A comemoração dos 190 anos da imigração alemã para Santa Catarina terá exposição, lançamento de livro e mesa redonda em Joinville. O evento ocorre nesta terça-feira (20) no auditório da Associação Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, das 9h às 16h.

A programação é gratuita e aberta à comunidade acadêmica, estudiosos e público envolvido com a cultura e patrimônio histórico. Para participar, é necessário se inscrever pelo e-mail projetos@cbvj.com.br.

No encerramento do evento será elaborada a “Carta de Joinville” endereçada ao Poder Executivo e à Associação Empresarial de Joinville (Acij) com o propósito de lançar luzes sobre o patrimônio cultural do município.

“A importância deste evento se traduz no seu slogan, ‘Identidade cultural e pertencimento’, que é a valorização de instituições, assim como a dos Bombeiros Voluntários, que preservam a tradição dos fundadores da cidade”, diz Dolores Tomaselli, museóloga e diretora do Museu Nacional do Bombeiro Voluntário.

O evento é organizado pela Associação Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, pela Sociedade Cultural Alemã e pelo Instituto Carl Hoepcke.

Imigração e pesquisa

O livro “Atas Históricas do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville — 1892 a 1938”, com 508 páginas, será lançado no evento e traz as transcrições fiéis dos registros das reuniões do Conselho Administrativo e comando do Corpo de Bombeiros Voluntários; das reuniões extraordinárias, assembleias gerais, ordinárias e extraordinárias.

Museóloga Dolores Carolina Tomaselli com livro dos bombeiros voluntários, que será lançado nesta terça (20), em Joinville | Foto: Cleber Gomes

A publicação foi desenvolvida no projeto Meio Século de Registros do Alemão para o Português, desenvolvido pelo Museu Nacional do Bombeiro Voluntário com recursos do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec), que possibilitou a tradução para a língua nacional das atas dos Bombeiros Voluntários que desde sua fundação, em 13 de julho de 1892, até 25 de maio de 1938, estavam registradas em língua alemã.

Segundo Dolores, durante a Campanha de Nacionalização, no governo de Getúlio Vargas, muitas instituições de origem germânica optaram por incinerar seus documentos, o que resultou em uma grande perda de fontes primárias de pesquisa. “Felizmente os Bombeiros Voluntários mantiveram seus arquivos e agora estamos disponibilizando esse verdadeiro tesouro para conhecimento, pesquisa e investigação", completa.

O lançamento ocorre com palestras e mesa redonda que abordarão temas como a imigração e a pesquisa, com a participação de Annita Hoepcke da Silva, presidente do Instituto Carl Hoepcke, e dos professores do departamento de história da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), João Klug e Manoel Teixeira dos Santos.

Os exemplares físicos estão à disposição de bibliotecas, universidades e centros de preservação da cultura alemã. O público em geral poderá acessar o conteúdo e fazer download na página do Museu no site do Corpo de Bombeiros.

Exposição: "História Repatriada"

O evento traz a exposição História Repatriada, que revela documentos inéditos sobre alemães em Santa Catarina durante a Segunda Guerra Mundial, realizada por meio de parceria entre o Instituto Carl Hoepcke e o Laboratório de Imigração, Migração e História Ambiental (Labimha) da UFSC, com apoio da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) de São Leopoldo (RS) e do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), de Madri, na Espanha.

A mostra, composta por grandes painéis, permanecerá até 10 de outubro na biblioteca do Corpo de Bombeiros.

“A importância desse material está no ineditismo, e lança luzes sobre a triangulação Espanha-Brasil-Alemanha entre 1942 e 1945”, explica João Klug, professor do departamento de História da UFSC, vinculado ao Labimha.

“Os papéis trazem indícios que apontam para um novo cenário que pode, a partir de pesquisas futuras mais detalhadas, mudar a historiografia local e mesmo internacional da época”, complementa o professor Manoel Teixeira dos Santos, responsável pela análise e seleção do conteúdo.

São cerca de cinco mil documentos que reúnem diários, cartas, solicitações, documentos financeiros e correspondências oficiais da Embaixada, Consulado (em Porto Alegre) e Vice-consulados (em Florianópolis e São Francisco do Sul) da Espanha entre 1942 e 1945.

Os arquivos foram descobertos pela professora doutora Elda Gonzales Martinez, do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC), de Madri, quando realizava pesquisas no Arquivo Central do Governo, na cidade de Alcalá de Henares, também na Espanha, em 2015.

Confira a agenda completa

  • 8h30 — Credenciamento
  • 9h — Apresentação musical
  • 9h30 — Abertura dos trabalhos
  • 9h45 — Palestra dos professores João Klug e Manoel Teixeira dos Santos
  • 11h — Mesa redonda sobre avanços e limites no processo de salvaguarda da cultura germânica: O exemplo do Instituto Carl Hoepcke e da Sociedade Cultural Alemã no Século 21
  • 12h30 — Almoço com conversação em alemão e apresentação musical do grupo Fest Musik
  • 13h30 — Abertura da exposição “História Repatriada”
    — Visita ao Museu Nacional dos Bombeiros e percurso da torre do prédio histórico
  • 14h30 — Lançamento do livro “Atas históricas dos Bombeiros Voluntários de Joinville — 1892 a 1938”
  • 15h30 — Deslocamento ao Cemitério do Imigrante (rua 15 de Novembro, 1000 — Centro)
  • 16h — Visita ao Cemitério do Imigrante
    — Apresentação musical com a soprano Karla Huck
    — Apresentação da “Carta de Joinville”

 

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