João Carlos Mendonça Santos, a convite do OCP NEWS Florianópolis

Sou portador da Doença de Parkison (DP). O diagnóstico chegou após
consulta com neurologista no início de 2017. Mas negligenciei ao demorar em
assumir a doença. Os primeiros sinais surgiram em junho de 2015 quando, do
nada, comecei a apresentar tremores na mão esquerda. Os médicos, à época,
diziam poder estar relacionados a “Dor do Luto”, pois havia ficado viúvo em
março de 2014.
Mas a luz amarela acendeu no início de 2017 quando, do nada, deixei desabar,
no piso na cozinha, uma xícara de café logo pela manhã. Decidi, então,
procurar ajuda.
A consulta foi em fevereiro de 2017. Ficamos um bom tempo no consultório
com o neurologista, especialista em tremores. Eu e minha filha, parceirona de
todas as horas. Fiz os testes necessários, avaliação de exames e veio o
diagnóstico.
- O sr tem Parkinson.
- Mas isso é doença de velho, retruquei, na minha ignorância médica.
O doutor, então, me leva para uma outra sala e começo a assistir vídeos de
pacientes seus com o mesmo diagnóstico..
O primeiro a aparecer foi um jovem de 17 anos, agricultor de Antônio Carlos,
cidade da Grande Florianópolis. O menino tremia o corpo inteiro. E com 17
anos está longe de ter o perfil de “velho”. Outro paciente, esse de 40 anos,
também apresentava sinais da doença. Até que surge um vídeo de um senhor
de 86 anos com o mesmo diagnóstico.
Portanto, a minha definição de que DP é ‘coisa de velho’ foi de uma ignorância
suprema.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1% da
população mundial acima de 65 anos apresenta DP. No Brasil, infelizmente não
há uma estatística exata da quantidade de enfermos, mas estima-se que 200
mil pessoas sofram da doença.
Hoje continuo com o mesmo neurologista e o tratamento prossegue. A melhora
já é visível, mas ainda tremo na mão esquerda. Aliás, sobre o tremor típico da
DP é o sintoma inicial da doença em 70% dos casos. Em fases iniciais da
doença, ele passa despercebido por colegas e familiares do enfermo e costuma
começar em uma das mãos.
E ainda sobre o tremor, uma frase não me sai da cabeça desde a primeira
consulta. Disse o médico.
- O sr. não vai morrer disto, mas vai viver com isso.