Os mais de R$ 20 milhões em dívidas contraídas pelo Hospital e Maternidade Jaraguá (HMJ) são reflexo de uma série de empréstimos bancários realizados nos últimos anos para viabilizar a ampliação e a manutenção da estrutura da entidade. A informação foi confirmada pelo presidente do conselho de administração do HMJ, Luís Fernando da Rocha Roslindo, em entrevista. A situação financeira do hospital veio à tona no último mês, quando o deputado Vicente Caropreso (PSDB) iniciou uma movimentação junto ao poder público estadual na busca pela readequação da dívida. Segundo Roslindo, a maior parte dos empréstimos foi realizada nos anos de 2012 e 2013, com o objetivo de viabilizar a reforma e ampliação do hospital. Na época, foram investidos cerca de R$ 60 milhões na construção de um novo prédio assistencial com seis andares e 10 mil metros quadrados. Do valor total da obra, cerca de R$ 40 milhões foram doados pela iniciativa privada, R$ 10 milhões foram angariados junto ao poder público e outros R$ 9,5 milhões foram obtidos por meio de empréstimos bancários. Dentre os fatores que motivaram os empréstimos estão o atraso no repasse de valores públicos e o aumento no orçamento da obra. “Tínhamos planejado pagar a dívida em quatro anos, porém, ela está estrangulando nosso fluxo de caixa do dia a dia. Temos consciência de que a nossa operação, por mais difícil que seja, daria um resultado positivo se não houvesse essa despesa financeira”, comenta Roslindo. Atualmente, o hospital gasta em média pouco mais de R$ 3 milhões por mês para manter sua estrutura funcionando, valor que se mantém em equilíbrio com o faturamento mensal, também na faixa dos R$ 3 milhões. Entretanto, o valor atual de amortização pago mensalmente pela instituição, somando o capital emprestado mais os juros, gira em torno de R$ 570 mil, mantendo o resultado negativo. Somado às dívidas bancárias, o hospital precisa lidar ainda com débitos de empréstimos de pessoa física realizados ainda na década de 1990 e com os custos de manutenção de toda a estrutura. “O valor da tabela do SUS está há mais de dez anos defasado, precisaria haver um reequilíbrio econômico financeiro desta conta. O custo inflacionário dos materiais, medicamentos, profissionais, essa evolução gera despesa”, avalia Roslindo. Para se ter uma ideia, alguns equipamentos chegam a custar R$ 20 mil ao mês em manutenção. Readequação da dívida é saída para equilíbrio financeiro da unidade Para contornar a situação, o hospital tem buscado o apoio de representantes do poder público na tentativa de readequar a dívida. Conforme Roslindo, a proposta é utilizar parte dos recursos do BNDES ligados ao programa federal Pró-Saúde, de forma a quitar os débitos com os credores e prolongar o pagamento da dívida. A proposta é que o dinheiro seja repassado por meio do Badesc (Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina) ou do BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul). “Só iremos solucionar este desarranjo financeiro com o projeto do BNDES e para que isso aconteça tem que ter força e vontade política. Este projeto nos dá uma carência de até 12 meses e outros 120 meses para pagar”, salienta Roslindo. A expectativa é de que a situação seja regularizada ainda no segundo semestre deste ano. Uma vez confirmados os recursos, o hospital acredita que será possível alcançar um equilíbrio financeiro ainda no período de carência. “São 12 meses que deixamos deixaremos de desembolsar esse valor, que depois também passa a ser menor. Isso daria fôlego para regulamentar a situação com profissionais, fornecedores e ainda investir em certos setores, mantendo sempre as prioridades”, detalha Roslindo. Atualmente, o Hospital Jaraguá realiza em média mil internações, 7,5 mil atendimentos ambulatoriais, 6,1 mil exames de imagem e 670 cirurgias por mês. A instituição conta com um corpo de 543 funcionários e outros 200 médicos prestadores de serviço. A estimativa é de que um hospital filantrópico custe em média 25% a menos do que um hospital público. Apoio social Apesar de receber apoio para grandes investimentos, o HMJ e outros hospitais filantrópicos do Brasil recebem pouco aporte financeiro para a manutenção das atividades. Por isso, as instituições buscam constantemente o apoio da sociedade para garantir a qualidade do serviço de saúde. Para quem quiser ajudar, o HMJ disponibiliza uma conta para doações no Banco Bradesco – é aceito qualquer valor. A agência é 0356-5, a conta corrente é 88888-5. • O hospital gasta em média R$ 3 milhões por mês para manter sua estrutura funcionando, valor que se mantém em equilíbrio com o faturamento mensal, também na faixa dos R$ 3 milhões. Entretanto, a unidade precisa desembolsar mensalmente R$ 570 mil para pagar empréstimos, mantendo o saldo negativo.