Animais estão sendo capturados, castrados e devolvidos a região do Morro da Boa Vista | Fotos Divulgação Frada
Animais estão sendo capturados, castrados e devolvidos a região do Morro da Boa Vista | Fotos Divulgação Frada

Há mais de 20 anos, o Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville, tem atraído a atenção dos joinvilenses para um fato que ocorre dentro de seus muros, mas repercute muito fora deles. Dezenas de gatos ferais* ocuparam o subsolo e o forro da parte dos fundos do hospital e, desde então, têm despertado os melhores e os piores sentimentos de quem é obrigado a lidar com eles. Uma situação que a Frada (Frente de Ação pelos Direitos Animais) tenta resolver.

De um lado, há pessoas que se propõem a simplesmente eliminá-los (já houve registros de envenenamento) ou dão a ideia de fechar as entradas do local com eles dentro - o que daria no mesmo. De outro, há funcionários que tiram dinheiro do próprio bolso para comprar ração e alimentá-los diariamente.

No meio desse emaranhado de sentimentos está a Frada, que continua o trabalho que deu início cinco anos atrás: o programa CED (Captura, Esteriliza e Devolve), consolidado desde 1960 nos Estados Unidos e aplicado no Canadá e em países da Europa.

Trabalho constante

A presidente da entidade, Liliane Lovato, vai quase diariamente até o local pela manhã e coloca duas armadilhas. Assim que captura os animais, leva-os para castração. No final da tarde, devolve-os ao habitat.

Desde a segunda quinzena de fevereiro, quando reiniciou o programa, ela já conseguiu capturar e devolver castrados 12 felinos (balanço do dia 28 de fevereiro). É quase impossível saber o número exato de gatos existentes atualmente no local, mas deve chegar a aproximadamente 50, conforme relatos de funcionários do Regional.

"Os gatos sociáveis (filhotes, na maior parte das vezes) são encaminhados para adoção e os demais são devolvidos ao local após esterilização. Também é feito um pequeno corte na orelha esquerda, para que seja possível a identificação a distância daqueles que já passaram pelo CED", explica Liliane.

Ela completa atestando que infelizmente, esse programa é constantemente rejeitado pelo hospital, pela Vigilância Sanitária e pelo poder público.

“Isto acaba incentivando o ciclo de retirar ou matar e ver aumentar o problema que poderia ser resolvido rapidamente", acrescenta a presidente da Frada.

Liliane afirma que no mundo inteiro há gatos vivendo nos subterrâneos de hospitais devido ao abandono e ao fácil acesso à comida. A falta de informação e de boa vontade do poder público, aliada à ação de funcionários de alguns hospitais, que tentam resolver, mas agravam o problema, faz com que as invasões a quartos e cozinhas desses estabelecimentos aumentem.

"Erros que também contribuem para o aumento da população desses animais. Gatas entram no cio de três a quatro vezes por ano a partir dos quatro meses de idade. Eles podem ter ninhadas de até dez filhotes em cada cio", explica Liliane Lovato.

"Quando todos estiverem castrados, bem alimentados e protegidos, a população ficará controlada e não haverá mais problemas de invasões", garante.

Controle de pragas

A presidente da Frada conta que, apesar das insistentes tentativas da direção do Hospital Regional e da Vigilância Sanitária de retirar todos os gatos do local, os animais continuam por lá já faz mais de 20 anos, conforme informações de funcionários que costumam tratá-los.

Neste período, nunca houve registro de doenças transmitidas por esses animais a seres humanos (zoonoses). Na verdade, os gatos do Regional acabam ajudando no controle de pragas como roedores, pombos e insetos.

"Com a retirada deles, o controle precisará ser feito por meio de dedetização, pois os principais causadores de problemas em hospitais são justamente insetos e roedores, que têm fácil acesso ao interior dos prédios pela rede de esgoto ou pela proteção ineficaz nas entradas de ar", alerta Liliane.

A prefeitura de Nova York (EUA), por exemplo, prefere capturar colônias de gatos ferais e realocá-los em estabelecimentos infestados, como se fossem uma espécie de "dedetização natural", ao invés de utilizar inseticidas no combate dessas pragas.

Para a Liliane, após mais de 20 anos de "guerra" entre Hospital Regional, Vigilância Sanitária, poder público e felinos, é preciso entender que a realidade é uma só:

"Não conseguirão nunca se livrar dos gatos, devido ao grande número de abandono de animais; pelo fato de o morro do Boa Vista fazer fundos com o estabelecimento, o que facilita a entrada de animais e pessoas; e pelo ambiente propício aos felinos".

Segundo ela, a única solução é a convivência pacífica.

Doação de ração

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*Gato feral é aquele que descende de um gato domesticado, mas nasceu e cresceu longe do contato com as pessoas. Como resultado, ele retorna ao estado selvagem.

*Com informações de assessoria de imprensa

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