Não há nada mais frustrante do que trabalhar arduamente para realizar um sonho, mas perceber que, no meio do caminho, pessoas que deveriam estar ao seu lado agiram para prejudicá-lo.
Esse é o drama relatado por diversas pessoas que buscaram adquirir um imóvel em Jaraguá do Sul. Elas contam que procuraram uma imobiliária da cidade e, após fechar negócio, uma série de problemas surgiram, fazendo com que o sonho ficasse cada vez mais distante.
José Dalsochio, de 47 anos, afirma que, em 21 de agosto de 2020, assinou um contrato com a empresa Conceito Imobiliário para a construção de um imóvel de 36 m², que ficaria situado no Loteamento Mirage.
Para isso, deu à imobiliária um carro avaliado em R$ 30 mil e mais R$ 8 mil em serviços de marmoraria. O imóvel deveria ter sido entregue em fevereiro de 2021, com possibilidade de prorrogação até julho do mesmo ano, mas até hoje não começou a ser levantado.
Conforme o prazo previsto pelo contrato chegava ao fim e o projeto não saía do papel, Dalsochio passou a cobrar a representante da empresa. De acordo com ele, a resposta obtida era que a imobiliária estava aguardando uma documentação da Prefeitura.
- Foto: Fábio Junkes/OCP News
- Foto: Fábio Junkes/OCP News
Ele conta que no dia 16 de junho de 2021 descobriu que o terreno em que ficaria o imóvel não fora adquirido pela imobiliária e que o verdadeiro proprietário do local desconhecia a transação.
“É um sentimento muito ruim, porque você tem o sonho de ter a sua casa, a minha primeira casa, e aí vêm essas pessoas e tomam o seu sonho. Foi muito ruim, entrei em depressão, fiquei mal, mas a justiça de Deus funciona muito mais do que a da Terra”, desabafou Dalsochio.
Segundo relata, ele não mais consegue contato com a imobiliária, e o caso está sendo levado adiante por sua advogada, mas por enquanto não há nenhuma perspectiva de que a situação seja resolvida rapidamente: “Estamos em maus lençóis”, resumiu.
Falta de Habite-se gera transtornos
Natalicia Neusa Pacheco, de 55 anos, é outra moradora de Jaraguá do Sul que se sente lesada pela imobiliária. Em 2018, ela decidiu comprar um imóvel e, após o contrato ter sido aprovado, começou a pagar por boletos. No entanto, o tempo ia passando e a construção não ganhava forma.
Ela relata que nessa época acabou sendo desligada da empresa em que trabalhava. Para não prejudicar o sonho de comprar uma casa, ela rapidamente conseguiu um novo emprego. E com o valor da rescisão, deu mais R$ 10 mil à imobiliária.
Essa mudança de emprego, porém, acabou servindo de pano de fundo para trazer mais problemas para Neusa.
“Fui informada de que não poderia dar continuidade ao processo porque eu precisaria ter seis meses de empresa. Eu continuei trabalhando e, quando deu o prazo, voltei lá e me falaram que eu não conseguiria porque meu salário estava muito baixo”, disse.
Neusa, então, afirmou que gostaria de resgatar o valor investido, para buscar outros meios de adquirir seu imóvel. Entretanto, ela acabou sendo convencida pela imobiliária a continuar no negócio, porque a empresa conseguiria uma solução.
“Passaram-se cerca de três anos, eu fiz uma denúncia à Caixa, e a imobiliária foi obrigada a me entregar a casa. Mas hoje eu tenho um problema sério, porque há dois anos estou pagando as prestações da casa, mas a Caixa me diz que não estou pagando as prestações, e sim os juros da obra, porque enquanto eu não tiver o “Habite-se”, não consigo pagar as prestações”, explicou.
Ela destaca que não consegue sequer calcular o prejuízo que já teve e que o caso agora está com sua advogada.
A reportagem tentou contato com a Conceito Imobiliário, mas não foi atendida nos canais informados oficialmente pela empresa até o fechamento desta edição.
Ex-delegado do Creci orienta compradores
O ex-delegado do Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) Luiz Sérgio de Assis Pereira, que ficou no cargo até o fim do ano passado, diz que foi procurado por pessoas que relataram ter sido prejudicadas pela imobiliária.
“A orientação que eu dava era: comunique o Creci para que, administrativamente, tome providências contra o profissional ou a imobiliária, dentro do processo legal; registre um BO, para que a Polícia Civil tenha conhecimento do caso; e busque um advogado para tentar, em primeiro lugar, uma conversa amigável para resolver a situação. Se não funcionar, entre com uma ação judicial a fim de buscar o ressarcimento”, explicou.
Ele destaca que muitas pessoas se sentiam intimidadas diante do problema e acabavam estendendo o prazo para a imobiliária entregar o prometido. “Não espere, busque os órgãos competentes”, afirmou o ex-delegado do Creci.
Grupo registra BO
Na última segunda-feira (21), um novo grupo de pessoas que se sentem lesadas pela imobiliária foi até a Delegacia da Comarca de Jaraguá do Sul para registrar Boletins de Ocorrência.
De acordo com o delegado Luiz Carlos Gross, estão sendo abertos inquéritos policiais sobre o caso a cada novo BO registrado na delegacia.
Entidade se manifesta
A Associação das Imobiliárias de Jaraguá do Sul (Aijs) lamentou, por meio de nota, que diversas pessoas tenham sido prejudicadas por uma empresa do setor.
“Tal prática não só fere as pessoas lesadas, mas também todas as imobiliárias e corretores que atuam de forma ética e transparente com seus clientes e que se encontram devidamente credenciados junto aos órgãos de classe.”
Confira a nota na íntegra
“Esta semana, a mídia jornalística de nossa região divulgou matéria onde um grupo de pessoas teriam sido, supostamente, lesados por uma imobiliária na região de Jaraguá do Sul/SC.
A Associação das Imobiliárias de Jaraguá do Sul/SC – AIJS, em nome de todos os seus associados, vêm, através da presente, manifestar todo nosso repúdio e indignação pelas atitudes relatadas nesta semana nas matérias jornalísticas referente a uma agente imobiliária do nosso município, que, segundo a matéria apurada pela mídia local, teria lesado diversos clientes no âmbito de negociações imobiliárias.
Lamentamos tal fato, que infelizmente não é exclusividade deste ramo de atuação, mas que por certo, deixa toda a nossa classe indignada.
Tal prática não só fere as pessoas lesadas, mas também todas as imobiliárias e corretores que atuam de forma ética e transparentes com seus clientes e que se encontram devidamente credenciados junto aos órgãos de classe.
A AIJS se entristece e solidariza-se com os clientes lesados por esta profissional que não representa os nossos associados.
O mercado imobiliário, assim como o mercado dos incorporadores de loteamento e da construção civil de Jaraguá do Sul e região é formado na sua maioria por empresas idôneas e de renome, inclusive, nacional, zelando pela transparência e honestidade nos seus serviços.
Fatos como este, somente reforçam o que nós representantes da AIJS (Associação das Imobiliárias de Jaraguá do Sul/SC), insistimos em divulgar e alertar o mercado:
Procurem Imobiliárias sérias, credenciadas aos órgãos legais;
Exijam o CRECI da imobiliária e dos corretores que estão representando as mesmas nos atendimentos;
Um bom conselho é verificar se a Imobiliária está credenciada a AIJS;
Peça nome de clientes que já fizeram negócios com a imobiliária que está lhe atendendo e consultem os mesmos.
Sugerimos aos consumidores que cuidem com ofertas “milagrosas”. Há um velho e conhecido ditado que preconiza: “quando a esmola é demais o santo tem que desconfiar”, enfim, preços muito abaixo do mercado, condições mirabolantes, dizer que taxas habituais como ITBI, FRJ, REGISTRO, entre outras custas, serão “absorvidas” pela empresa que está lhe atendendo, não fecha com o óbvio, as contas não batem.
Por fim, nós da AIJS, em nome de todas as imobiliárias credenciadas, estamos à disposição para atender com a excelência, qualidade e transparência os nossos clientes, seja para ter seu o imóvel próprio ou investir em um imóvel na região.
Sempre lembramos que, investir em imóveis, sem dúvida é, e sempre será, um dos negócios mais seguros e rentáveis que o consumidor pode encontrar.
Procure por uma das imobiliárias associadas de sua preferência e tenha certeza de um negócio sério, ético e seguro.
Jaraguá do Sul, SC, 23 de março de 2022.
ASSOCIAÇÃO DAS IMOBILIÁRIAS DE JARAGUÁ DO SUL/SC – AIJS
Doglas Piermann
Presidente”
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