 anos, fruto justamente dos investimentos feitos ao longo destes últimos cinco anos. Foram quase R$ 1,3 bilhão em investimentos desde 2011. Tudo muito bem planejado e executado, o que nos permitiu uma condição mais adequada à realidade. Passamos hoje por um momento difícil de forma diferenciada e acredito que isso tem contribuído muito para o desenvolvimento local, inclusive oferecendo uma estrutura melhor aos turistas.
Quanto deve ser investido este ano em energia no Estado?
A Celesc como um todo possui um planejamento até 2018, são mais ou menos R$ 800 milhões em investimentos. Em eficiência energética, especificamente, são investimentos muito robustos. Este ano deve ser algo entre os R$ 40 e R$ 50 milhões em eficiência energética e mais R$ 20 a R$ 30 milhões em pesquisa e desenvolvimento.
Existe algum projeto que mereça destaque?
Na reunião do conselho de administração [da Celesc], que acontece na próxima segunda e terça-feira, iremos apresentar um projeto pioneiro no Brasil. Trata-se de um projeto para a instalação de mil telhados com energia solar. O Brasil como um todo possui algo em torno dos 1.200, 1.300 telhados com energia solar, que oferecem uma troca de energia com o sistema. Só aqui em Santa Catarina temos cerca de 200 e estamos lançando mais mil, então podemos dizer que seremos protagonistas no Brasil neste sentido. Neste projeto prevemos investimentos de mais ou menos R$ 21 milhões. Vai ser o primeiro projeto do ano.
Como irá funcionar este projeto?
A iniciativa terá como foco as residências, iremos dividir estes mil telhados com energia solar entre as seis macrorregiões do Estado. Na sequência será feita uma chamada pública, na qual pessoas poderão se cadastrar. Obviamente que haverão requisitos e critérios, quem se encaixar e conseguir pela ordem de chegada ser selecionada vai poder participar. Nós [a Celesc] vamos pagar cerca de 70% e a pessoa selecionada vai entrar com uma contrapartida de 30%. Com isso acreditamos que o projeto irá funcionar bem. Nosso objetivo, como mencionado, é aprovar os detalhes no conselho da semana que vem e, feito isso, acredito que em 60 dias a licitação seja lançada. Passados três a quatro meses depois, já com obras em andamento e as coisas funcionando, imagino que até o final do ano consigamos executar todo o projeto.
Por que é importante investir neste tipo de iniciativa?
O destaque deste projeto é permitir que você faça a sua própria energia e que efetue depois uma troca com o sistema da Celesc ou de outra operadora do excesso produzido. Você exporta esse excesso para a rede. Esta é uma grande tendência, é um sistema muito utilizado na Europa e nos Estados Unidos. Existem muitas empresas, aqui mesmo, com muita vontade de trazer este processo industrial para cá, produzir estas tecnologias. Acredito que isso deva se desenvolver de maneira forte, o que seria muito bom, pois se trata de uma energia renovável, que vai permitir que todos cresçam.
Como estão as expectativas de reajuste para este ano?
Se observarmos, temos fevereiro, março e abril com quatro diminuições sucessivas da tarifa, por conta das bandeiras tarifárias. De janeiro para fevereiro tivemos uma queda de cerca de 2%. De fevereiro para março, -3%, e de março para abril, -6%, chegando em abril na utilização da bandeira verde. São quase 10% de diminuição neste período. Isso em um período que normalmente temos de 4% a 5% de aumento. Desta forma, em agosto nosso reajuste tarifário também deve ser para baixo. Os últimos dois reajustes, que aconteceram de quatro em quatro anos, foram de redução da tarifa, então a tendência é que este cenário continue. Este tende a ser um ano mais adequado para o consumidor do que foi 2015, quando houve um reajuste de quase 40%.
Como se preparar para uma possível estiagem de energia no futuro?
Vivenciamos em 2014 e 2015 uma dificuldade bastante grande de buscar energia, de racionamento inclusive. O Governo Federal nunca quis falar muito sobre isso, mas a verdade é que isso quase aconteceu. Só não estamos falando disso agora porque o consumo está caindo. Eu vejo que o Governo Federal planeja de uma forma muito efetiva a questão energética, e as distribuidoras, juntamente com as geradoras e transmissoras, executam esse planejamento. O planejamento do sistema elétrico brasileiro é muito bem feito, o nosso grande problema é a execução, é cada vez mais difícil trabalharmos em função das questões ambientais, financeiras e de financiamento, porque o mercado está cada vez mais difícil agora. Então precisamos ficar atentos a esta lógica, para que no futuro não sejamos surpreendidos negativamente. A infraestrutura é algo que precisa sempre estar na frente, par que o industrial invista, para o comerciante abra sua loja, enfim, para que os serviços funcionem. É fundamental possuirmos uma infraestrutura cada vez mais adequada.
O investimento em educação e conhecimento também faz parte deste processo?
Sem dúvida, é fundamental. É o conhecimento que gera o desenvolvimento, que gera renda, gera emprego, que faz com que as coisas funcionem. É o que fica. Não é porque estamos vivendo um momento econômico difícil que não vamos investir em formação e denegrir a importância do conhecimento. A educação só robustece a estrutura que temos, ajudando na formação de uma cadeia bem estruturada, ampliando a participação industrial na área da energia, com empresas catarinenses atuando de maneira muito forte. A mão de obra é fundamental para tudo isso.