Em meio aos vales e montanhas, na bela paisagem do Norte catarinense, está o município de Guaramirim. Com população chegando a 41,8 mil pessoas, segundo estimativa do IBGE em 2016, a economia da cidade encontra-se em plena expansão nas áreas industrial, comercial e de serviços, além de contar com uma expressiva atividade agrícola na produção de arroz, banana e ostentar o título de Capital Catarinense da Palmeira Real. Ao completar 68 anos nesta segunda-feira, 28 de agosto, Guaramirim vem mantendo números positivos na economia, enfrentando desafios para manter o crescimento sustentável. A expansão populacional é um dos fatores que mobiliza ações no poder público, aponta o prefeito Luís Chiodini. Desde 2000, conforme dados do IBGE, houve um crescimento de 43%, ligado especialmente com a abertura de novos negócios.
Prefeito ressalta a necessidade de manter a cidade crescendo de forma ordenada | Foto Eduardo Montecino/OCP
A cidade, que antes tinha metade da arrecadação centrada na atividade rural, hoje é predominantemente industrial, afirma Chiodini, centrada principalmente nos segmentos metal mecânico e têxtil. Este ano, o índice de crescimento na arrecadação de ICMS foi de 10% no acumulado do ano, chegando a R$ 26,879 milhões, um incremento de R$ 2,447 milhões frente ao ano anterior. Os números são expressivos, especialmente se comparados a Jaraguá do Sul, o maior município da região, que teve crescimento de 0,20% no ano. No que diz respeito à geração de empregos, segundo dados do Caged, o desempenho da cidade é positivo em 262 postos de trabalho este ano, sendo que o resultado mais representativo foi o de fevereiro, com 260 novas vagas oferecidas. “Chegou a hora de Guaramirim. A cidade veio se preparando para esse desenvolvimento que está acontecendo agora. Temos o boom populacional com grandes loteamentos sendo feitos, a questão empresarial com a instalação de novas empresas e a nossa área industrial”, pontua Chiodini. Na outra ponta do crescimento, o prefeito ressalta a necessidade de manter a cidade crescendo de forma ordenada e pontua três áreas que precisam de atenção: segurança pública, saúde e educação. PAISAGEM RURAL E URBANA ATRAI MORADORES AO GUAMIRANGA No bairro Guamiranga, a paisagem rural se mistura à residencial e vai criando uma atmosfera tranquila. Pela via principal, é possível avistar plantações de arroz, banana, milho, hortaliças e até gado, que se misturam com residências e comércio. Por ser uma localidade organizada e cuja expansão aconteceu de maneira ordenada, com a vinda de famílias que até hoje habitam o local, o bairro vem atraindo cada vez mais aqueles que buscam se encaixar em uma comunidade acolhedora. No coração do bairro, está localizado o Supermercado Klein, um dos mais antigos. Segundo o proprietário, Osvaldo José Klein, 58 anos, o estabelecimento fundado por seus pais tem aproximadamente 70 anos. Nascido naquela região, ele destaca que é uma localidade calma e que, embora não tenha indústrias, costuma atrair moradores. A economia gira em torno, principalmente, do arroz e da banana. “Também está sendo introduzido o cultivo de palmeiras”, comenta.
Família Klein destaca que o bairro oferece tranquilidades para os seus moradores | Foto Eduardo Montecino/OCP
A princípio, quando a família Klein estabeleceu-se no Guamiranga, abriu um engenho de cachaça. Depois, veio um pequeno comércio, que virou supermercado. “O pessoal mais antigo a gente conhece, mas hoje é mais difícil conhecer os moradores porque vem muita gente de fora. Há muitos imóveis de aluguel. Embora não tenha banco, pois a agência acabou sendo implantada no Corticeira, o bairro é bem estruturado. E o acesso ao Centro não é difícil. Mas temos posto de combustível, posto de saúde, escola, comércio, igrejas, frigorífico, entre outros estabelecimentos”, diz o morador. Klein destaca que a parte central do bairro mudou pouco nos últimos 20 anos e que é possível viver com certa liberdade. Sua esposa, Denise, 57 anos, destaca que a localidade é bem antiga, com mais de 100 anos. “Aqui era trajeto para Joinville e outras localidades, antes de ter a (BR) 280. Eu sempre digo aos meus parentes, se vocês querem conhecer o lugar onde vocês moram vão andar no interior para ver a potência do município”, ressalta. Ela acredita que o Supermercado Klein é o estabelecimento mais antigo da região que ainda continua com a família. EXPANSÃO DO BAIRRO CORTICEIRA CONTINUA ACELERADA
Da área de vegetação densa, hoje o bairro Corticeira abriga muitos moradores e começa a desenvolver um centro | Foto Eduardo Montecino/OCP
Nos últimos 20 anos, o bairro Corticeira deu um grande salto populacional. Assim, foi preciso investir em infraestrutura básica para atender a população que migrou para a localidade localizada às margens da BR-280, quase no limite com Araquari. Lá, ainda residem os descendentes dos primeiros habitantes, aqueles que lutaram para fazer com que aquelas terras prosperassem. Henrique Piske foi um dos pioneiros do bairro. Quando chegou ao local, vindo de Schroeder, não havia ruas, apenas vegetação densa, que ele desbravou abrindo picadas a pé. Depois, retornou com carroças. Ele trabalhava com madeira, que levava até a estrada de ferro. Também transportava cargas de banana do Guamiranga. Quem conta essa história é Henrique Piske Filho, 62 anos, conhecido como Nani na comunidade. “Eu nasci aqui. Onde hoje tem o banco, era a casa do meu pai”, brinca.
Henrique Piske lembra que o pai foi um dos primeiros a desbravar o bairro | Foto Eduardo Montecino/OCP
O comerciante José Vicente de Oliveira Borba, 61 anos, lembra que, na infância, o bairro Corticeira era pouco habitado e sem muita estrutura. “Era tudo estrada de chão, encalhava caminhão, os morros eram lisos e quando chovia era bem difícil”, diz. No bairro onde nasceu, ele formou sua família, montou supermercado há 31 anos e mora até hoje. O comércio do bairro, segundo ele, foi se estabelecendo aos poucos.
José Vicente de Oliveira Borba lembra da época em que havia pouca estrutura | Foto Eduardo Montecino/OCP
Borba afirma que o Corticeira sofreu uma mudança maior a partir do ano de 1989, pois a administração da época preocupou-se mais com a infraestrutura daquela área, melhorando as estradas e loteamentos. “Vinha muita gente do Paraná se estabelecer aqui para trabalhar na região, e o bairro foi crescendo rapidamente”, diz. A moradora Taionara Albano, diretora do Centro de Educação Infantil Joanir da Silva, destaca que quando era criança, há 36 anos, havia poucas casas espalhadas pelo bairro e uma escolinha bem pequena. Nascida e criada no Corticeira, ela diz que as diferenças são muitas desde aquela época. “Antes, o Corticeira era só aqui o centro, mas agora se expandiu muito”, ressalta. Para o diretor da Escola José Dequech, Cesar Augusto Vieira, a tendência é que o bairro continue em expansão, desde que haja infraestrutura para receber as famílias. A instituição de ensino, por exemplo, hoje abriga 584 alunos. “É uma comunidade muito boa. Estou há 25 anos aqui, ano passado que passei a morar em Joinville, mas eu adotei Guaramirim. O desenvolvimento veio, o progresso veio. Penso que chegará uma hora que a população da Corticeira não precisará ir à cidade, ao Centro. Hoje, temos banco, lojas, mercado, daqui a pouco terá posto de gasolina. A tendência, então, é o bairro ficar independente, como a Barra (do Rio Cerro) é em Jaraguá do Sul”, destaca.
O diretor de escola Cesar Vieira acredita que crescimento vai continuar | Foto Eduardo Montecino/OCP
ENCANTADO COM A CIDADE, COMERCIANTE DIZ QUE O DESTINO O DIRECIONOU PARA GUARAMIRIM Residindo há quase 40 anos em Guaramirim, João Riboldi, 79 anos, que mantém um estabelecimento comercial na cidade aberto dois anos após sua chegada, acompanha o crescimento e a transformação da cidade. Ele conta que ficou encantado com o município desde a primeira vez que o visitou, na década de 1960. E, por acaso ou pelo destino, foi onde passou a residir com a família e montou a loja que ele mesmo gerencia.  Foi através de um amigo, com o qual serviu na polícia do exército do Rio de Janeiro, em entre 1957 e 1958, que acabou conhecendo Jaraguá do Sul e região. “Vim na casa dos pais dele, em 1961. Nessa viagem, peguei uma bicicleta emprestada e vim da Barra do Rio Cerro até Guaramirim passear e achei a cidade linda. Visitei a igreja, com a arquitetura feita pelo padre Mathias, e me encantei. Depois de um tempo, acabei vindo morar aqui, mas foi coincidência. Meu cunhado achou um bom terreno para implantação da Michigan e acabamos migrando para cá”, explica.
Para João Riboldi, Guaramirim evoluiu graças a coletividade da população | Foto Eduardo Montecino/OCP
Estabelecido em Guaramirim desde 1978, quando, junto a mais três sócios, implantou a Michigan Tintas, que hoje é a WEG Química, depois abriu sua loja de tintas para absorver o produto. “Eu mantinha uma loja, mas era representante regional, um distribuidor. Com o passar do tempo, acabei ficando só na loja e entrei com outras marcas. Também recebia clientes de fora”, revela. Riboldi afirma que implantou a primeira loja específica para comercialização de tintas em Guaramirim, pois naquela época vários comércios mantinham todo o tipo de produto, mas nenhum era especializado. “Antigamente era tudo misturado, era tinta, era comida, era tudo, uma espécie de bodegão”, complementa. A loja passou por outros pontos e está há oito anos na via principal, no bairro Nova Esperança. É ali que ele estreita as relações com clientes e fornecedores, pois acredita que essa ligação com as pessoas é essencial para o desenvolvimento do seu negócio e do município. Para Riboldi, Guaramirim também evoluiu graças à força do associativismo. Para melhorar a cidade, a dica do morador é simples: “É preciso que sejamos otimistas, que pensemos na coletividade. Participar é muito importante, contribuir”, aponta.