“Eu vou morrer e o Fritz vai continuar vivo cuidando do rio Cachoeira para mim”, diz o jornalista e ambientalista da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e do Instituto Viva a Cidade, Altamir de Andrade, ao afirmar que o Fritz não morreu. "Muito pelo contrário, está bem vivo. Quem morreu foi o colega dele, o Jaca", afirma. Em maio de 2015, a imprensa noticiou que o Fritz havia sido encontrado boiando em um braço do rio Cachoeira, que passa pela rua Carlos Willy Bohem, no bairro Santo Antônio. E então surgiram diversas dúvidas se era realmente o Fritz que tinha morrido, pois haviam mais dois jacarés, o Jaca e o Lacoste, além do Fritz. “Na verdade, muita gente não sabia que existiam esses dois jacarés, por isso acharam que era o Fritz que tinha morrido”, explica Altamir. O Fritz apenas mudou de "residência" – antes morava nas proximidades do Fórum e da Câmara de Vereadores e agora reside nas proximidades da rua João Colin, no bairro Saguaçu, nas proximidades da revenda de veículos da Peugeot. “Eu acho que ele mudou porque se sentia muito acuado ali com os outros, lá está livre”, diz. No local que ele escolheu como sua nova moradia tem um banco de areia no rio. Lugar de muitos peixes e cardumes, é ali que ele se alimenta. “Também há muitas capivaras e ele fica esperando para dar o bote nos filhotes. Quando ele sai, é para se alimentar. E quem sabe até namorar, por que não? E para quem duvida, pode ir lá no final da tarde que vai encontrá-lo”, comenta.  Na semana passada, Altamir ainda fotografou e filmou o Fritz no banco de areia.  
Jornalista  Altamir de Andrade é um admirador do Fritz | Foto Arlei Zimmermann/Jornal de Joinville
Jornalista faz pesquisas no Rio Cachoeira desde 2001 O ambientalista monitora o Fritz e os outros animais do rio Cachoeira desde 2001, quando o instituto ainda se chamava Viva ao Rio Cachoeira. Atualmente é Instituto Viva a Cidade. O acompanhamento é feito semanalmente com registros de fotografias e até mesmo filmagens. “Já catalogamos mais de 60 espécies de animais na área central. Temos imagens dos jacarés e os tamanhos deles são bem distintos”, explica Altamir.“ O Fritz é o maior, do meio é o Jaca que morreu, e o menor é o Lacoste”, explica.
Ambientalista monitora o Fritz e os outros animais do rio Cachoeira desde 2001 | Foto Arquivo/ Altamir de Andrade
Existem Jacarés em outras cidades vizinhas Não é só em Joinville que existem jacarés, eles também vivem na região de Garuva, Araquari e Pirabeiraba, informa Altamir de Andrade. Ele recorda que teve um ano em que um agricultor de Pirabeiraba encontrou um jacaré dentro de um tanque de peixes. “E no Rio Cachoeira agora tem muitos peixes graças ao trabalho ambiental que estamos fazendo”, fala. Andrade é taxativo ao dizer que não se pode mais dizer que o rio Cachoeira é poluído - nas décadas de 60 e 70 ocupava as primeiras posições entre os rios mais poluídos do brasil. “É um rio que está no processo de recuperação muito grande. Atualmente conseguimos avistar cardumes de peixes, tartarugas e outras espécies. Felizmente algumas indústrias poluidoras já saíram daquela região, mas ainda temos duas. Basta irmos ali para enxergarmos dejetos químicos sendo jorrados no rio Cachoeira, infelizmente”, lamenta. Segundo ele, apesar de todas as denúncias feitas até o momento, criminosamente estas industrias permanecem ali. “E graças ao trabalho da Companhia de Águas de Joinville, que atendeu a nossa solicitação e iniciou o processo na bacia do Rio Cachoeira, o esgoto doméstico desapareceu", esclarece. Com este processo de despoluição, o ambientalista acredita que a chance do Fritz ter vida longa será maior. “Eu tenho um grande carinho pelo Fritz. Joinville proporciona uma situação única no mundo, onde no centro da cidade podemos encontrar jacarés soltos, livres, convivendo com a civilização mais urbana da maior cidade de Santa Catarina. Existem jacarés morando em centros de outras cidades, mas em parques e em zoobotânico. Então o Fritz e os outros animais que habitam no rio Cachoeira são a prova que é possível sim a convivência do homem urbano e civilizado com a natureza selvagem”, concluiu o jornalista e ambientalista Altamir.