O argentino Pablo Lassalle, 44 anos, mora em Palhoça, mas está atento ao que acontece na China. Desde outubro do ano passado ele não vê a mulher Zhang Hui, de 33 anos, e a filha Isabela, de 1 ano e meio, que viajaram para Wuhan para conhecerem os parentes chineses e não conseguem mais voltar ao Brasil por conta do coronovírus, doença que já infectou mais de 4 mil pessoas e matou 106.

Lassalle tinha esperança de reencontrar a família no último domingo, mas as duas acabaram “presas” na cidade, que se tornou o epicentro da epidemía que assusta o mundo.

Na semana passada, Wuhan fechou o aeroporto e suspendeu meios de transporte, como ônibus e o metrô. Zhang Hui e Isabela acabaram, então, perdendo a viagem de volta ao Brasil – as passagens já estavam compradas para sábado (25), poucos dias depois do anúncio das restrições.

Foto Darley Shen/Reuters

Hoje, as duas estão isoladas no 18º andar, de uma torre de 32 andares de Wuhan, e só saem, de máscara, para ver uma tia de Zhang, chinesa que mora do outro lado da rua.

“Minha filha e minha esposa estão presas em Wuhan”, comentou Lassalle, trabalha com computação gráfica na cidade da Grande Florianópolis. “Já estava terminando a estadia dela.”.

"Como se tudo estivesse desmoronando"

O argentino viveu por sete anos em Wuhan, onde conheceu a mulher, de nacionalidade chinesa. De volta ao Brasil, nasceu Isabela. “Um amigo até me falou: ‘Tira elas de lá porque a coisa está bem feia.” Não deu tempo. Quando viu as informações de que o aeroporto seria fechado, diz, foi “como se tudo estivesse desmoronando”.

As medidas de suspensão das viagens foram tomadas, segundo o governo chinês, como forma de conter o avanço do surto da doença. Ainda não se sabe, exatamente, a forma de contágio do coronavírus, mas há transmissão entre humanos.

Foto: Divulgação/Tyrone Siu

Segundo Lassalle, mãe e filha estão bem. Não falta comida em casa – há um estoque para, pelo menos três semanas. “A recomendação número 1 é não sair de casa”, conta. “Estou aqui agoniado”, afirma Lassalle. “De alguma forma, minha família também não está segura.” Segundo a mulher contou a Lassalle, o clima na cidade é de tensão, estresse e incerteza por causa da quarentena. E não há informações sobre quando o período de suspensão das viagens terminará.

Parece uma prisão

Lassalle, que acompanha as notícias sobre a Província de Hubei, onde está localizada a cidade de Wuhan, por meio de transmissões de vídeo na internet, agora tenta se conectar com outros brasileiros “presos” na cidade. Ele pleiteia que o Brasil providencie o transporte de seus cidadãos de volta ao país

Em um vídeo gravado nesta terça-feira (28), em Wuhan, Zhang diz que estão todos ansiosos. “Nos sentimos nervosos de não poder voltar ao Brasil, como morando em uma prisão”, diz ela.

 

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