Promover a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres poderia agregar US$ 28 trilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) global até 2025, informa o relatório Situação da População Mundial 2017 lançado nesta semana pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Intitulado “Mundos Distantes: saúde e direitos reprodutivos em uma era de desigualdades”, o estudo se debruçou sobre o aumento das desigualdades e falhas na proteção dos direitos das mulheres, em especial as mais pobres, em todo o mundo. Em mais de 140 países analisados, a desigualdade financeira está intimamente ligada com a falta de diretos. “A desigualdade costuma ser vista principalmente como uma distribuição desequilibrada de riqueza ou renda. No entanto, trata-se de um fenômeno mais complexo, reforçado por diversas formas de disparidade – entre sexos, entre raças e etnias e entre residentes urbanos e rurais. A desigualdade tem muitas faces, sendo cada uma delas um sintoma – e causa – de outra desigualdade”, discorre o estudo. A associação positiva entre igualdade de gênero, PIB per capita e níveis de desenvolvimento humano e a redução das desigualdades de gênero é um fator determinante para que o mundo consiga atingir os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), em 2030, pontua a ONU. Cenário ideal ainda depende de muitas mudanças Dados do relatório mostram que os homens ocupam 76% da força de trabalho global, enquanto as mulheres representam 50%. A pesquisa mostra ainda que o valor pago a mulheres corresponde a 77% do salário dos homens. No mundo todo, 6,2% das mulheres estão desempregadas, em comparação aos 5,5% dos homens. Em 34 países, as disparidades de renda aumentaram entre 2008 e 2013. Outras 68 nações apresentavam disparidades de gênero maiores em 2016 que em 2015. Em razão das desigualdades, apenas metade das mulheres em todo o mundo tem emprego remunerado. Outro dado alarmante: das mulheres que conseguem entrar no mercado, em todo o mundo, três em cada cinco não têm acesso à licença maternidade, e muitas pagam “penalidade pela maternidade”. De acordo com o relatório, esses números mostram que as desigualdades em saúde e direitos sexuais e reprodutivos têm um impacto “evidente” na desigualdade econômica. “O que significa que para as mulheres de qualquer lugar, a gravidez e a criação dos filhos podem significar a exclusão da força do trabalho ou salários mais baixos”. Segundo o relatório, as mulheres mais pobres são as mais atingidas, principalmente aquelas nas áreas rurais. Realidade regional não está à parte   Apesar de sustentar bons índices de desenvolvimento humano e competitividade econômica, Santa Catarina não deixa de fazer parte desse retrato revelado pelo estudo da ONU. As constatações não se aprofundam em Estados ou cidades, mas dados de outras pesquisas podem fazer essa costura. Estudo de 2015 apontou que em Santa Catarina os homens receberam 29,1% a mais do que as mulheres. O salário médio foi de R$ 2.904,7 para os trabalhadores e de apenas R$ 2.248,8 para as trabalhadoras, segundo um levantamento do IBGE com base em dados do Cadastro Central de Empresas (Cempre). Na contramão da remuneração, as mulheres são maioria nos níveis de instrução superior completo, com uma participação de 59,7%, conforme informações da Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação. Por Natália Trentini