Nesta quarta-feira (11), funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de todo o país entraram em greve, movidos por uma pauta de reivindicação de salários e melhores condições de trabalho.

Os funcionários também se opõem aos cortes de benefícios propostos pelo governo federal e ao plano de privatização da estatal, anunciado em agosto.

A greve foi decidida nacionalmente na noite de terça-feira (10).

Em Jaraguá do Sul, onde 27 dos 64 funcionários do Centro de Distribuição Doméstica (CDD) dos Correios aderiram à greve, além da pauta nacional há reivindicações locais quanto à falta de funcionários, equipamento e de condições de trabalho, explica o diretor regional do Sindicato dos Trabalhadores na Empresa de Correios e Telégrafos e Similares de Santa Catarina (Sintect-SC), Claiton Santos.

O reajuste salarial de 0,8% é um dos principais pontos reclamados pela categoria. No entanto, os trabalhadores querem também a reconsideração quanto a retirada de pais e mães do plano de saúde, melhores condições de trabalho e outros benefícios.

"A decisão foi uma exigência para defender os direitos conquistados em anos de lutas, os salários, os empregos, a estatal pública e o sustento da família", afirmou em nota a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect).

"Isto é uma questão histórica, temos um déficit de 10 funcionários no CDD, deveriam ser 74 e são apenas 64. O último concurso público foi feito em 2011 e desde então não foram feitas novas contratações", explica.

Pautas regionais

Além da falta de funcionários, Santos destaca que a frota de veículos da estatal na região está defasada e que, frequentemente, a manutenção deles acaba sendo suspensa. "Isto acaba prejudicando muito a qualidade dos serviços", diz.

Além disto, a categoria tem reivindicações quanto ao plano de saúde da categoria, insuficiente. "Há umas duas campanhas salariais o plano passou a ser descontado no salário, e infelizmente muitos médicos e clínicas estão se descredenciando, pois o plano paga muito pouco, e acabou sendo um desconto que não trouxe benefício", explica.

Santos frisa que não são só os funcionários paralisados que fazem falta no atendimento. "Temos 12 funcionários que estão afastados por prazo indeterminado por questões de saúde, o que nos deixa com um deficit de pessoal ainda maior, e com certeza teremos um impacto bem grande no serviço", diz.

Ele afirma que é provável que, como em greves passadas, o prazo de entrega de Sedex seja ampliado para compensar a paralisação. "Já temos funcionários sendo desviados para atender essa demanda e não temos como atender toda a demanda diária da região", diz.

Segundo o sindicalista, a categoria tem tentado negociar com a estatal desde julho, mas a empresa não ouviu as reivindicações.

"Como a dimensão é grande, agora devemos ter força na negociação, mas não sabemos como o Governo Federal vai lidar. É a primeira campanha salarial nacional com a qual o presidente vai lidar", avalia.

Outras duas categorias, dos bancários e dos petroleiros, preparam suas campanhas salariais federais - e a dos Correios tende a ser um termômetro para a mobilização das duas. "Como o governo vai lidar com a nossa campanha deve determinar como serão as próximas", encerra Santos.

 

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