Por Dyovana Koiwaski Ainda este ano, o Hospital São José deve realizar o primeiro transplante de órgãos em Jaraguá do Sul. O Ministério da Saúde concedeu à unidade a autorização para retirada e transplante de rim e fígado no início de junho. Com isso, o município se torna a quarta cidade no estado a obter o credenciamento para este tipo de procedimento. De acordo com o diretor geral do hospital, Maurício José Souto-Maior, a conquista é resultado de um trabalho que vem sendo desenvolvido há muitos anos. “É um marco para a área de saúde do município e reconhece a qualidade do serviço prestado pelo hospital”, aponta.
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Quatro médicos transplantadores serão responsáveis pelos procedimentos, com apoio do corpo clínico do hospital | Foto Eduardo Montecino
Além de ser referência em três áreas de alta complexidade (ortopedia, neurocirurgia e oncologia), o São José é destaque também na captação de órgãos. Em 2015, Jaraguá ficou em primeiro lugar no Estado realizando 30 doações. No ano passado, a cidade ficou em quarto lugar, com 17 respostas positivas às notificações de compatibilidade. Leia mais: Investimentos no Hospital São José chegam a R$ 79,5 mi em 12 anos Leia mais: Atendimentos não emergenciais são 57% da demanda do hospital São José Em seis meses, o município ocupa até o momento a terceira posição, com nove doações efetivadas. “Através da captação, que iniciou em 2008, entramos em contato com os órgãos responsáveis pelos transplantes no estado e iniciamos a busca por essa habilitação”, comenta Souto-Maior. Os investimentos em estrutura física feitos nos últimos anos facilitaram o credenciamento, já que além de qualidade, volume e manutenção do setor, a cirurgia exige um período pré e pós-operatório maior. De 2013 a 2016, foram mais de R$ 44 milhões em obras de expansão e modernização na unidade. Os procedimentos serão realizados no centro cirúrgico do hospital. Quatro médicos transplantadores de outras cidades foram transferidos para Jaraguá do Sul, especialistas nas áreas de nefrologia e hepatologia. O apoio será dado pelo corpo clínico já existente, que também foi capacitado e treinado para as cirurgias. O processo de credenciamento começou há três anos. Outro fator que influenciou a autorização, conforme o diretor geral, foi que grande parte dos órgãos captados em Santa Catarina são encaminhados para outros estados. O diretor técnico da unidade, Welly Mamoru Hiraga, destaca que quanto menor o tempo entre retirada do órgão e transplante, melhores serão os resultados do procedimento. Demanda regional Os transplantes de rim e fígado atendem a principal demanda da região, tanto em oferta quanto em pessoas que aguardam pela compatibilidade. Em abril deste ano, a fila estadual para transplantes de rim era de 355 e de fígado 12. A intenção é futuramente realizar o de pâncreas e córneas. Conforme Hiraga, a fila de transplantes é única e abrange todo o estado. No caso de não haver receptores compatíveis, o órgão vai para a fila nacional. Os pacientes que aguardam pela doação passam por avaliação de uma equipe multidisciplinar, considerando aspectos clínicos, sociais e econômicos. “Como acontece com as outras especialidades, os casos serão encaminhados pelas secretarias de saúde da região e passarão por esta análise. Com a fila formada e compatibilidade de um órgão atestada, faremos nosso primeiro transplante”, afirma o diretor técnico. Inicialmente, a tendência é realizar de um a dois procedimentos por mês. O número, segundo Souto-Maior, que vai aumentar gradativamente. “Se futuramente a demanda for alta, temos estrutura física para ativar outra ala do hospital e fazer até três transplantes por semana”, avalia. Grande parte das cirurgias deve acontecer pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

Transplantes em Santa Catarina Neste ano, das 180 notificações de morte encefálica, 82 tiveram a doação de órgãos efetivada.

Como ser um doador? Hoje, no Brasil, para ser doador não é necessário deixar nada por escrito, em nenhum documento. Basta comunicar sua família do desejo da doação. A doação de órgãos só acontece após autorização familiar. Que tipos de doador existem? Doador vivo: Qualquer pessoa saudável que concorde com a doação. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Pela lei, parentes até quarto grau e cônjuges podem ser doadores. Não parentes, somente com autorização judicial. Doador cadáver: São pacientes em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com morte encefálica, geralmente vítimas de traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral). A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico como qualquer outra cirurgia. Quais órgãos e tecidos podem ser obtidos? De pacientes com morte encefálica é possível captar o coração, pulmão, fígado, pâncreas, intestino, rim, córnea, veia, ossos e tendão. Para quem vão os órgãos? Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada estado e controlada pelo Ministério Público. Como posso ter certeza do diagnóstico de morte encefálica? Não existe dúvida quanto ao diagnóstico. O diagnóstico da morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame complementar. Após a doação o corpo fica deformado? Não. A retirada dos órgãos é uma cirurgia como qualquer outra e o doador, quando morto, poderá ser velado normalmente.